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Da Ética Contextualista à Moral Universal

Da Ética Contextualista à Moral Universal

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Published by Caius Brandão
Através desta Pesquisa de Iniciação Científica, nos propomos a relacionar o resultado de uma investigação sobre a justiça em Foucault com a primeira hipótese proposta no Projeto de Pesquisa CIDADANIA E JUSTIÇA: Exigências Ético-Políticas do Estado Democrático Tocquevilliano, coordenado pela Profª. Drª. Helena Esser dos Reis, a saber:
“Que a idéia de justiça compartilhada pelo gênero humano cumpre o papel de norma moral universal (a qual, embora inscrita na necessidade histórico providencial, não é exterior à vontade, à razão e à ação humana) que confere aos cidadãos um critério último para julgar a própria ação e a ação coletiva.”
Através desta Pesquisa de Iniciação Científica, nos propomos a relacionar o resultado de uma investigação sobre a justiça em Foucault com a primeira hipótese proposta no Projeto de Pesquisa CIDADANIA E JUSTIÇA: Exigências Ético-Políticas do Estado Democrático Tocquevilliano, coordenado pela Profª. Drª. Helena Esser dos Reis, a saber:
“Que a idéia de justiça compartilhada pelo gênero humano cumpre o papel de norma moral universal (a qual, embora inscrita na necessidade histórico providencial, não é exterior à vontade, à razão e à ação humana) que confere aos cidadãos um critério último para julgar a própria ação e a ação coletiva.”

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Da Ética Contextualista à Moral Universal
Aluno: Caius César de Castro Brandão (caiusbrandao@globo.com)Orientadora: Profª Drª Helena Esser Reis (helenaesser@uol.com.br)Universidade Federal de Goiás, 74001-970, Brasil
PALAVRAS-CHAVE: Justiça, moralidade, poder, classes sociais.
 
1 INTRODUÇÃO
 Através desta Pesquisa de Iniciação Científica, nos propomos a relacionar oresultado de uma investigação sobre a justiça em Foucault com a primeira hipóteseproposta no Projeto de Pesquisa CIDADANIA E JUSTIÇA: Exigências Ético-Políticas doEstado Democrático Tocquevilliano, coordenado pela Profª. Drª. Helena Esser dos Reis, asaber:
“Que a idéia de justiça compartilhada pelo gênero humano cumpre o papelde norma moral universal (a qual, embora inscrita na necessidade históricoprovidencial, não é exterior à vontade, à razão e à ação humana) queconfere aos cidadãos um critério último para julgar a própria ação e a açãocoletiva.”
A biografia de Michel Foucault nos revela um pensador que não se mantevealheio às questões políticas e sociais que tecem a história da humanidade... uma históriamarcada por lutas e dominações entre diferentes estratos de nossas sociedades. ParaFoucault, não seria suficiente denunciar que por trás de um aparelho estatal existe umaclasse dominante. Crítico da suposta centralidade do poder estatal, ele reconhece que opoder político é exercido mediante uma pluralidade de centros e pontos de apoioinvisíveis e desconhecidos. Desta forma, a tarefa que ele assume como intelectual é a delocalizar e expor os diferentes pontos de atividades do poder; os lugares e as formas nasquais a dominação é exercida.Antes de mergulhar nos textos de Foucault, tomamos o cuidado de identificarum parâmetro de investigação acerca do conceito e funcionamento da justiça. Adotamosa estratégia de não tratar neste trabalho das questões epistemológicas e da hermenêutica
 
do sujeito, constitutivas da ética foucaultiana, para colocarmos o foco na abordagem queo filósofo faz da justiça enquanto instrumento de poder entre classes sociais.Em seguida, abordaremos a questão do poder e a sua relação com osprocessos de elaboração do discurso, com referência à palestra proferida por Foucault emsua aula inaugural no Collège de France, em 1970, intitulada “A ordem do discurso”.Também utilizaremos como fonte argumentativa a transcrição de um debate, de 1971,entre Michel Foucault e Noam Chomsky, facilitado pelo filósofo holandês Fons Elders.Intitulado Human Nature: Justice versus Power (Natureza Humana: Justiça versus Poder),este debate traz à baila uma antiga questão filosófica sobre a existência de uma naturezahumana inata, independente de nossas experiências e de influências externas. No centroda discussão, subjaz a veemente objeção foucaultiana à noção de justiça enquanto umprincípio inato e absoluto. Neste debate com Chomsky, Foucault afirma que a justiça éuma idéia constituída para servir como instrumento de certo poder político e econômicoou de resistência contra ele.Nosso próximo passo será uma breve análise de seu livro Vigiar e Punir, de1975, pela qual pretendemos demonstrar que o estudo foucaultiano do sistema judicialpenal europeu enfatiza a utilização da justiça em termos de lutas sociais.No capítulo Sobre a Justiça Popular, em Microfísica do Poder, Foucaultreconhece que a justiça popular é um instrumento de resistência importante e autêntico,das classes oprimidas. A pergunta central do debate é se o tribunal popular pode ser umaexpressão da justiça popular. Na resposta de Foucault a esta questão, buscamos umapossível definição para o conceito de justiça popular e a compreensão de quaiscircunstâncias políticas, econômicas e sociais ela se faz necessária.
2 DISCUSSÃO2.1 O Conceito de Justiça
Desde a antiguidade, a filosofia ocidental vem se ocupando com temasrelacionados à política e aos costumes. A questão da justiça, por exemplo, semprerecebeu de distintas correntes filosóficas um papel de destaque em seus esforços deelucidação conceitual. Aqui, no entanto, não nos interessa realizar um inventário dasdiferentes conceituações de justiça ao longo da história da filosofia, mas apenasestabelecer um parâmetro para classificar as tendências mais clássicas em duas formas
 
distintas de falar sobre justiça. Na primeira, justiça se refere ao sujeito ou ao seucomportamento em relação à norma. Na outra, a justiça é tomada como meio para umbem maior. Esta análise nos deu critérios para reduzir a amplitude do campo deinvestigação filosófica sobre a justiça nas obras de Foucault. Portanto, não foi trivial anossa escolha de desprezar toda a hermenêutica do sujeito e a analítica da relação entreverdade e poder. Subtraímos da nossa abordagem os estudos epistemológicos e asquestões sobre a justiça no âmbito da subjetividade para voltar a nossa atenção aofuncionamento da justiça enquanto instrumento de poder.De acordo com Nicola Abbagnano, justiça é “em geral, a ordem das relaçõeshumanas ou a conduta de quem se ajusta a essa ordem.”
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A partir desta definição,Abbagnano realça duas abordagens distintas, a saber: por um lado, temos o critério de julgamento da pessoa ou do seu comportamento em relação à norma e, por outro, ocritério de julgamento da norma que regula o comportamento das pessoas. No primeirocaso, o foco é a pessoa ou o seu comportamento, no segundo, temos a própria normacomo dado a ser avaliado quanto à sua eficácia, ou seja, “sua capacidade de possibilitaras relações humanas.”
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 Sob este ponto de vista da justiça como condição de possibilidades para segarantir um fim benéfico ao homem e às relações entre os homens (a convivência, afelicidade, a utilidade, a liberdade ou a paz) se desenvolveram diferentes correntesconsideradas clássicas na história da filosofia ocidental. A novidade, em Michel Foucault,é que ele toma a justiça como instrumento de poder, sob a ótica das lutas sociais. Essa éa abordagem que agora passamos a analisar.
2.2 O Intelectual e a Microfísica do Poder
Sob a perspectiva do compromisso político de Foucault reside uma possibilidadede compreensão da palestra proferida por ele em sua aula inaugural no Collège deFrance, em 1970, intitulada “A ordem do discurso”. Apenas um ano após assumir aprestigiosa cadeira que antes pertencia ao já falecido Jean Hyppolite, Foucault participoude um debate com Noam Chomsky, Human Nature: Justice versus Power (NaturezaHumana: Justiça versus Poder), facilitado pelo filósofo holandês Fons Elders. Quandoquestionado por Elders acerca do seu interesse pela política, Foucault responde que “aessência de nossas vidas consiste, afinal, no funcionamento político da sociedade na qual
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ABBAGNANO, N.
Dicionário de Filosofia 
. 1ª edição brasileira. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
 
2
 
Idem.
 

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