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O Maslow Desconhecido: uma revisão de seus principais trabalhos sobre motivação.

O Maslow Desconhecido: uma revisão de seus principais trabalhos sobre motivação.

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Published by albertofilgueiras
SAMPAIO, J. R. (2009). O Maslow Desconhecido: uma revisão de seus principais trabalhos sobre motivação. Revista de Administração, 44(1): 5-16.
SAMPAIO, J. R. (2009). O Maslow Desconhecido: uma revisão de seus principais trabalhos sobre motivação. Revista de Administração, 44(1): 5-16.

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04/09/2013

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R.Adm., São Paulo, v.
44
, n.1, p.5-16, jan./fev./mar. 20095
   R   E   S   U   M   O
Neste artigo, realizou-se uma revisão da obra de Abraham Maslowcom o objetivo de identificar a trajetória e as principais modifica-ções e aplicações desenvolvidas por esse autor em sua teoria demotivação humana. Constatou-se que, ao contrário da concepçãomecanicista e reducionista feita por muitos de seus comentaristas,Maslow desenvolveu uma proposta teórica de base multidisciplinar,fundamentada em muitas estratégias de pesquisa e que foi sendoreformulada por toda a sua obra. Ele sustentou durante toda a suavida a teoria da preponderância das necessidades, mas relativizousuas propostas originais com a noção de gratificação parcial e coma aceitação das possíveis diferenças culturais. Maslow propôs umduplo mecanismo para as motivações, distinguindo a dinâmica dasmotivações por deficiência das motivações para o crescimento emuma fase posterior de seus trabalhos. Ao contrário do que possaparecer, o autor norte-americano via com reservas a aplicação desua teoria ao mundo do trabalho e não entendia a motivação dostrabalhadores como suficiente para o sucesso das organizações.Ele defendia que as pessoas poderiam querer realizar-se em outrosespaços sociais que não apenas o trabalho. Neste estudo, faz-seuma análise crítica das propostas e contribuições de Maslow aoestudo da motivação para o trabalho.
Palavras-chave 
:
motivação, necessidades, administração de recursoshumanos.
1. INTRODUÇÃO
Um dos autores mais citados e criticados por estudiosos do comportamen-to organizacional, no capítulo do estudo da motivação, é o norte-americanoAbraham Maslow. Entretanto, a leitura um pouco mais cuidadosa de sua obramostra o quanto esses estudiosos reduziram e descaracterizaram seu pensa-mento.Maslow, psicólogo formado na Universidade de Wisconsin, tinha por dire-triz de trabalho uma tentativa de síntese das ênfases dinâmica, holística e cul-
O Maslow desconhecido: uma revisão de seus principais trabalhos sobre motivação 
Jáder dos Reis Sampaio 
Jáder dos Reis Sampaio 
, Psicólogo pelaUniversidade Federal de Minas Gerais, Especialistaem Psicologia do Trabalho pela Universidade deBrasília, Mestre em Administração pelaUniversidade Federal de Minas Gerais, Doutor emAdministração pela Faculdade de Economia,Administração e Contabilidade da Universidade deSão Paulo, é Professor Adjunto do Departamento dePsicologia da Universidade Federal de Minas Gerais(CEP 31270-901 — Belo Horizonte/MG, Brasil).E-mail: jader@fafich.ufmg.brEndereço:Universidade Federal de Minas GeraisDepartamento de PsicologiaAvenida Antônio Carlos, 662731270-901 — Belo Horizonte — MGRecebido em 26/julho/2005Aprovado em 06/fevereiro/2009Sistema de Avaliação:
Double Blind Review 
Editor Científico: Nicolau Reinhard
 
6R.Adm., São Paulo, v.
44
, n.1, p.5-16, jan./fev./mar. 2009
Jáder dos Reis Sampaio 
tural. Essa pretensão deve-se às muitas e ilustres influênciasque recebeu durante sua trajetória: estudou
Gestalt 
em NewYork, Psicanálise com Kardiner, Erich Fromm e Karen Horneye Antropologia com Ruth Benedict, Margareth Mead e RalphLinton. Foi assistente de Thorndike e, como todo psicólogode sua época, teve sua formação marcada pela Escola Behavio-rista, da qual se tornou crítico. Sofreu, também, influênciasdos pensamentos de Gordon Allport, Murray e Carl Rogers.Como se pode ver, trata-se de um autor que passou pelas cha-madas grandes escolas da Psicologia (Escola Comportamen-tal, Psicanálise e Humanismo) e pelas contribuições norte-ame-ricanas à Antropologia.Diferentemente do que se pensa, seus estudos sobre moti-vação humana tinham em vista o desenvolvimento de uma teo-ria que pudesse servir de base para a compreensão do homeminserido na sociedade, e não se aplica facilmente quando re-duzida ao aspecto da vida laboral.Neste artigo, tem-se por objetivo recuperar a trajetória dateoria de motivação nas principais publicações de Maslow so-bre o tema como uma forma de contraposição à imagem me-canicista e determinista imposta nos principais manuais queapresentam esse autor. Justifica-se tal propósito pela dissemi-nação das ideias de Maslow em diversos campos da Adminis-tração contemporânea e pelo emprego de suas supostas for-mulações no subsídio de políticas de gestão.
2.A VISÃO DE CIÊNCIA E DE HOMEM,SEGUNDO MASLOW
Maslow criticou a análise do homem quando se acha redu-zida a apenas uma de suas dimensões, como o organismo, oinconsciente, o comportamento ou os papéis sociais. Ele de-nomina esse tipo de análise com o termo “atomismo metodo-lógico” (MASLOW, 1954, p.23) e a ele opõe seu método depesquisa e análise que denomina como “holístico dinâmico”.Segundo Maslow (1954, p.22):“Nós sabemos que o dado fundamental da Psicologia não éuma contração muscular, nem um reflexo, nem uma sensaçãoelementar, nem um neurônio, nem mesmo uma partículaobservável do comportamento visível. É uma unidade muitomaior, e mais e mais psicólogos pensam que é no mínimotão amplo como uma unidade de ajustamento ou ato de adap-tação, que necessariamente envolve um organismo, uma si-tuação e um objetivo ou propósito”.Esse ponto de vista holístico-dinâmico pode ser entendidoa partir do contraponto que o autor fez entre as característicasde seu método e as dos métodos que critica, como consta noquadro a seguir.Essa posição metodológica fica mais clara quando se lê adescrição que Maslow (1954, p.25) fez dos procedimentos deuma pesquisa sobre autoestima, relacionada ao entendimentoda personalidade:“Portanto, antes que qualquer questão fosse feita especifi-camente a um sujeito, foram feitas explorações sobre as re-lações do sujeito com sua família, o tipo de subcultura emque vive, seu estilo geral de ajustamento aos principais pro-blemas de sua vida, o estilo geral de seus ideais, suas frus-trações e seus conflitos. Este procedimento continuava atéque o escritor sentia que ele compreendia o sujeito tão bemquanto possível com as técnicas simples que estavam sendoutilizadas”.Nesse trabalho, Maslow (1954, p.32) propõe que se aban-done a terminologia da causalidade, que ele considera proble-mática devido a seu mecanicismo, e adota o termo síndromepara descrever:“[...] um complexo estruturado, organizado, de especifici-dades aparentemente diversas (comportamentos, pensamen-tos, impulsos para a ação, percepções, etc.) [...] que possuemuma unidade comum e podem ser nomeados de forma varia-da [...]”.Aqui se vê a tentativa de empreender uma abordagem com-preensiva para o entendimento do homem. Os estudos sobrePsicanálise e Antropologia Cultural deixaram marcas no tra-balho desse autor, que percebeu, com clareza, que um deter-minado comportamento pode ter diversos significados subje-tivos e que os modelos puramente biológicos são frágeis paraentender o homem em sua complexidade. Uma pessoa queapresenta o comportamento de frequentar regularmente umgrupo religioso, por exemplo, poderia fazê-lo por razões va-riadas, como “para evitar o isolamento social”, “para agradarà mãe”, “para empregar a religião como instrumento de do-minação sobre outras pessoas”, “para sentir-se membro de umgrupo superior” ou por entender que é bom “para as massasignorantes” e que deve desempenhar seu papel.Com esse tipo de posição teórico-metodológica, Maslowabandona a eleição do comportamento humano como unidadede análise, exige do fatorialismo uma interlocução com os su- jeitos de pesquisa e articula o entendimento da pessoa a seuentorno social, para fugir do individualismo e, ao mesmo tem-po, dos reducionismos sociológicos, que se furtam à compre-
Comparação Feita por Maslow entre Métodos de Pesquisa 
todo Hostico-Dimico todos Emricos
HolísticoAtomísticoFuncionalTaxonômicoDinâmicoEstáticoDinâmicoCausalPropositalMecânico-simples
Fonte:
Maslow (1954, p.27).
 
R.Adm., São Paulo, v.
44
, n.1, p.5-16, jan./fev./mar. 20097
O MASLOW DESCONHECIDO: UMA REVISÃO DE SEUS PRINCIPAIS TRABALHOS SOBRE MOTIVAÇÃO 
ensão do indivíduo, fazendo análises generalizantes a partirde rótulos de pertença a grupos sociais.Maslow apoia-se, portanto, em uma visão de homem ra-cional, mas às voltas com seus impulsos e desejos; dotado decorporalidade, não circunscrito, todavia, a ela; possuidor deuma vida interior, que não pode ser reduzida à mera manifes-tação da cultura ou da sociedade e que não se acha descoladadelas; em interação interpessoal, mas também com elementoscoletivos, é um “todo integrado e organizado” e capaz de es-colhas e de criação de significado para a realidade. Esse autoré, entretanto, bastante influenciado pela visão organísmica dehomem, na medida em que tenta mostrar qual é o impacto dagratificação das necessidades em ideias, atitudes, interesses,valores e crenças que defende, dando certo destaque a esseconstruto.A maioria dos autores de comportamento organizacional(por exemplo: ROBBINS, 1999; BOWDITCH e BUONO,1992), talvez na tentativa de tornar didático seu texto, simpli-fica ou reduz a teoria de Maslow a uma suposta pirâmide dahierarquia das necessidades. Por reducionismo entende-se aquinão o reducionismo metodológico (OLIVEIRA FILHO, 1995),mas o reducionismo teórico, no qual se decompõe um fenô-meno complexo em partes simples e passa-se a valorizar maisa interação dessas partes do que o próprio fenômeno.
3. O CONCEITO DE MOTIVAÇÃO
O mais citado trabalho de Maslow sobre motivação foipublicado em 1943, com o título “Uma teoria da motivaçãohumana”. Nesse trabalho, Maslow apresenta proposições fun-damentais para a teoria da motivação, o que é ampliado napublicação de 1954. Essas proposições parecem ser um diálo-go com a Psicanálise e a Psicologia Comportamental de suaépoca e têm papel de postulados
(1)
em sua construção teórica.A partir de algumas delas, pretende-se apresentar o conceitode motivação e suas singularidades.Para Maslow (1943; 1954, p.63), o indivíduo é um todo inte-grado e organizado. Por consequência, não se pode falar damotivação de um órgão (a boca, o estômago ou a genitália),mas apenas da motivação da pessoa como um todo. Comessa afirmação, Maslow afasta seu conceito de motivaçãodo conceito de pulsão freudiano. Murrell (1977, p.80) ana-lisou o contraponto com a teoria psicanalítica:-“A contribuição de Maslow foi ignorar a dicotomia e or-denar as necessidades numa hierarquia de prepotência,colocando as necessidades biológicas como aquelas quetinham de ser satisfeitas primeiro, antes de quaisquer outrasnecessidades mais elevadas poderem receber qualquer aten-ção”.Maslow não diferencia os motivos biológicos dos motivosculturais. Em sua época, alguns cientistas do comportamentoconsideravam os últimos como secundários (novamente,Maslow distingue-se de Freud), mas ele considera essa po-sição um resquício da visão materialista do homem e da visãoempirista de ciência. Segundo Maslow (1954, p.63):-“O típico impulso, ou necessidade ou desejo, não está eprovavelmente nunca estará associado a uma base somáti-ca específica, isolada. [...] Considerando todas as evidên-cias que temos em mãos, é muito pouco provável que com-preendamos totalmente o desejo de amar, não importa oquanto saibamos sobre o impulso da fome”.Qual é a implicação prática desse postulado? Em vez detentar interpretar as escolhas conscientes (desejos) a partirdas pulsões de vida e de morte, Maslow propõe a existênciade motivos já relacionados a finalidades encontradas na cul-tura (necessidades). “Em outras palavras, portanto, o estu-do da motivação deve ser, em parte, o estudo dos objetivosúltimos ou desejos ou necessidades humanas” (MASLOW,1954, p.66).Ao estabelecer o conceito de necessidades, Maslow fica emuma posição delicada. Se as necessidades são relacionadasà cultura, ou seja, o ser humano pode desejar inúmeros obje-tos, como um carro, uma casa, uma companheira etc., comoevitar uma lista infindável de motivos, como as que haviamsido feitas no século XIX para o conceito de instinto?MASLOW (1943
(2)
) aponta o que ele considera serem asnecessidades básicas:-“Há várias trajetórias culturais para um mesmo objetivo.Portanto, os desejos conscientes, específicos, locais e cul-turais não são tão importantes na teoria da motivação quan-to os objetivos mais básicos e inconscientes”.Além de relacionar as necessidades básicas, o que será apre-sentado posteriormente, falta à teoria de Maslow explicaruma dinâmica dessas necessidades. Como elas funcionam?Em uma primeira formulação, ele utiliza a gratificação dasnecessidades para organizá-las em uma hierarquia de pre-ponderância. Ao adotar a gratificação como critério, Maslow(1954, p.84) afasta-se da teoria de privação do comporta-mentalismo clássico:-“[...] a gratificação se torna um conceito tão importantecomo a privação na teoria da motivação, porque ela livra oorganismo da dominação de uma necessidade mais fisio-lógica, permitindo então a emergência de outros objetivosmais sociais”.A dinâmica da gratificação e a identificação de uma segundadinâmica para certas necessidades serão discutidas adiante.Uma vez propostas as necessidades básicas e um mecanismogeral de interação entre elas, Maslow (1943
(3)
) limitou opapel da motivação na explicação do comportamento:

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