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Jaqueline Navin - Veneno da Traição

Jaqueline Navin - Veneno da Traição

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Cornualha, InglaterraFevereiro de 1197
Em meio à semi-escuridão do anoitecer, Lily encontrava-sesentada, completamente imóvel, mantendo as costas eretas e asmãos cruzadas sobre as coxas. Olhava fixamente para o vazioformado pelas sombras que tomavam conta do quarto, cega paratudo o que o mundo tinha a oferecer.O sofrimento a envolvia, como o abraço de um velho amigo,apesar da ausência dè lágrimas e das feições controladas.No dia seguinte; ela se casaria com um homem que viraapenas uma vez. Era um homem bom, de sorriso gentil, a quem ela jamais poderia amar, pois todo o seu amor havia morrido.E Lily ainda não compreendia como, ou por que, sua felicidadehavia se desfeito em cinzas. Nem sequer, sabia. se fora ela mesmaa culpada, mas o remorso devorava-lhe a alma, torturando o seucoração partid6.O homem que Lily amava morrera, levando consigo todos ossonhos dela...PRÓLOGO
Cornualha, Inglaterra Julho de 1196
- MeuDeus! Veja isso! — Andrew dirigiu-se ao irmão.Rogan St. Cyr fixou os olhos no horizonte.Situado sobre um penhasco; o castelo Charolais parecia umasentinela, mantendo guarda sobre o mar agitado. Assim como seuvizinho infame, Tintagel, era construído de pedras cinzas e frias,exibindo estilo espartano, embora não grotesco. Na verdade, aaparência impressionante devia-se mais aos elementos selvagensque o cercavam: o mar revolto, o céu carregado de nuvens, acharnéca que se estendia até onde a vista podia alcançar.Rogan sentiu um calafrio, Nem se lembrava da última vez em queficara nervoso. Era verdade que uma certa ansiedade o envolvia,antes de uma batalha, mas não estava habituado áo medo.Pela centésima vez, refletiu que não era o homem certo paracumprir a tarefa que lhe fora designada. Não possuía habilidadesdiplomáticas, nem era adepto de sutilezas e falsos elogios. Noentanto, era um homem honrado e, por isso, fora até ali.— Juro que estou com medo — Andrew resmungou, quando seaproximavam.
 
Rogan não respondeu. Parecia totalmente à vontade, mas osolhos treinados percebiam cada detalhe, quando cruzaram osportões de Charolais. Diante do silêncio prolongado de Rogan,Andrew comentou:-Sei que esta missão pesa em seus ombros.- Nem mesmo você poderia imaginar a intensidade dessepeso, meu irmão — Rogan finalmente falou.Uma vez dentro dos muros, a visão do castelo fazia lembrarum túmulo gigantesco. Tal pensamento provocou outro calafrioem Rogan.Quando desmontaram, ele se irritou ao perceber que Andrewcontinuava a estudá-lo.- Por que diabos me olha dessa maneira? — inquiriu- É pecado praguejar—Andrew lembrou-o com um sorriso.Rogan fitou-o, surpreso. O irmão mais novo raramente levavaalguma coisa a sério, inclusive os pecados, apesar de ser um padre.Depois de entregar as rédeas de seu cavalo para um de seushomens, Rogan ordenou: _ Garven, espere aqui fora, junto aos outros, Andrew, venhacomigo.Um criado os recebeu, diante da porta maciça. Quando Roganse identificou, o homem arregalou os olhos e desapareceu dentro docastelo. Os dois irmãos entraram no grande salão.As inúmeras janelas encontravam-se fechadas, contra ocalor da tarde. Tapeçarias belíssimas, ilustrando cenasde batalhas,cobriam as paredes, testemunhando o trabalho cuidadoso dasmulheres pertencentes a várias gerações dos Marshand._ É rico — Rogan concluiu, falando em voz baixaa. não terádificuldade em formar um exército.-Estamos aqui para garantir que isso não seja necessário.Andrew replicou. - Se for preciso, ficaremos de joelhos eoferecemos frases bonitas, a fim de restituir-lhe o orgulho. Assim,ele nos perdoará. Embora eu ainda ache Alexander deveria estaraqui para se desculpar.— Ora, o idiota poria tudo a perder, recitando poemas sobre o amor!— Rogan discordou.O
mais
novo sorriu.-Você parece não acreditar no
amor.
— Não.
 
— Bem, não posso dizer se acredito ou não, pois nuncaaconteceu comigo e, provavelmente, jamais acontecerá. Fiz voto decastidade e, apesar de ser um tanto relapso com as minhas outrasobrigações, jamais seria capaz de quebrar um juramento. Mesmoassim, sou obrigado a admitir que nosso temível irmão parecedefinitivamente apaixonado pela filha do mercador.—Não confunda luxúria com amor, Andrew — Rogan corrigiu-o. — A julgar pelo tempo que os dois passam no quarto, eu diria quetal união é menos fundada nas razões do coração, do que emimpulsos bem mais primitivos. — Olhou em volta,estudando oscavaleiros que jogavam xadrez e bebiam hidromel. — Alexanderperdeu a objetividade e, por isso, a honra de nossa família está em jogo.— Concordo, mas é sempre você quem a defende.Era verdade. Embora Alexander fosse o primogênito ehouvesse herdado o ducado e suas vastas propriedades, era Rogan,o segundo filho, quem arcava com as responsabilidades. Imaginaraque os quatro anos de ausência, quando lutara na Terra Santa,encorajariam Alexander a aceitar os aspectos mais sérios de suaherança. Infelizmente, o irmão arrogante e teimoso não aprenderanada sobre tato, Ou autodisciplina. Agora, menos de um ano após oretorno de Rogan, Alex cometera o maior erro de sua vida.- Onde está Marshand? — Rogan perguntou, impaciente. Comoem resposta, ouviu-se uma exclamação entusiasmada do anfitrião.Rogan virou-se e deparou com Enguer‘i nd Marshand, que seaproximava. Era um homem calvo, de baixa estatura e proporçõesestranhas. As pernas finas pareciam mal suportar o peso do abdomerotundo. Ele sorria satisfeito, até seus olhos focalizarem as feiçõesde Rogan. Então, franziu o cenho e inquiriu:-Onde está o duque?Imediatamente, Rogan antipatizou com o homenzinhoarrogante.-Sou Rogan St. Cyr, irmão de Alexander. Este é nosso irmãomais novo, padre Andrew. -Enguerrand nem sequer olhou para Andrew. --Quando avistei a bandeira dos St. Cyr, imaginei que o duque- estivesse chegando.-Padre? — indagou uma voz aguda.Rogan não havia notado a presença da mulher, pouco atrásde Enguerrand. Alta e esbelta, de pele e cabelos claros, de traçossimétricos, era uma beldade. Sem dúvida, tratava-se de Catherine, a

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