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Estrutura de Propriedade das Agências de Notícias: do modelo clássico ao flexível

Estrutura de Propriedade das Agências de Notícias: do modelo clássico ao flexível

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Published by Pedro Aguiar
Artigo para a III Encontro ULEPICC-BR, Aracaju 2010 GT3 – Indústrias Midiáticas. Autores: Ana Tereza Condé Pereira Lehmann (University of Liverpool); Pedro Aguiar (PEIC-ECO/UFRJ)

palavras-chave: Economia Política da Comunicação; Jornalismo Internacional; Agências de Notícias; Administração dos Meios de Comunicação.
Artigo para a III Encontro ULEPICC-BR, Aracaju 2010 GT3 – Indústrias Midiáticas. Autores: Ana Tereza Condé Pereira Lehmann (University of Liverpool); Pedro Aguiar (PEIC-ECO/UFRJ)

palavras-chave: Economia Política da Comunicação; Jornalismo Internacional; Agências de Notícias; Administração dos Meios de Comunicação.

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III ENCONTRO ULEPICC-Br
Título do trabalho: Estrutura de Propriedade das Agências de Notícias: do modelo clássico ao flexível
GT: GT3 – Indústrias Midiáticas
Autores: Ana Tereza Condé Pereira Lehmann (University of Liverpool); Pedro Aguiar (PEIC-ECO/UFRJ)
E-mails: <pedroaguiar@ufrj.br> e <anatcpereira@yahoo.com>

resumo:

O presente artigo propõe um estudo da mudança paradigmática na estrutura de propriedade das
agências de notícias transnacionais, como setor econômico da comunicação, por meio de uma
abordagem comparativa entre dois modelos hegemônicos – o clássico e o presente – à luz do
processo contínuo de globalização do capital. A primeira parte identifica e caracteriza o modelo
“clássico” de propriedade das agências euro-americanas nascidas no século XIX (privadas, em
estreita associação com o Estado e adotantes de sistema produtivo fordista) tal como descrito por
Boyd-Barrett (1980; 2006), Thussu (2000) e Shrivastava (2007). A segunda parte examina as
funções atualmente exercidas pelas agências internacionais de notícias como parte das
mudanças nas políticas econômicas dos meios de comunicação. É utilizado o Modelo de Firma
Flexível (Atkinson, 1984), com base nos conceitos de produção em massa desenvolvidos pelo
taylorismo e pelo fordismo, dando ênfase às mudanças ocorridas na área de recursos humanos,
ao advento do pós-fordismo, a à introdução de novas tecnologias e à desenvolvimento do
mercado global. Entre os quatro tipos de flexibilidades identificados - flexibilidade numérica,
funcional, distanciada e de pagamentos (Beardwell e Holden, 2001) - a Estratégia de Flexibilidade
Distanciada é a utilizada neste artigo para identificar as mudanças ocorridas nas políticas dos
meios de comunicação e conseqüentemente do aumento da demanda por parte desses meios
pela cobertura feita pelas agências internacionais de notícia.

palavras-chave: Economia Política da Comunicação; Jornalismo Internacional; Agências de Notícias;
Administração dos Meios de Comunicação.

Estudos no campo da Comunicação que têm como objeto empírico as agências de notícias, além de serem ainda em número diminuto no Brasil, costumam privilegiar abordagens comparativas ou concentradas na relação destas com os veículos de mídia impressa, muitas vezes construindo uma hierarquização sistêmica que as coloca como subprodutos de um negócio focado no jornal diário. Tal particularidade é compreensível em um país cujas agências foram predominantemente constituídas por conglomerados empresariais de mídia, derivando aquelas como serviços de venda ou revenda de conteúdo originado de seus próprios jornais (caso da Meridional, dos Diários Associados; Agência Estado, do grupo OESP; Agência JB, do Jornal do Brasil; Folhapress, do Grupo Folha; Agência O Globo, das Organizações Globo, entre outras).

Entretanto, a estrutura de propriedade das agências da forma como se constituiu majoritária no mundo é radicalmente diferente do modelo brasileiro, e sua evolução em empresas autônomas, quase sempre independentes da mídia impressa, pouco ou nada têm a ver com os exemplos nacionais tomados como estudo de caso. As agências de notícias se constituíram como empresas nacionais, à parte de conglomerados, fossem privadas (modelo europeu), cooperativadas entre jornais (norte-americano) ou estatais (terceiro-mundista; afro-asiático e latino-americano), até se converterem – ao longo do processo contínuo de globalização do capital – em empresas transnacionais, nos casos europeus e norte-americanos. Aos poucos, por meio de1

fusões, intercruzamentos e reestruturações internas, tornaram-se corporações tão indistintas do
sistema capitalista pós-industrial quanto as de outros setores nada relacionados à comunicação.

Esta transformação estrutural teve conseqüências significativas na forma como se dão as articulações entre a comunicação, o capital e o Estado, ao mesmo tempo em que continuou sem atender às demandas políticas e sociais por uma reordenação dos sistemas internacionais de informação. Esboçar um quadro de análise para melhor compreendê-la é o propósito modesto deste artigo.

1. Constituição e estrutura do modelo clássico

As primeiras agências de notícias do mundo foram fundadas entre as décadas de 1830 e 1850 na Europa Ocidental (França, Prússia e Reino Unido) e nos Estados Unidos que, como assinala Boyd-Barrett (1980: 23-24), eram precisamente os dois núcleos de industrialização mais avançada e onde a burguesia superara entraves políticos (como o absolutismo), por vezes violentamente (Revolução de Cromwell, Revolução Francesa, Guerra de Independência dos EUA) para se firmar como classe hegemônica.

Especialmente importante foi o fato de que, nestes países, Reino Unido, França e
acima de todos os Estados Unidos, a imprensa floresceu em condições que, em
comparação com a maior parte dos países, inclusive europeus, eram
extremamente favoráveis. À imprensa ali era permitido atender a mercados de
massa, relativamente desinibida por restrições políticas, e, com suas amplas
circulações, atraíam anunciantes.1

O passo inicial desta empreitada é a compra, pelo empresário franco-húngaro Charles- Louis Havas (ex-agente financeiro de Napoleão Bonaparte), da Casa de Correspondências Garnier, em 1832. O escritório se dedicava a traduzir boletins comerciais e jornais estrangeiros e remetê-los a clientes (bancos, casas de câmbio, outras casas comerciais) interessados sobretudo em finanças, as nascentes bolsas, cotações de moedas e mercadorias.

Ao perceber que a mesma estrutura operacional e pessoal (isto é, a rede de tradutores e os informantes baseados em outros países que remetiam suas informações por correspondência postal – daí denominados “correspondentes”) para prestar também um serviço que incluísse a divulgação de notícias gerais, políticas e sociais, Havas converteu a “casa de correspondências” em Agência de Folhas Políticas e Correspondência Geral (Agence de Feuilles Politiques et

Correspondance Générale), mais tarde rebatizada com o nome do fundador – Agência Havas.

Entre os colaboradores que Havas contrata (grande parte dos quais é estrangeira, devido à necessidade do trabalho de tradução), dois funcionários de língua alemã – e, assim como ele, também judeus – deixariam a empresa pouco depois da Revolução de 1848 e reproduziriam o negócio da tradução e distribuição de notícias em outros núcleos do capitalismo europeu. O prussiano Bernhard Wolff fundou em Berlim a Agência Wolff (Wolff’sche Telegraphische Bureau, depois chamada de

1 BOYD-BARRETT, 1980: pp.23-24.
2
Continental Telegraphen) em 1849; e o hessiano Paul Julius Reuter (nascido Israel Bere Josafat) foi
para Londres, onde fundou a Reuters (Mr. Reuter’s Cabled Messages), em 1851.

Em comum, as três pioneiras européias tinham a natureza jurídico-corporativa de empresa privada, de sociedade limitada e propriedade familiar (o filho de Havas sucederia o pai no comando da agência), com funcionários próprios contratados em base permanente e custos de operação assumidos integralmente. Cada uma destas três agências de notícias era, em seu momento inicial, uma corporação una e autônoma, tendo seus proprietários diferenciados de seus clientes.

Já não era este o caso da quarta empresa congênere, formada do outro lado do Atlântico, entre 1846 e 18482. A Associated Press nasceu não da iniciativa individual de um “empreendedor” único, mas da colaboração entre seis jornais diários de Nova York para recuperar notícias de embarcações aguardando em quarentena antes que atracassem no porto de Manhattan (BLONDHEIM, 1994: 62-65). Também a demanda por economizar na utilização das incipientes linhas de telégrafo, necessária para transmitir as notícias recolhidas no porto até as redações, foi outro fator que motivou a formação dopool nova-iorquino. O telégrafo tinha pouco mais de 10 anos de existência e sua instalação como serviço público ainda era precária, mas sua utilidade para a imprensa não demorou a ser notada. Não por acaso, entre os jornais fundadores da AP estava o The Journal of Commerce, de Samuel Morse.

Quadro I. Agências-fundadoras do cartel (com data de adesão)
Nome
País
Fundador
Criação Natureza
Adesão
Havas
França
Charles Havas
1835
soc. limitada
1859
Associated Press EUA
seis jornais de NY 1846
cooperativa
1893
Wolff
Prússia Bernhard Wolff
1849
soc. limitada
1859
Reuters
R. Unido Paul Julius Reuter 1851
soc. limitada
1859
fonte: UNESCO, 1953.

Porém, tanto no caso das três européias quanto no da Associated Press, a natureza da propriedade (Quadro I) não descaracterizava os demais aspectos em comum, que incluíam entre seus principais a estreita aliança com o Estado e com empresas dos setores de infraestrutura de telecomunicações – que, na época, se resumia ao telégrafo. Por exemplo, a associação entre Bernhard Wolff e Werner Siemens (fundador da Siemens, em 1847) permitiu ao primeiro tirar “proveitosas vantagens do uso de canais telegráficos” (SALINAS, 1984; 35). Já o crescimento meteórico da AP se deu em estreita parceria comercial com a Western Union – operadora telegráfica que viria a alcançar monopólio do sistema no século XIX –, com quem mantinha

2 A data tradicionalmente atribuída para a fundação da entidade que seria o embrião da AP, em Boyd-Barrett (1980;

131) Smith (1980; 80), Shrivastava (2007; 6), Salinas (1984; 34) e outros autores, é maio de 1848, ocasião da reunião
na sede do New York Sun em que a New York Associated Press foi formalizada. Entretanto, em 2005, a própria AP
divulgou que adquiriu documentos dos seus jornais fundadores cujo conteúdo indicava que, na verdade, a entidade
havia sido fundada dois anos antes, em maio de 1846, no início da Guerra dos EUA contra o México, quando já havia
dois anos de incipientes linhas de telégrafo.

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