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EDITORIAL
O Colectivo Luta Social apresenta-vos o segundo «Caderno Luta Social».O tema central escolhido é o Estado, essa construção complexa e sujeita àsevoluções mais variadas, apenas conservando como referencial imutável amanutenção do poder nas mãos de alguns.Podemos questionar-nos acerca da realidade e viabilidade de Estados -«nações», de construções pluri-étnicas ou pluri-nacionais, ou ainda deentidades supranacionais e de potências regionais, enquanto estruturaçõesnormativas da vida dos povos.Podemos fazer a crítica da visão ideológica do Estado como garante daredistribuição das riquezas. O Estado Providência, ainda invocado nosdiscursos, transformou-se paulatinamente no Estado Mínimo, destinado aconter a revolta dos segmentos populacionais desinteressantes do ponto devista do capital – os reformados, os desempregados, os estudantes, os pobresem geral.Podemos analisar os casos particulares das transformações ocorridas naSaúde e na Educação…. Ou como a Segurança social se transformou numinstrumento de pressão para que o trabalhador desempregado aceite adesqualificação de um emprego qualquer, sob chantagem… Ou ainda como aspensões de reforma se foram rapidamente reduzindo, a pretexto da falácia doaumento da esperança de vida e da redução da natalidade.Qual o papel das forças armadas e de segurança em geral no contexto actualda fusão de ambas as suas funções, num panorama esquizofrénico em tornoda ameaça terrorista e da criminalidade?Quais as novas formas de que se vem revestindo a ligação entre o capital e oaparelho de Estado, com os mecanismos de ‘contratualização’, privatização,parcerias público / privadas, adjudicação de serviços, etc.?Qual o papel do Estado na formação da ideologia dominante, do consumismo,da teologia de mercado, da sacralização da concorrência, da atomização doindivíduo enquanto trabalhador e sua agregação enquanto massa deconsumidores?Finalmente, encaramos também com particular interesse, estudos de formas deorganização da humanidade que apontem para a dispensabilidade dessaconstrução chamada Estado, mormente na sua forma capitalista de hoje.O estudo de alternativas organizativas para a produção e para a gestão dasociedade constituem formas de afirmação do pensamento libertário junto dosleitores dos Cadernos, em clara confrontação com as várias apresentações deum papel supostamente insubstituível do Estado, nomeadamente provenientesde quem admite uma sua mudança regeneradora.Para esta publicação reflectir a actualidade e diversidade do pensamentolibertário, estamos abertos a diversos ângulos sob os quais se podem encararAs questões teóricas e práticas relacionadas com o Estado.Quaisquer sugestões, críticas ou colaborações deverão ser encaminhadaspara:iniciativalutasocial@mail.com Um abraço solidário do Colectivo Luta Social
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