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Efeitos_Psicolo¦ügicos_Despertar_Dia¦ürio

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Efeitos Psicológicos do Despertar Diário

Recentemente, vários estudos têm focado na redução ou suspensão da sedação como modo de melhorar o prognóstico dos pacientes ao curto prazo, reduzindo o tempo de ventilação mecânica, de internação da UTI e de complicações infecciosas (2-4). No entanto, há um receio de que níveis mais superficiais de sedação associem-se a uma maior incidência de problemas psicológicos posteriormente. Embora já haja literatura que mostre que tal receio é infundado (5-6),no
Efeitos Psicológicos do Despertar Diário

Recentemente, vários estudos têm focado na redução ou suspensão da sedação como modo de melhorar o prognóstico dos pacientes ao curto prazo, reduzindo o tempo de ventilação mecânica, de internação da UTI e de complicações infecciosas (2-4). No entanto, há um receio de que níveis mais superficiais de sedação associem-se a uma maior incidência de problemas psicológicos posteriormente. Embora já haja literatura que mostre que tal receio é infundado (5-6),no

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Efeitos Psicológicos do Despertar Diário
Recentemente, vários estudos têm focado na redução ou suspensão dasedação como modo de melhorar o prognóstico dos pacientes ao curto prazo,reduzindo o tempo de ventilação mecânica, de internação da UTI e decomplicações infecciosas (2-4). No entanto, há um receio de que níveis maissuperficiais de sedação associem-se a uma maior incidência de problemaspsicológicos posteriormente. Embora já haja literatura que mostre que tal receioé infundado (5-6),novos estudos que explorem esse assunto são bem-vindos,como é o caso deste aqui.Este estudo é uma subanálise do ABC Trial que foi definida a priori. Emlinhas gerais, este estudo comparou uma estratégia de sedação quecontemplava o despertar diário associado a um teste de respiração espontâneaassim que o paciente preenchesse critérios para este com uma abordagemusual da sedação e um teste de respiração espontânea quando possível.Foram incluídos pacientes com mais de 18 anos e que estivessem há mais de12h sob ventilação mecânica. Foram excluídos pacientes pós-PCR, terminais,com comprometimento neurológico extenso e no pós-operatório de cirurgiacardíaca ou neurocirurgia.Os autores avaliaram os sobreviventes do estudo em um dos centrosparticipantes após 3 e 6 meses. Nas duas oportunidades um neuropsicólogoaplicou questionários validados para avaliar a cognição, o estado psicológico ea funcionalidade dos pacientes.Um total de 76 pacientes (43 no grupo intervenção e 32 no grupocontrole) foi avaliado em 3 meses e 63 (37 e 26, respectivamente) em 12meses. Um déficit cognitivo leve/moderado prévio existia em 10% dospacientes. Dezessete e 21% dos pacientes tinham algum grau decomprometimento das atividades de vida diária nos grupos intervenção econtrole, respectivamente. Do total de pacientes, 88 e 83% eramindependentes funcionais.Comprometimento cognitivo estava presente em 70 e 91% dos pacientesem 3 meses nos grupos intervenção e controle, respectivamente (p=0,03). Em12 meses, a prevalência foi de 72 e 70% (p=0,89). Preencheram critérios paradepressão 64 e 58% dos pacientes em 3 meses (p=0,59) e 59 e 62% em 12meses (p=0,82). Stress pós-traumático estava presente em 14 e 10% em 3meses (p=0,59) e 24 e 24% em 12 meses (p=0,97). O comprometimento dasatividades de vida diária ocorreu em 19 e 15% dos pacientes em 3 meses(p=0,36) e em 11 e 8% em 12 meses (p=0,30). Incapacidade funcional ocorreuem 8 e 10%, respectivamente (p=0,32) e em 6 e 4% em 12 meses (p=0,76). Aqualidade de vida foi considerada pior que a basal por 72 e 74% dos pacientesnos grupos intervenção e controle, respectivamente, em 3 meses (p=0,84) e
 
por 64 e 87% em 12 meses (p=0,05). Apenas 62 e 51% dos pacientes tiveramalta para casa.ComentáriosEste estudo é mais um a somar-se a literatura que mostra a segurançade estratégias que permitem níveis superficiais de sedação. Uma vez queexistem benefícios muito bem comprovados no curto prazo, o uso destasestratégias é altamente recomendado.Os problemas do estudo são aqueles comuns aos outros estudos queseguiram a mesma linha: O uso de questionários ao invés de instrumentosformais para se diagnosticar os problemas e a ausência de avaliação doquadro psicológico, cognitivo e funcional prévio dos pacientes (foi feito umquestionário apenas com familiares). Quanto ao primeiro ponto, não se devemesperar estudos que usem esses instrumentos formais, como os critérios doDSM-IV, uma vez que eles são dispendiosos e as ferramentas justamenteforam validadas contra esses instrumentos para facilitar o rastreamento dosproblemas. Quanto ao segundo, é um problema que não será facilmenteresolvido, uma vez que não sabemos quem, em uma população, será admitidoem uma UTI em algum momento da vida.No entanto, chamam a atenção alguns dados interessantes do estudo: Aalta prevalência de comprometimento cognitivo e de piora da qualidade de vidados pacientes após a alta. Estes dados já haviam sido mostrados previamente(7) e são, sem dúvida, um campo a ser explorado por intensivistas e não-intensivistas uma vez que simplesmente sobreviver à UTI ou ao hospital nãoparece mais ser um desfecho tão favorável.Referências
1.
Jackson JC, Girard TD, Gordon SM, Thompson JL, Shintani AK,Thomason JW, Pun BT, Canonico AE, Dunn JG, Bernard GR, Dittus RS,Ely EW. Long-term cognitive and psychological outcomes in theawakening and breathing controlled trial. Am J Respir Crit Care Med2010; 182(2):183-91.
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Kollef MH, Levy NT, Ahrens TS, Schaiff R, Prentice D, Sherman G. Theuse of continuous i.v. sedation is associated with prolongation of mechanical ventilation. Chest 1998; 114(2):541-548.
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Kress JP, Pohlman AS, O'Connor MF, Hall JB. Daily interruption of sedative infusions in critically ill patients undergoing mechanicalventilation. N Engl J Med 2000; 342(20):1471-1477.
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Chanques G, Jaber S, Barbotte E, Violet S, Sebbane M, Perrigault PF etal. Impact of systematic evaluation of pain and agitation in an intensivecare unit. Crit Care Med 2006; 34(6):1691-1699.

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