Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
2Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Incidência de Raios No Brasil

Incidência de Raios No Brasil

Ratings: (0)|Views: 773 |Likes:
Published by marco_piracicaba

More info:

Categories:Types, Resumes & CVs
Published by: marco_piracicaba on Aug 14, 2010
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

12/18/2010

pdf

text

original

 
Incidência de raios no Brasil gerapesquisas e inovações
Entre os dias 1º e 22 de janeiro de2009, 13 pessoas faleceram em decor-rência dos raios no Brasil, sendo que,deste total, 6 vítimas foram atingidasem praias do litoral brasileiro e uma erado Rio Grande do Sul, segundo levan-tamento do Instituto Nacional de Pes-quisas Espaciais (INPE).No dia 14 de janeiro, um homemde 33 anos morreu em Capão da Ca-noa (RS). Ele estava pescando quandoum temporal de 15 minutos atingiu acidade, não procurou abrigo e, quan-do a chuva estava quase terminando,foi atingido pela descarga elétrica. Avítima chegou a ser levada ao hos-pital, mas não resistiu. As estatísti-cas já superam as do mesmo períodode 2008, quando nove vidas foramceifadas em virtude dos raios. Noano passado, foi registrado o maiornúmero de mortes por raio no país:75. Felizmente, contudo, em territó-rio nacional, as pesquisas referentes àengenharia de proteção contra essasdescargas elétricas atmosféricas, quesão responsáveis pela morte de 67 pes-soas desde o início de 2008, de acordocom dados do INPE, estão amplamentedesenvolvidas e oferecem grande mar-gem de segurança, reduzindo cada vezmais o risco de perdas e danos.Os raios se diferenciam dos relâm-pagos por consistirem em uma descar-ga que ocorre entre uma nuvem e osolo. Eles ocorrem devido ao acúmulode cargas elétricas em regiões da at-mosfera, geralmente dentro de tempes-tades. Já o relâmpago é toda descargaelétrica que ocorre na atmosfera, in-dependentemente de atingir ou não ochão. Raios são classificados em funçãode onde iniciam (nuvem-solo, quandoprincipiam na nuvem, ou solo-nuvemquando começam na terra) e de acor-do com a carga elétrica que depositampara o solo (negativo ou positivo). Aspesquisas sobre o tema em questãopossibilitam o aprimoramento da enge-nharia de proteção, a qual versa sobretodos os aspectos do amparo contra asdescargas elétricas.Propostas de proteção contra seusefeitos foram apresentadas em meados
Por Carla Damasceno
| Jornalista
Municípios gaúchos e paulistanos lideram o ranking brasileiro de incidência de raios
   D   I   V   U   L   G   A   Ç    Ã   O 
Com uma incidência anualde cerca de 50 milhõesde raios, o Brasil é opaís onde se registra amaior ocorrência destaintensa descarga elétricano mundo. Fenômenoatmosférico que,desde a Antiguidade,assombra e arrebata ahumanidade com suaaparência que inspira,concomitantemente,sensações de temore fascinação, os raiosresultam na morte decerca de cem indivíduospor ano, atingidos por estaviolenta manifestação danatureza, e em uma sériede prejuízos materiais
    M    A    T     É    R    I    A    T     É    C    N    I    C    A
14
CONSELHO
em revista
l
n
o
54
www.crea-rs.org.br
 
de novembro, em Florianópolis (SC),transformada, entre os dias 16 e 20 denovembro, na “capital dos raios”. Nesseperíodo, a cidade sediou um dos maisrelevantes eventos internacionais nocampo das descargas atmosféricas: oscongressos
International Conference onLightning Physics and Effects
(LPE - Con-ferência Internacional sobre a Físicadas Descargas Atmosféricas e seus Efei-tos), em sua 3ª edição, e
InternationalConference on Grounding and Earthing 
(GROUND’2008 – Conferência Inter-nacional sobre Aterramento), eventosque competem perfeitamente aos inte-resses nacionais, visto que o Brasil re-gistra uma elevada ocorrência de raiospor ser o maior país da zona tropical doplaneta – a região mais quente e commais tempestades.Realizadas simultaneamente, asconferências, cujas abordagens abar-caram desde aspectos teóricos da físi-ca do fenômeno até questões práticasde engenharia de proteção, reuniramum total de 106 trabalhos sobre raios,apresentados por pesquisadores de 21países, e contaram com a participaçãode 165 pessoas. Na ocasião, os cien-tistas do INPE divulgaram 20 traba-lhos, confirmando assim a liderançado Brasil na pesquisa mundial sobreraios. A física das descargas, seu mo-nitoramento e impacto em sistemasde proteção em geral, bem como arelação entre os raios e as mudançasclimáticas foram algumas das aborda-gens. De acordo com o eng. eletricistaOsmar Pinto Jr., coordenador do Gru-po de Eletricidade Atmosférica (Elat)do INPE, a incidência é grande emquase todos os Estados brasileiros, ex-ceto nos da Região Nordeste.Osmar, que juntamente com o tam- bém eng. eletricista Silvério Visacro, daUniversidade Federal de Minas Gerais(UFMG), presidiu ambos os congres-sos e apresentou quatro trabalhos nasconferências: o impacto dos raios sobretransformadores de distribuição; da-dos de densidade de descargas no país,que servem de subsídio aos projetosde proteção; impacto do aquecimentoglobal sobre os raios; e as novas des-cobertas sobre a incidência de raios emgrandes cidades. Quanto aos transfor-madores de distribuição, o eng. Osmarapresentou uma análise comparativa,feita ao longo de dez anos, entre a dis-tribuição dos transformadores da em-presa Bandeirante Energias, do Estadode São Paulo, e a incidência de raios. Foiestabelecida uma metodologia de ava-liação dos transformadores, de modo aminimizar prejuízos decorrentes de seudesligamento e proporcionar o aprimo-ramento da energia utilizada pelo con-sumidor. “Boa parte dos desligamentosdas redes de distribuição nos municí-pios ocorre em decorrência dos raios,causadores de sobretensões à rede elé-trica”, argumenta.Segundo o 8° Distrito do InstitutoNacional de Meteorologia (8
o
Disme),que compreende a Região Sul, a ex-plicação para a grande quantidadede raios está no tamanho do territórionacional, nas condições climáticas e naausência de grandes elevações no re-levo brasileiro, salienta o coordenadordo 8° Disme, Solismar Damé Prestes.O INPE ainda não dispõe de um le-vantamento completo para todo o país.As descargas elétricas são cobertas,com precisão, em nove Estados pelaRede Brasileira de Detecção Atmosfé-rica (BrasilDat), operada pelo INPE,englobando mais de 3 mil municípios.Segundo o levantamento da BrasilDat,com dados obtidos nos anos de 2005e 2006, municípios gaúchos e paulis-tanos figuravam no topo da ocorrên-cia de raios em solo brasileiro. As seiscidades brasileiras que lideravam oranking destas descargas eram, respec-tivamente, São Caetano do Sul (SP),Unistalda (RS), Itacurubi (RS), Suzano(SP), Mauá (SP) e Santiago (RS). Nasdemais unidades federativas, devido àausência de sensores da rede de detec-ção, os dados para esse período aindanão são dotados de precisão satisfató-ria para tal levantamento.
O eng. eletricista Osmar Pinto Jr., do ELAT, presidiuconferências internacionais sobre descargasatmosféricas e aterramentoRaio atinge o Cristo Redentor, no Riode Janeiro: capa de um dos livrosjá publicados pelo coordenador doElat, autor das obras
 Relâmpagos,Tempestades e Relâmpagos no Brasil 
e
A Arte da Guerra contra os Raios
“De todos os tiposde descarga, a intra-nuvem é a maisfreqüente – em parteporque a capacidadeisolante do ar diminuicom a altura, emfunção da diminuiçãoda densidade do ar,e em parte porqueas regiões de cargasopostas, dentroda nuvem, estãomais próximas emcomparação aosoutros relâmpagos.Globalmente, elasrepresentam cerca de70% do número totalde descargas”
    M    A    T     É    R    I    A    T     É    C    N    I    C    A
 
15
CONSELHO
em revista
l
n
o
54
www.crea-rs.org.br
 
Os projetos do INPE não param poraí. Em colaboração com Furnas CentraisElétricas, o Elat está instalando, no oestedo Paraná, um sistema de detecção dedescargas inédito no Brasil, equivalenteao que é utilizado no aeroporto de Tuc-son, no Arizona, Estados Unidos. Com-posto por sensores do tipo LS8000, pararegistro de todos os tipos de descargas, osistema dos EUA deve permitir uma an-tecipação na identificação de situaçõesde risco para as aeronaves. No Brasil, ossensores LS8000 serão aplicados no mo-nitoramento de descargas nuvem-solo etambém das que ocorrem dentro delas.O projeto no Paraná trará grandes benefícios à proteção de equipamentosde custo elevado. Mediante a previsãode raios, é possível desligar o equipa-mento da rede elétrica e colocá-lo emum gerador próprio até o fim da tem-pestade. “As descargas elétricas queocorrem no interior das nuvens sãoprecursoras das que atingem o chão,daí sua importância. Ao conhecê-las,torna-se viável o monitoramento daatividade das nuvens e, assim, prever aocorrência de descargas rumo ao solo”,acrescenta o coordenador do Elat.No total, cinco sensores LS8000 se-rão instalados em cidades ainda nãodefinidas do Oeste do Paraná. Trata-se de um projeto piloto que até marçoou abril de 2009 já estará em operaçãoe, caso se mostre vantajoso às empre-sas do setor elétrico, será estendido aoutras regiões. “Pretendemos verificaraté que ponto os sensores irão agregarinformação. Assim, companhias do se-tor elétrico, a exemplo da Rio GrandeEnergia (RGE) e da AES Sul Distribui-dora Gaúcha de Energia, dentre ou-tras, poderiam ser grandemente bene-ficiadas. Ainda não definimos os locaisde instalação dos sensores, que pode-rão estar em aeroportos, universidadese parques”, antecipa Osmar Pinto.
O estudo sobre a incidência de raios é útil não apenaspara o desenvolvimento tecnológico de pára-raios e da áreade engenharia de proteção como um todo.Mediante pesquisas sobre as descargasatmosféricas é possível entender até mesmo os prejuízoscausados ao meio ambiente. O INPE vemestudando ativamente esta questão, por entenderque a elevação da temperatura é o parâmetro-chave para aformação de tempestades. “Estamos utilizando dados daBrasilDat e de satélite para investigar se os raios, suscetíveis àtemperatura, e as tempestades severas estão aumentando em nosso país.Ocorre que esse efeito não é homogêneo e, ao monitorar os raios,é possível verificar o impacto do aquecimento global em um país de proporçõescontinentais, como o Brasil”, explica O eng. eletr. Osmar Pinto Jr.. Há três anos a BrasilDat vemmonitorando o RS, em uma iniciativa que trará benefícios a todos os engenheirosdo Estado. Com previsão de divulgação dos dados para julho de 2009, omapeamento visa verificar as regiões com maior quantidade de raios. Se atéagora os projetos de proteção contra raios, desenvolvidos por engenheiros,ainda tem como parâmetro básico o índice ceráunico (utilizado outrorapela população autóctone com base na contagem do número de dias detrovoada, que ocorrem por ano em uma dada localidade), futuramente serápossível adotar informações mais precisas, graças a esse levantamento realizadopelo INPE. “Antigamente anotavam-se informações sobre o número de trovõesescutados durante o dia. Isso não era eficaz, pois caso um local registrasse 10 mil raiosem um único dia, por exemplo, eram informados apenas dois raios, de acordo comos trovões escutados. Os engenheiros do RS ainda utilizam esse método pouco eficaz, masapós esses três anos de levantamento será possível elaborar projetos (como pára-raios) ade-quados à quantidade de descargas encontrada em cada região, de forma ainda mais precisa”,prevê Osmar. Por meio de mapas, pode-se determinar o nível ceráunico de determinadasregiões, cujo índice de variação pode oscilar entre baixo (em torno 1 a 10) e alto (de 100 a 200).Para a técnica de proteção contra os raios, mais importante que o número de dias com trovoa-das por ano, é conhecer a densidade em raios por quilômetro por ano (ng).
Irradiando benefícios à segurança e ao meio ambiente
Sensores LS8000 serão aplicados nomonitoramento de descargas no oeste do Paraná
   D   I   V   U   L   G   A   Ç    Ã   O 
    M    A    T     É    R    I    A    T     É    C    N    I    C    A
16
CONSELHO
em revista
l
n
o
54
www.crea-rs.org.br

Activity (2)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 thousand reads
1 hundred reads

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->