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O Jornalismo Ambiental e seu Caráter Educativo

O Jornalismo Ambiental e seu Caráter Educativo

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09/27/2010

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Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Curitiba, PR – 4 a 7 de setembro de 2009
1
O Jornalismo Ambiental e seu Caráter Educativo
1
 
Eloisa Beling LOOSE
2
 Ilza Maria Tourinho GIRARDI
3
 Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS
RESUMO
Este artigo pretende mostrar que no exercício do jornalismo está incutida uma funçãosócio-educativa, ainda mais quando nos detemos às peculiaridades que envolvem o jornalismo especializado em meio ambiente. O Jornalismo Ambiental se insereexplicitamente no campo da educação quando realiza com responsabilidade e ética otrabalho de informar seus receptores, formando opinião pública crítica e estimulando apromoção da cidadania. Além da revisão de bibliografia, a análise das estratégiasdiscursivas pedagógicas presentes nesse jornalismo especializado sublinha a facetaeducativa intrínseca na prática jornalística.
PALAVRAS-CHAVE:
Jornalismo ambiental; educação; cidadania; estratégiasdiscursivas pedagógicas.
1.
 
O jornalismo como fonte de aprendizagem
O jornalismo é um exercício profissional que propõe levar as informações decaráter relevante e de interesse público às pessoas que buscam conhecer mais arealidade do mundo onde vivem. Esse é um objetivo que, por si só, já mostra como eleadentra no cotidiano de seus receptores e leva conhecimentos variados para eles - quepodem ser incorporadas (ou não) aos seus modos de pensar e agir. Hernan Gelós (2001,p.38) explicita tal vocação:
El comunicador tiene la misión de transferirinformación, per además, le guste o no le guste, comoestá influyendo en los demás, recae sobre sus hombrosuna misión pedagógica y una misión crítica. Losperiodistas fueram formados para producir y enviarmensajes, ahora los incube una misión mástranscedente: deben generar debate sobre los temasimportantes presentando las diferentes opiniones quehay al respecto.
1
Trabalho apresentado no GP Comunicação, Ciência, Meio Ambiente e Sociedade do IX Encontro dosGrupos/Núcleos de Pesquisa em Comunicação, evento componente do XXXII Congresso Brasileiro de Ciências daComunicação.
2
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grandedo Sul, email: eloisa.loose@gmail.com.
3
Doutora em Comunicação. Professora e pesquisadora da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação e doPrograma de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, email:ilza.girardi@ufrgs.br.
 
Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Curitiba, PR – 4 a 7 de setembro de 2009
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Pensando o jornalismo como uma fonte de novos saberes, percebe-se anecessidade dos profissionais da área ter responsabilidade e ética a fim de tornar apopulação consciente das problemáticas que cercam seu dia-a-dia e instruí-las nastomadas de decisão que privilegiem o bem comum. A tarefa não é fácil e requer umolhar atento dos jornalistas para o que contextualiza e está imbricado no acontecimento.Os traços didáticos estão presentes na atividade ainda que muitos neguem.Devido aos públicos heterogêneos eles são imprescindíveis para que até os fatoscomplexos, mas muitas vezes corriqueiros, possam ser entendidos por uma grandeparcela de pessoas, com variados repertórios culturais. Quando se trata de jornalismoambiental a didatização dos conhecimentos é quase uma obrigação, tendo em vista aespecificidade de termos e a minunciosidade dos eventos científicos, difíceis de seremcompreendidos até por aqueles que tem por missão divulgar os aspectos de tal campo.Antônio Fausto Neto (1991, p. 32) coloca que as vozes da pedagogia estãoembutidas no discurso jornalístico, “na medida em que os sistemas de comunicação demassa se convertem ou são convertidos em novas janelas de ‘explicação’ escolar e éticados processos sociais”. É ele quem diz ainda que é
 
o jornalista aquele que se depara comos mais variados campos de saber e com eles negocia procedimentos de apropriaçãopara, então, construir o discurso.
2.
 
Jornalismo Ambiental: uma ferramenta da Educação
A divulgação do conhecimento ambiental na mídia faz com que o cidadãocomum tome contato cada vez mais freqüente com o mundo da ciência, porémraramente apresenta o papel estratégico que ela ocupa nas sociedades modernas.Milhares de pessoas formam opiniões a partir daquilo que é legitimado no campomidiático, por isso é crucial que os jornalistas saibam transformar os fatos científicosem algo pleno de sentido, algo que favoreça a reflexão crítica e não exerça um papelmeramente contemplativo.Muito além da denúncia, o jornalista pode sim ser um educador e auxiliar naformação da opinião pública em prol da sobrevivência planetária. A difusão de umapostura ética para o restabelecimento do equilíbrio da vida já coloca o jornalistaambiental como agente da propagação da proteção de onde vivemos, oferecendovisibilidade e argumentos para cobranças do poder público. Para isso, a adequaçãopertinente ao público-alvo é fundamental para que haja entendimento real dainformação. Além de colaborar para o acréscimo de conhecimentos e a estruturação de
 
Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Curitiba, PR – 4 a 7 de setembro de 2009
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uma postura mais ética diante do meio ambiente, os veículos de comunicação podeminiciar o público de amanhã a interessar-se por meio ambiente.A sustentabilidade da vida relaciona-se profundamente com o caráter ético ecidadão que é construído, representado e descolado do coletivo social pelo campo damídia. Nesse sentido, os meios de comunicação de massa atuam de forma predominantenas legitimações de atitudes que determinarão um rol de movimentos dentro dediferentes comunidades. Concorda-se com Pedro Celso Campos (2006), quando eleaponta que a educação da cidadania precisa acontecer em direção à ética e que uma dasprincipais instâncias onde ela pode acontecer é a da mídia.Freinet (
apud 
CALDAS, 2005) diz que a imprensa é um dos recursos mais ricose produtivos no processo da construção da narrativa, podendo as narrativas midiáticascontribuir muito para a aprendizagem da informação científica de forma lúdica ecooperativa. Assim, as crianças e jovens poderiam desde cedo acessar determinadasinformações – de forma clara e facilitada - a fim de, no futuro, praticarem ações maisconscientes. Graça Caldas (2005) ainda afirma que é a partir da inclusão da introduçãodas crianças no campo científico que será possível termos mais tarde adultos queentendam os conteúdos científicos de forma crítica e autônoma, reconstruindo ereescrevendo o conhecimento.Charaudeau (2006) coloca que o discurso informativo (no qual está englobado o jornalístico) e o discurso didático aproximam-se muito na atividade de explicação, jáque ambos têm alvos bastante amplos e não especializados. Logo, tanto um como ooutro vai recorrer à vulgarização
4
para evidenciar a verdade num quadro deinteligibilidade acessível a um público vasto e heterogêneo. A diferença fundamentalestaria no fato de que, no caso das mídias - onde essa simplificação está atravessada poruma necessidade de captação do público - a vulgarização estaria somada àdramatização. Partindo desse ponto de vista, o autor afirma que:
pode-se dizer que as mídias trapaceiam cada vez queuma explicação é apresentada como a decodificaçãosimplificada de uma verdade oculta, como acessível atodos e a mesma para todos graças ao efeito mágico davulgarização” (
 Ibid.,
p. 62).
A partir disso, pode-se dizer que a natureza jornalística concentra uma funçãopedagógica desde seus primórdios: a de intervir para a transformação da realidade
4
Patrick Charaudeau (2006) explica que toda vulgarização é, por definição, deformante. E acrescenta que quantomaior for o alvo, maior será a necessidade de que o saber que deu origem à informação seja transformado (oudeformado) para parecer acessível.

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