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Carl Rogers e a Abordagem Humanista Centrada Na Pessoa

Carl Rogers e a Abordagem Humanista Centrada Na Pessoa

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Ensaio de estudo biográfico sobre a vida e obra de Carl Rogers, seu impacto na Psicologia e psicoterapia e principais características de sua abordagem.
Ensaio de estudo biográfico sobre a vida e obra de Carl Rogers, seu impacto na Psicologia e psicoterapia e principais características de sua abordagem.

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Published by: Carlos Antonio Guimarães on Aug 18, 2010
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Carl Rogers e a Abordagem HumanistaCentrada na Pessoa
Carlos Antonio Fragoso Guimarães 
estacado pioneiro no desenvolvimento da chamada PsicologiaHumanista, ou Terceira Força em Psicologia - segundo a classificação deAbraham Maslow -, Carl R. Rogers (1902-1987) foi um dos principaisresponsáveis - embora quase nunca se fale nisso - pelo acesso ereconhecimento dos psicólogos ao universo clínico, antes dominado pelapsiquiatria médica e pela psicanálise - que, nos EUA, era exercidaexclusivamente por médicos até bem pouco tempo atrás. Sua posturaenquanto terapêuta sempre esteve apoiada em sólidas pesquisas eobservações clínicas, podendo-se, sem sombra de dúvida, dizer que o campode pesquisas objetivas voltadas para o referencial teórico da AbordagemCentrada na Pessoa é formado por um número considerável de trabalhos, indomesmo além que o número de pesquisas feitas sobre muitas outrasabordagens, incluindo a psicanálise (Rogers & Kinget, 1977; Hart & Tomlinson,1970; Hall & Lindzey, 1993).
 
Nascido em Oak Park, Ilinois, EUA, em 8 de janeiro de 1902, CarlRanson Rogers era o filho do meio de uma grande família protestante, onde osvalores tradicionais e religiosos (quase fundamentalistas), juntamente com oincentivo ao trabalho duro eram amplamente cultivados. Aos doze anos,Rogers e sua família mudam-se para uma fazenda, onde, em terreno tão fértil eestimulante, passou a se interessar por agricultura e ciências naturais.
 
Posteriormente, na universidade, Rogers se dedicaria, inicialmente, aoaprofundamento de seus estudos em ciências físicas e biológicas. Logo apósgraduar-se na Universidade de Wisconsin, em 1924, Rogers passou, como erade se esperar diante das espectativas de sua família, a frequentar o SeminárioTeológico Unido, em Nova York, onde, felizmente, recebeu uma liberal visãofilosófica da religião. Transferindo-se para o Teachers College da ColumbiaUniversity, foi introduzido na psicologia. Nesta mesma universidade obteveseus títulos de Mestre, 1928, e Doutor, 1931. Suas primeiras experiênciasclínicas, calcadas na tradição behaviorista e, ainda mais, psicanalista, foramfeitas como interno do Institute for Child Guidance, onde sentiu a forte rupturaentre o pensamento especulativo freudiano e o mecanicismo medidor eestatístico do behaviorismo.Depois de receber seu título de Doutor, Rogers passou a fazer parte daequipe do Rochester Center, do qual passaria a ser diretor. Neste período,Rogers muito tirou das idéias e exemplos de Otto Rank, que havia se separadoda linha ortodoxa de Freud.Foi trabalhando em Rochester que Rogers atingiu novos insights epercepções do tratamento psicoterpêutico que lhe liberou da forte amarraacadêmica e concentual que havia (e ainda há) no ensino e prática dapsicologia:
A equipe era eclética, constituída de elementos de váriasprocedências, e nossas discussões sobre métodos de tratamentobaseavam-se na nossa experiência pessoal diária com nossos clientes(crianças, jovens e adultos). Era o princípio de um esforçotransdisciplinar que muito significou para mim, e com o qual podíamosdescobrir a ordem que existe em nossas experiências ao trabalhar compessoas (...)" (Rogers, 1977).Em 1939, Rogers passou a ocupar a cátedra de Psicologia daUniversidade de Ohio. Por ter passado muito tempo envolvido diretamente coma clínica, a passagem para o meio acadêmico foi muito dura para ele. Ficouclaro que, durante seu trabalho ativo com clientes, ele tinha atingido novasformas de pensar a prática psicoterapêutica que eram muito diferentes dasabordagens acadêmicas convencionais. De todo modo, as críticas iniciais aque foi submetido e o interesse que os estudantes demonstravam em suateoria compeliu-o a explanar melhor seus pontos de vista, resultando uma sériede livros, principalmente
Counseling and psychoterapy 
(1942).Em 1945, Carl Rogers tornou-se professor de Psicologia naUniversidade de Chicago e secretário executivo do Centro de AconselhamentoTerapêutico, quando elaborou e definiu ainda mais seu método de terapiacentrada no cliente, a partir do legado de outros teóricos, principalmente KurtGoldstein (c.f. a home page Psicologia Holística), formulando uma teoria dapersonalidade e, ainda mais importante para o destaque de seu trabalho,conduzindo pesquisas sobre psicoterapia, o que muito pouco era feito comrelação à abordagem do momento, a Psicanálise (Hall & Lindzey, 1993;Rogers, 1951; Rogers & Dymond, 1954).
 
Em 1957, Rogers passa a ensinar na Universidade em que se graduou,Winconsin, até 1963. Durante esses anos, ele liderou um grupo depesquisadores que realizou um brilhante estudo intensivo e controlado,utilizando a psicoterapia centrada com pacientes esquizofrênicos, obtendo, emalguns pontos, muito material sobre a relação terapêutica e muitos outrosdados de interesse científico, em termos estatísiticos, com estes e com seusfamiliares. De qualquer modo, foi o início de uma abordagem mais humana junto aos pacientes hospitalares.Desde 1964, Rogers associou-se ao Centro de Estudos da Pessoa, emLa Jolla, Califórina, entrando em contato com outros teóricos humanistas, comoMaslow, e filósofos, como Buber e outros. Rogers passou a ser agraciado pormuitos psicólogos pelo seu trabalho científico, e atacado por outros, que viamnele e em sua teoria uma abordagem tola e/ou perigosa para o status e o poderque tinham, principalmente nos meios médicos que se viram forçados areconhecer, à custas das inúmeras pesquisas sérias levadas por Rogers eseus auxiliaraes, que o psicólogo pode ter tanto ou mais sucesso no tratamentopiscoterapêutico quanto um psiquiatra ou psicanalista... É duro para a medicinaperder um espaço que lhe diminui o poder político e mítico sobre a visão quedela têm as pessoas comuns.Rogers foi, por duas vezes, eleito presidente da Associação Americanade Psicologia e recebeu desta mesma associação os prêmios de MelhorContribuição Científica e o de Melhor Profissional.Rogers morreu ativo, em 1987, aos 85 anos de idade.O posicionamento filosófico de Rogers, e sua perspectiva e visão do serhumano foram bastante avançadas para a sua época, pois apresentam umentendimento altamente holista e sistêmico do homem, que fica estremamenteclaro em seus livros, e, em resumo, nesta passagem de Liberdade paraaprender:
Sinto pouca simpatia pela idéia bastante generalizada de que ohomem é, em princípio, fundamentalmente irracional e que os seusimpulsos, quando não controlados, levam à destruição de si e dosoutros. O comportamento humano é, no seu conjunto, extremamenteracional, evoluindo com uma complexidade sutil e ordenada para osobjetivos que o seu organismo, como um todo sistêmico, se esforça poratingir. A tragédia, para muitos de nós, deriva do fato de que as nossasdefesas internas nos impedirem de surpreender essa racionalidade maisprofunda, de modo que estamos conscientemente a caminhar numadireção, enquanto organicamente caminhamos em outra".É extremamente interessante que Rogers se refira à lógica do organismocomo um todo, intuindo um tipo de racionalidade orgânica que é muito maissutil e mais profunda que o tipo de racionalidade intelectual e linear queordinariamente se põe como a única coisa digna deste termo, racionalidade, eque, via de regra, se resume à capacidade de reter algumas informações ouhabilidades técnicas, adestradas a partir da educação formal. Nisto, podemos

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