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O Discurso da Servidão Voluntária

O Discurso da Servidão Voluntária

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05/24/2013

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Discurso da Servidão Voluntária
APRESENTAÇÃO
Roberto Baptista Dias da SilvaDepois de passarem pelo átrio do Inferno, ondeocorrem as punições dos indolentes, dos ociosos, dospreguiçosos e dos fracos, Dante e Virgílio atravessam oLimbo para, então, se depararem com Minós, uma figuragrotesca que ouve as confissões dos pecadores e osdistribui para os diversos círculos do Inferno.Minós não está somente nos escritos de Dante. Decerto modo, para muitos ele parece até mesmo natural. Ocaso mais emblemático de sua aparição, no século XX, sedeu na Segunda Guerra Mundial, com os horrores praticadospelos nazistas e fascistas. Mas em muitas outras ocasiõestal figura monstruosa vem decidindo o destino de um sem-número de pessoas. Outras inúmeras atitudes deste tipopoderiam ser lembradas, como a monstruosidade impostapelos Estados Unidos da América nas prisões deGuantánamo ; os massacres praticados por SaddamHussein, no Iraque, e seu próprio enforcamento no final de2006 ; as atrocidades levadas a cabo pelos regimestotalitários de esquerda - como os comandados por Stalin,Mao Tse-Tung, Pol Pot e Fidel Castro - e de direita,principalmente entre as décadas 1960 e 1980, na Américado Sul.A conclusão é a de que temos nos deparado compessoas ou instituições que se sentem como Mis, nodireito ou com o poder de distribuir quem quer que seja aosdiversos círculos infernais. Mas não devemos nos intimidarcom Mis. É imprescindível combatê-lo. Contudo, aoenfrentá-lo, o combatente não deve se tornar uma figuragrotesca como ele. Afinal, somente cada um de nós podeser seu próprio Mis. Nas palavras de Walt Whitman,“deixem que eu trace meu próprio caminho”.E é disso que tratam os textos desse livro : do direitoà insurreição, à revolução, à revolta, à rebelião, àautonomia. Tratam também do combate à opreso, àautoridade, à tirania, à repressão, à religião, à submissão,
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Etienne de La Boétie
ao direito estatista, à justa como dominação. Enfim,tratam da abolição das prisões e do castigo.A exposição mais eloqüente em defesa da liberdadetalvez tenha sido proferida por um adolescente, em meadosdo século XVI. Pode-se dizer que Etienne de La Boétie foiaquele que combateu Minós com grande ardor juvenil e, aomesmo tempo, com maturidade, dando ênfase ao monstrodantesco que está dentro de s. Em seu Discurso daServidão Volunria, ele afirmava que todos os malesdecorrem da perda da liberdade. Sem esta, todos os bensperdem o gosto e o sabor, corrompidos pela servidão. Mas aservidão não nos é imposta. Ela é voluntariamente dada pornós ao tirano. Bastaria que, diante da escolha entre serservo e ser livre, nós optássemos por não aceitar a sujeição.Segundo La Boétie, a “primeira razão da servidãovoluntária é o hábito”. Os homens servem voluntariamenteporque nascem servos e são criados como tais. Mas toda aforça da dominação não está nas armas que defendem ostiranos, mas na própria vontade que os súditos têm de servi-los. E arremata : para deixar este estado de submissão, ossúditos não precisam combater o tirano. Ele será anuladosimplesmente pelo fato de o país se negar a servi-lo. Não épreciso fazer nada para si, mas apenas não trabalhar parasua própria ruína. Basta que, diante da escolha entre serservo e ser livre, o povo não aceite o jugo.É deste oao jugo que os textos deste livrotratam. Contudo, é um “não” que busca um grande “sim” : aliberdade. Jean-Jacques Gandini inicia o livro pregando odefinhamento do direito como forma de criar autonomia.Marco Cossuta, por seu turno, analisando o direitocomo técnica de poder, de controle social e de repressão,compara as concepções de Stirner e Bakunin. Stirnerdiferencia a revolta da revolução ao afirmar que esta buscacriar novas instituições enquanto aquela não nos deixa maisgovernar pelas instituições, mas apenas por nós mesmos. Ointuito da revolta, defendida por Stirner, é a sublevaçãoegoísta. Bakunin, por outro lado, rejeita o egsmo e,
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Discurso da Servidão Voluntária
baseado na solidariedade, na comunidade e na organização jurídica, defende a revolão como meio de alcaar aliberdade. E Marco Cossuta vai além ao fazer a improvávelaproximação entre Bakunin e Kelsen, um dos maioresteóricos do positivismo jurídico, para, ao final, responder àseguinte questão : a revolução e a revolta são fontes dodireito ?Enrico Ferri diferencia os conceitos de “autoridade”,“direitoe “justiçae fala de uma filosofia judica doanarquismo, afirmando que um direito conforme aoanarquismo, inspirado nos princípios da revolução francesa :liberdade, igualdade e fraternidade.E Ronald Creagh, depois de desenvolver a críticaanarquista ao direito como princípio de organização social,trata da criminologia anarquista que busca adescentralização e o pacifismo.Eduardo Colombo, em seu texto, distingue a“violência da revolta” da “violência da opressão”, a violêncialegítima da ilegítima, abordando questões atuais como, porexemplo, a doutrina da “tolerância zero” disseminada pelosEstados Unidos da América.Kropotkin afirma que as três grandes categorias deleis, ou seja, tanto aquela que protege a propriedade,quanto as que amparam o governo e as pessoas, são inúteise nocivas. Portanto, devem ser abolidas. Afinal, é a próprialei e a autoridade que mantêm o crime. Suas consideraçõesabolicionistas são atualíssimas : a severidade da pena nãodiminui a criminalidade e o suposto medo da punição jamaisevitou um único assassinato.Kropotkin também relata o desenvolvimento históricoda justiça, revelando a punição como uma vingançalegalizada. E, em outro argumento muito caro aos quedefendem o abolicionismo penal, deixa evidente a maneiracomo a burocracia se auto-alimenta : “é preciso o governopara vigiar, organizar, graduar o exército de vigilantes. Énecesrio um imposto formidável para manter essaquina, uma legislação para fa-la funcionar, e ainda juízes, polícia e prisões para fazer respeitar a legislação
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