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Modelos Limite de Ensino, uma reflexão livre. 2010

Modelos Limite de Ensino, uma reflexão livre. 2010

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O presente texto desenvolve uma reflexão livre a partir de uma dicotomia sobre dois modelos de ensino. O texto dá continuidade a uma reflexão sobre o Ensino que foi iniciada no blog "Conversas sobre a História", coordenado por José D'Assunção Barros.
O presente texto desenvolve uma reflexão livre a partir de uma dicotomia sobre dois modelos de ensino. O texto dá continuidade a uma reflexão sobre o Ensino que foi iniciada no blog "Conversas sobre a História", coordenado por José D'Assunção Barros.

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Published by: José D'Assunção Barros on Aug 26, 2010
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11/10/2010

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CONSIDERAÇÕES SOBRE O ENSINOA PARTIR DE DOIS MODELOS-LIMITES
José D’Assunção Barros
1
 RESUMOPropõe-se desenvolver uma argumentação, relativamente a um tema que se encontra empermanente debate, em torno da oposição simplificada entre dois modelos limites deensino: o Ensino que se ampara na idéia de transmissão de conhecimento, e o Ensinoque se ampara na idéia de produção de conhecimento. O texto não propõe discutirbibliografia sobre o tema e seus assuntos correlatos, mas apenas apresentar algumasposições do autor no sentido de estimular o Debate em torno de uma questão que estásempre em pauta na prática cotidiana do Ensino.Palavras-Chave: Produção de Conhecimento; Transmissão de Conhecimento; Modelosde Ensino.ABSTRACTIt is proposed to develop an argumentation, in a character of opinions in relation to apermanent debate, about the opposition between two models of Education: that based inthe idea of transmission of knowledge, and that based on the notion of production of knowledge. The text does not proposes to discuss bibliography about the theme and itscorrelated aspects, bur only to present some positions of the author in the sense of tostimulate the debate around a question that is ever present in the quotidian practice of Education.Key-Words: Production of Knowledge; Transmission of Knowledge; models of Education.
1
Professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, nos Cursos de Mestrado e Graduação emHistória, nos quais leciona disciplinas ligadas ao campo da Teoria e Metodologia da História e mos quaisdesenvolve pesquisas no campo da História Cultural, entre outras áreas historiográficas. Doutor emHistória Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Entre as obras publicadas, destacam-se oslivros
O Campo da História
(Petrópolis: Vozes, 2004),
O Projeto de Pesquisa em História
(Petrópolis:Vozes, 2005),
Cidade e História
(Petrópolis: Vozes, 2007)
 A Construção Social da Cor 
(Petrópolis:Vozes, 2009), e
Teoria da História
(Petrópolis: Vozes, 2010).
 
CONSIDERAÇÕES SOBRE O ENSINO A PARTIR DE DOIS MODELOS-LIMITESJosé D’Assunção BarrosEste artigo pretende desenvolver livremente algumas reflexões sobre o Ensinono novo milênio. Baseio-me, particularmente, em duas instâncias: uma experiência deanos como professor em cursos de Ensino Superior, que terminou por me trazer umamotivação para introduzir no Ensino certos aspectos do pensamento libertário, e emresultados colhidos a partir de uma atitude experimentadora que teve como palco aminha própria prática de Ensino. A reflexão inicial desenvolve-se em torno daconcepção, na verdade simplificadora – e que aos especialistas em Educação talvezpareça extremamente primária – de que, no limite imaginário, podem ser contrapostasduas grandes tendências de conceber o Ensino no mundo contemporâneo. A dicotomia –próxima à que foi desenvolvida primordialmente por Paulo Freyre em termos daoposição de uma Educação Libertadora a uma “Educação Bancária” – é utilizada apenaspara iniciar uma reflexão sobre o que é o Ensino, e para apresentar um posicionamento arespeito.
Ensino: Reflexões em torno de dois Modelos-Limite
Já não apresenta muita novidade, nos dias de hoje, contrapor em Congressosde Educação ou Pedagogia os antigos modelos de Ensino, apoiados na idéia de‘transmissão de conhecimento’, aos modelos de Ensino que buscam seu suporte nanoção de “produção do conhecimento”. Grandes nomes da Teoria da Educação, acomeçar por Paulo Freire (1921-1997), são já referências obrigatórias em todos oscursos de Pedagogia
2
. Contudo, a constatação de que na realidade efetiva das salas de
2
Entre algumas das mais importantes obras de Paulo Freire relacionadas ao campo educacional, ver: (1)FREIRE, Paulo.
Pedagogia do oprimido.
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1970 [manuscrito original emportuguês: 1968]; (
2
) FREIRE, Paulo.
 Ideologia e educação: reflexões sobre a não neutralidade daeducação.
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981; (
3
) FREIRE, Paulo.
Por uma pedagogia da pergunta.
Riode Janeiro: Paz e Terra, 1985; (
4
) FREIRE, Paulo.
Pedagogia da esperança: um reencontro com aPedagogia do oprimido.
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992; (
5
) FREIRE, Paulo.
Pedagogia: diálogo econflito.
São Paulo: Editora Cortez, 1995; (
6
) FREIRE, Paulo.
Pedagogia da Autonomia.
Rio de Janeiro:Paz e Terra, 1996. / Sobre o pensamento de Paulo Freire, conforme a análise de outros autores, ver:
(1
)BARRETO, Vera.
Paulo Freire para educadores.
São Paulo: Arte & Ciência, 1998; (
2
) BRANDÃO,Carlos Rodrigues.
O que é método Paulo Freire
. São Paulo: Brasiliense, 1981; (
3
) CUNHA, Diana A.
 Asutopias na educação; ensaios sobre as propostas de Paulo Freire
. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985; (
4
)DAMKE, Ilda Righi.
O processo do conhecimento na pedagogia da libertação: as idéias de Freire
,
Fiorie Dussel
. Petrópolis: Vozes, 1995; (
5
) SCOCUGLIA, Afonso Celso.
 A história das idéias de Paulo Freiree a atual crise de paradigmas
. João Pessoa: Editora Universitária, 1999.
1
 
aula ainda predominam muitos aspectos de um Ensino que, em teoria, já é por muitosconsiderado uma página a ser revisada na História da Educação, leva-me a olhar para oPassado para apreciar aspectos presentes em um caminho percorrido
3
. O presente artigocoloca-se como texto para Debate, apresenta-se como relato de um professor, comotexto opinativo que se desenvolve para estimular a troca de opiniões, e neste sentidoapresenta-se em modelo ensaístico, de reflexão livre. O texto é simples, talvez frágilpela sua simplicidade, mas pode ser utilizado como ponto de partida para uma reflexãoque certamente poderá ir muito além pelos que quiserem comentá-lo ou criticá-lo.Começaremos por retomar a idéia e a consciência de que o século XX foicenário de profundas mudanças no âmbito do Ensino e da Aprendizagem, em todos osníveis e campos de saber. Neste início de novo milênio, as mudanças conquistadas noséculo passado em termos de uma nova perspectiva sobre o Ensino, são certamente bemperceptíveis no plano teórico e no âmbito das idéias. Os congressos de Pedagogia falamnelas abertamente, as teses de Mestrado e Doutorado discutem novos modelos deEnsino que teriam superado os modelos de Ensino tradicional. As Palestras dos grandeseducadores mostram-nos os sintomas mais claros de que assistimos neste último séculoà passagem de um ideal de Ensino centrado no autoritarismo e no modelo da‘transmissão do conhecimento’ para um modelo mais democrático, centrado na‘Produção do conhecimento’
4
. Examinemos de perto o que se propõe a ser a passagemde um modelo de Ensino a outro, mas sempre tendo em vista que, neste caso, estaremos
3
A idéia de que a Educação não se deveria restringir ao ensino do conhecimento como algo acabado epronto, e sim como algo que deveria ser produzido, inclusive a partir da própria vivência dos alunos, jáaparece em Dewey (1859-1952), na primeira metade do século XX. Desenvolvimentos mais avançados daperspectiva de um conhecimento a ser construído, e não transmitido do professor para o aluno, ocorremcom vertentes que avançam por uma crítica social da educação, tal como a da Pedagogia Libertadora,proposta por Paulo Freire, ou como as tendências progressistas libertárias, que vai encontrar seusexpoentes mais significativos em nomes como Ferrer y Guardia (1849-1909), Célestin Freinet (1896-1966), Michel Lobrot, Vasquez, Oury, entre outros. Sobre a Pedagogia Libertária de Ferrer y Guardia –que culmina com a criação da ‘Escola Moderna’ em 1901 e com a fundação em 1907 da LigaInternacional para a Educação Racional da Infância – ver SAFÓN, Ramón.
O racionalismo combatentede Francisco Ferrer Y Guardia
. São Paulo: Imaginário, 2003. Sobre Célestin Freinet, ver FREINET,Célestin.
 As técnicas Freinet da escola moderna
. Lisboa: Estampa, 1975. Para as idéias de Michel Lobrot,ver (1) LOBROT, Michel.
Para que serve a escola?
. Lisboa: Terramar, 1995 e (2) LOBROT, Michel.
Pedagogia Institucional: la escuela hacia la autogestión
. Buenos Aires: Humanitas, 1980. Para aspropostas de Vasquez e Oury, ver OURY, Fernand e VASQUEZ Aida.
Vers une pédgogieinstitutionnelle
. Vigneux: Maspero, 1967.
4
As tendências de ensino centradas na transmissão do conhecimento, na verdade bem vivas na práticaescolar em nossos dias, podem ser indicadas pelas tendências ‘Liberal Tradicional’ e ‘Liberal Tecnicista’,esta última encontrando alguma influência das idéias behavioristas de Skinner. No Brasil, esse modelo foireforçado pela Ditadura Militar, a partir de medidas para uma reforma educacional do final dos anos1960, embora o modelo tecnicista já estendesse sua influência nos meios educacionais brasileiros desdemeados dos anos 1950.
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