I – O EXEMPLO DO PROFETA JEREMIAS
O profeta Jeremias começou a profetizar nos dias do rei Josias, filho de Amon, que reinou(Josias) sobre o reino de Judá de 640 a 609 a.C. Nos dias de Josias uma cópia do “Livro daLei” de Moisés foi encontrada na “Casa do SENHOR”, isto é, no templo em Jerusalém pelosumo sacerdote Hílquias – ver 2 Reis 22:8 – 23:3. A leitura destes manuscrito descoberto notemplo, causou profunda comoção no rei Josias que chegou até mesmo a rasgar suas roupas, oque era um ato externo que indicava como o rei estava se sentindo por dentro – ver 2 Reis22:11. O rei sabia o valor do documento que acabava de ser lido para ele. Este era um livro,revelado por Deus, pelo qual, de forma padronizada e objetiva, todas as tradições podiam edeveriam ser julgadas. Os sacerdotes e os príncipes do povo eram os que tinham mais a perder com esta descoberta, pois os privilégios que desfrutavam não eram sustentados pela Palavra deDeus. Para se protegerem contra a perda destes privilégios estes sacerdotes tinham o apoio defalsos profetas que vinham trazendo falsas revelações da parte de Deus. É contra estecorporativismo que Jeremias se levanta. Os falsos profetas que segundo o texto profetizavamfalsamente, isto é, falavam mentiras, estavam intimamente associados, de mãos dadas, com ossacerdotes para dominar sobre o povo de Deus. E o próprio povo de Deus aprovava taldominação. Para Jeremias esta situação só podia ser descrita de uma maneira: era algoespantoso e horrendo.O coração do problema, como entendido pelo profeta Jeremias, consistia em que havia umaaliança perversa entre os falsos profetas, os sacerdotes e o povo para prestarem um culto aDeus que fosse somente “da boca para fora”. Tal hipocrisia já havia sido denunciada pelopróprio Deus através do profeta Isaías – ver Isaías 29:13. E foi novamente denunciada pelopróprio Senhor Jesus em Seus dias – ver Mateus 15:7 – 9. Nos dias de Jeremias não haviainteresse nem da parte dos falsos profetas, nem dos sacerdotes e nem do povo de reformar honesta e completamente seus caminhos. Para estes, uma vez mantidas as aparências estavatudo muito bom. Jeremias denuncia esta religiosidade falsa, superficial e pretensiosa. A pergunta que ele faz é: “que fareis quando estas coisas chegarem ao seu fim?” Jeremias serefere ao julgamento de Deus em que todo o povo de Judá estava incorrendo por praticar umareligião que vivia somente de aparências. Para que possamos ter uma compreensão do estadomoral
que existia em Judá nos dias do profeta Jeremias, nós temos que nos lembrar daspalavras de Deus ditas através do profeta no início do capítulo 5: “Dai voltas às ruas deJerusalém; vede agora, procurai saber, buscai pelas suas praças a ver se achais alguém, se háum homem que pratique a justiça ou busque a verdade; e eu lhe perdoarei a ela – Jeremias5:1”. Que cena patética! A promessa de Deus era que se fosse possível achar uma pessoasomente que praticasse a justiça ou que buscasse a verdade em toda cidade de Jerusalém, Deusestava disposto a perdoar o pecado de toda a cidade. Agora imagine se Jeremias não tivesse selevantado e julgado
a situação. Se ele não tivesse exercido o ato de julgamento acerca da
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Para uma avaliação completa do estado moral que existia nos dias do profeta Jeremias o autor recomenda aleitura do livro de John Skinner,
Prophecy and Religion: Studies in the Life of Jeremiah
, Wipf & Stock Publishers,Eugene, 1999.
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O dicionário Aurélio Século XXI diz o seguinte acerca do verbete “julgar”: Do latim judicare. Verbo transitivodireto com os seguintes significados: 1) Decidir como juiz ou árbitro; 2) Dar sentença, sentenciar; 3) Supor,imaginar, conjeturar; 4) Formar opinião sobre; avaliar. Como verbo transitivo indireto o Aurélio apresenta osseguintes significados: Formar juízo crítico; avaliar, apreciar, ajuizar: Como pode ser facilmente deduzido a línguaportuguesa define o ato de julgar não somente como os atos de um juiz, mas também todos aqueles atosproduzidos por pessoas comuns no sentido de: supor, imaginar, conjeturar, formar opinião sobre, avaliar, formar
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