Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
3Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Scan Doc0090

Scan Doc0090

Ratings: (0)|Views: 25 |Likes:
Published by William Machado

More info:

Published by: William Machado on Aug 30, 2010
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

10/25/2010

pdf

text

original

 
"
,
r
2
Ummétodogeralparaaanálisedeargumentos
NoCapítulo1,analisamosdiversos
exemplos;
amaiorpartea~g~lm~n~avaafavordeumaidéiaenósosusamosparaexpor
varias
hçoessobreoraciocínio.Tendooferecidoaoleitoruma amostradaanálisedeargumentos,apresentaremosagoraum método
geral
deanáliseeavaliãodeargumentos.
O
métodoésubjacenteaoqueficouditonoCapítulo1,eoleitorque te~tourealizaraquelesexercíciosdeveagoraestarprontopara, deixandodeladooenfoquefragmentado,depararcomuma liçãoteórica.. Ométodoaserdescritoaplica-seaqualquerraciocínio, ouargumento,naformacomoocorrenalinguagemnatural- nonossocaso,oportuguês.Começaremosdescrevendocomo reconhecercontextosnosquaisocorreracionio(i.e.,vamos dizerquaissãoas"pistaslingüísticas").Depois,descrevere- moscomodescobrireapresentara
estrutura
deumpedaço'deraciocínio(saberseestamosounãodiantedeuma"cadeia" derazõesetc.).Aofinal,explicaremos,namedidadopossível, comodecidirseoraciocínioéounãocorreto. Porenquanto,nãofaremosnadamaisque
esboçar
omé-to~o.Faremosissodeformaapermitirquesuaslinhasgerais seJ~mtraçadascomclareza,podendoassimserapreendidas
Facilmente.
Introduzirumnúmeroexcessivodequalificações nestemomentopoderiatornarobscura
ta
simplicidadebásica dométodo:seeleestivercorreto,olugaradequadoparade-
senvol-lo
e
refiná-lo
éondesurgemosproblemas-nasua
I.
Umtodogeralparaaanálisedeargumentos
23
aplicaçãoaosexemplosespecíficos-eéissoquepretendemos fazer.Noscapítulossubseentes,oesqueletobásicoseex- pandidoepreenchido
à
medidaquesurgiranecessidade.Pre- tendemosfazerisso
à
medidaquemostrarmoscomoaplicaro métodoemriosexemplosinstrutivos. Quasetodososargumentosestudadosnestelivroforam
realmenteusados
poralguémquepretendiaconvenceroutrem arespeitodeumdeterminadoassunto.Sãotodosargumentos verdadeiros-nãosetratadosargumentos"inventados"comos quaisoperamgeralmenteospesquisadoresdelógica.Foram retiradosdeváriasfontes,desdetextosclássicosatéjornais.E vêmdeváriasáreas,apesarde,emsuamaioria,teremrelação comquestõesdascnciassociais,dealgumasciênciasnatu- raisedafilosofia.
I
Alinguagemdoraciocínio
Algumaspistas
É
claroqueutilizamosalinguagemparamuitosoutrosfinsque ooracionio.Usamo-Iapararelatareventos,contarpiadas, realizarconvites,narrarhistórias,fazerpromessas,darordens, fazerperguntas,comunicarinstruções,evocaremoções,des- crevercoisas,entreter,e
mil
coisasmais.(Cabenotarjánes- tepontoinicialdolivroquelimitamosnossaateãoauma .áreabastanteespecíficadaatividadehumana,apesardeessa serumaáreadeimportânciamuitogeral.)Cadaumadasati- vidadesmencionadasacimaempregaasualinguagemprópria -umalinguagemquenosajudaaentenderoqueestáaconte- cendo.Porexemplo,aexpressão"Vojáouviuaquelado...
?"
costumaserusadaparaassinalarquesesegueumapiada(e nãoumrelatoverídicoetc.)."Vocêgostariademeacompa- nharno...
?"
éumaformabastanteusadadefazerumconvite. Aexpressão"Nãofaçaisso,senão...
!"
costumaserusadapara comunicarurnaameaça,eassimpordiante.Obviamente,es-
 
sasmesmasexpressõespodemserusadasparafinsbastante diferentes,econhecerocontextonoqualsãoproferidaséumfatorgeralmenteessencialparaquesepossacompreendê-Ias. Seriaalgomuitocomplicadodeterminarcomo,emtermosge- néricos;sepodereconhecerumapiada,umaameaçaouoque querqueseja(cf.
QuandoDizereFazer:PalavraseAção,
de
J.
L.Austin).Eninguémdeveriaficarsurpresocomofatodealinguagemdoraciocíniosertambémcomplexa.Mashávárias coisasúteisquesepodemdizer. Paraconcentrarnossaatençãonoraciocínio,serápreciso descrevercomoidentificaroscontextosnosquaisháracio-cínio.Lembre-se,raciocinarouargumentarafavordealgo consisteemoferecerfundamentosou
razões
afavorde
conclu- es,
easrazõesoapresentadasafimde
sustentar,justificar, estabelecer,provar
ou
demonstrar
aconclusão.(Oautortenta
convencer
seupúblicopormeiodoraciocínio.)Naslinguagens naturaisnemsempreéfácildizerquandoseapresentaumar- gumento(lembre-sedealgunsdosexemplosdoCapítulo1), mastodososargumentostêmumaconclusão,eemportuguês elavemfreqüentementeassinaladapelapresençadeumadas seguintespalavrasouexpressões,aquechamamos"indicado- resdeconclusão":
24
AgicadosVerdadeirosArgumentos
Indicadoresdeconclusão
logo...portanto...dessaforma... assim...conseqüentemente... oqueprovaque... justificaacrençadeque...
r
concluoque. segue-seque.
...0
queimplicaque...
...0
quenospermiteinferirque... ...deduz-sedissoque... ...estabeleceofatodeque... ...demonstraque... Nãoestamosdizendoque,
independentemente
docontexto emqueapareçamessaspalavrasouexpressões,segue-seuma concluo,masqueelascostumam
indicar
apresençadeuma conclusão.Essaspalavraseexpressõesopistaslinísticas
Ummétodogeralparaaanálisedeargumentos
25
sobreoquesepretendefazernumdeterminadotexto.Algumas vezeséclarocontamcomumusobastantediferentedoes-
,
.
perado.Exemplos:"Elejantoue
logo
saiuparapassear","Você nãovaificarbravo
dessaforma,
vai?","Umcarro
assim
eunun-cavi".Osindicadoresdeconclusãolistadosacima,eoutros semelhantesaeles,sãoapenasmarcadores.Nãosepodeolhá- losdeformamecânicaembuscadeconclusões:geralmente,é precisodiscernimentoparadecidirseumdadoindicadorassi- nalarealmenteapresençadeumaconclusão.Obviamente,as conclusõessãoapresentadasalgumasvezessemindicadores deconclusão.Nessecaso,ocontextomostraráquesetratade umaconclusão. Todososargumentostambémincluemaapresentãode fundamentosou
razões
afavordasuaconclusão.Umarazão égeralmenteapresentadacomo
verdadeira
ecomo
umarazão
afavordeumaconclusão.(Parafinsdesimplicidade,come- çamoscomexemplosnosquaisasrazõessão
apresentadas comoverdadeiras
erestringimosousodotermo"rao"para taiscasos.Noentanto,noCapítulo8pretendemosampliaro sentidodotermoparaincluirraesque
não
sãoapresentadas comoverdadeiras,masque"seadmitemparafinsdeargumen- tação".)Entreaspalavraseexpressõesusadasemportuguês paraassinalarapresençaderaes-equechamaremosde "indicadoresderazões"-,incluem-seasseguintes:
Indicadoresderazões
porque... pois...araoéque... emprimeirolugar...,emsegundo lugar...(etc.) jáque... umavezque...podeserinferidodofatodeque... segue-sedofatodeque... Repita-se:nãoestamosdizendoque,
independeniemente
docontextoemqueessaspalavraseexpressõesforemusadas, haveráumarazão,masquecostumam
indicar
apresençade
 
26
UmtodogeralparaaanálisedeargumentosgicadosVerdadeirosArgumentos
27
umarao.Eservemcomomarcadorescapazesdenosper- mitir,comaajudadeumpoucodediscernimento,localizar asraes.Maisumavez,háapossibilidadedequeasrazõessejamapresentadassemosindicadoresderazões,masocon-textoindicaráapresençadeurnarazão..
É
convenienteterumaexpressãoparanosreferirmostantoaosindicadoresderazõesquantoaosdeconclusão.Emvistadisso,chamaremosambosde"indicadoresdeinferência",ou"indicadoresdeargumento".que
não
éumraciocínio.(Alógicaportrásdessaabor- dageméadequeestamosinteressadosemdescobrira verdadesobreascoisasenãoemvencerembatescon-traestaouaquelapessoa.)Aomissãodeindicadoresdeinferênciapodeservir,algumasvezes,comoinstrumen-toretóricoparafinsdeênfase,instrumentoesseusadoreiteradamenteporpolíticosepororadorespúblicos(veracartadeWeinbergernoCapítulo
4).
(iii)
Háumimportantefatorcomplicadorqueresultados diferentesusosquesepodemdaraosindicadoresde inferência.Pode-seexplicarissocomclarezarecorrendo àambigüidadedapalavra"porque",quealgumasvezesassinalaapresençadarazãoafavordeumaconclusão,masemvezesassinalaapresençadeuma
afirmaçãocausal
ou,falandoemtermosmenostécnicos,algumtipode
explicação.
Vejaestesexemplos:
(1)
Joãoquebrouajanelaporquetropeçou.
(2)
Joãoquebrouajanelaporqueesqueceusuachave.(3)Joãodeveterquebradoajanelaporqueeraaúnica pessoadentrodacasa. Pressupondoocontextonaturalemcadacaso,restasabercomocompreenderoqueestásendodito.
É
claroquenemnocaso
O)
nemnocaso(2)ousodo"porque"assinalaumarazãoafavordeumaconclusão.Em
O),
todaaafirmaçãoé
causal:
oquefezJoãoquebrarajanelafoiofatodetertropeçado. Oenunciadotodopoderiaseraconclusãodealgumoutrora- ciocínio,masemsimesmonãoexpressa,deformanenhuma, umargumento.Em(2),afrase
explica
a
razão
pelaqualJoão quebrouajanela-explicaporqueofez.Maisumavez,todo oenunciadopoderiaseraconclusãodeumraciocíniomais amplo,mas,porsi,nãoexpressaumargumento.Em(3), poroutrolado,aformanaturaldeinterpretarafraseexigeque consideremoso"porque"umindicadorderazão.(O"deve"é outrapista,conformeexplicadomaisàfrente.) Algunsfatorescomplicadores(i)Oscontextospelosquaisnosint~ressamossãoaquelesemqueumautoroufalanteexpõealguma
asserção,
aconcluo,comoalgofundamentadooujustificadoporoutrasasseões,asrazões.Eno,paradecidirseumadadaasserçãoéumaconclusãoouumarazão,serápre-cisorecorrerexclusivamenteàsintençõesaparentesdoautor-aformacomoesseautorasexpressou.Nãoin-teressasaberseasasserçõessão
verdadeiras
ou
falsas,
nemimportasaberseasrazões
conseguem
justificaraconclusão:tudooquenosinteressanestafase-emquetentamosidentificaroargumento-ésaberseotextoapresentaalgumasasserçõescomo
razões
afavorde
conclusões.
(ii)Algumasvezes,ocorremraciocíniossemousodein-dicadoresdeinferênciaparaassinalarapresençaderazõeseconclusões.Nessescasos,porvezes,édifícildecidirseraciocínio.Pretendemosexplicarembre- ve(pp.33eseguinte)comotomarumadecisãodotipo. Emtermosgenéricos,quandosetentadecidirsobrese umtrechodetextocontémounãoraciocínio,éaconse- lhávelaadoçãodoPrincípiodaCaridade.Esseprincí- piodeterminaoseguinte:aoconsiderarcomoraciocínio umtextoquenãoéumraciocínio
óbvio,
-1
seobti- vermosapenasargumentosruins;entãosepresume

Activity (3)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 hundred reads
Danilo Densa added this note
"Um metodo geral para a analise de argumentos"
Danilo Densa liked this

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->