/  7
 
 
 _________________________________________________________________________
Boletim Informativo de Educação Ambiental
Gerência de Educação de Joinville
 ___________________________________________________________________________________________Agosto de 2010Ano 01 – Edição nº. 02
   L  u  c  a  s   D  a   l   l  a   B  a  r   b  a   4   ª  s   é  r   i  e   0   1    E   E   B   F  e   l   i  p  e   S  c   h  m   i   d   t
 
Nesta Edição:
- Destaque- Notícias- Dicas- Lembrete do Ensino- Referências bibliográficas- Sobre o boletim
 
DESTAQUE
GGGGGGGGEEEEEEEESSSSSSSSTTTTTTTTÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOODDDDDDDDEEEEEEEERRRRRRRREEEEEEEESSSSSSSSÍ ÍÍ Í Í ÍÍ Í DDDDDDDDUUUUUUUUOOOOOOOOSSSSSSSSSSSSSSSSÓÓÓÓÓÓÓÓLLLLLLLLIIIIIIIIDDDDDDDDOOOOOOOOSSSSSSSS 
A expansão da urbanização ocorrida no último séculogerou o aparecimento de diversas aglomeraçõesurbanas, processo que resulta da transferência depessoas do campo para a cidade, causando com isso atransformação de ambientes naturais e, emconsequência, pressão e degradação ambiental.No Brasil, essa realidade não foi diferente. Osmunicípios cresceram e ainda vêm crescendo em ritmoacelerado, principalmente nos últimos 50 anos, demodo que “o crescimento urbano transformou einverteu a distribuição da população no espaçogeográfico: em 1945 a população urbana era de 25%,na última década de 1990 aumentou para 75%”.(RATTNER, 1999, p. 53).Esse quadro traz consigo problemas socioambientais enovas responsabilidades à administração pública. Umadelas é a gestão dos resíduos sólidos que satisfaçamaos padrões ambientalmente sustentáveis.Contudo, antes de tratarmos a respeito do complexoprocesso de gerenciamento de resíduos sólidos, éimportante refletir sobre outro fenômeno queintensificou o aumento da produção de resíduos: aindustrialização, que modificou de forma contundenteas características do resíduo produzido. “Até o iníciodo século passado, o lixo gerado – restos de comida,excrementos de animais e outros materiais orgânicos– reintegrava-se aos ciclos naturais e servia comoadubo para a agricultura. Mas, com a industrializaçãoe a concentração da população nas grandes cidades, olixo foi se tornando um problema”. (MMA/MEC, 2005,p. 114)Com a industrialização, uma nova cultura foi surgindo,por intermédio da produção de objetos com vida útilreduzido, vindo com o propósito de dar maiorcomodidade ao ser humano, influenciandosobremaneira o comportamento das pessoas e opadrão de consumo. Uma nova maneira de consumirsurgiu nesse contexto, não mais pela necessidade doobjeto, mas por uma busca de satisfação pessoal ecomodidade, que se acredita agregar maior qualidadede vida.Reforçando isso, as indústrias e empresas prestadorasde serviço, apoiadas pela mídia, criam a ideia danecessidade do uso de novos produtos e substituiçãode outros, mesmo que ainda estejam funcionando ouem condições de uso.Porém, esses fatores, ao contrário do conceito dequalidade de vida que se imaginava, aumentousignificativamente o volume de resíduos produzidos etrouxe problemas sérios do ponto de vistasocioambiental. Além da poluição produzida pelaquantidade e imobilidade dos resíduos sólidos noambiente, o fenômeno social dos “catadores de lixo” surgiu nesse cenário.Diante dessa complexidade, o gerenciamento deresíduos sólidos urbanos tornou-se um desafio para osgestores públicos. Responsabilidade da administraçãopública e competência dos municípios, essa gestãocompreende a coleta, tratamento e disposição final deresíduos em estado sólido e semi-sólido, resultantesdas atividades de origem doméstica, industrial,comercial, hospitalar, agrícola, de serviços de varrição,bem como os gerados nas Estações de Tratamento deÁgua e os resultantes de equipamentos e instalaçõesde controle de poluição, conforme classificação deresíduos normatizada pela ABNT
1
, 2004.Vários aspectos devem ser levados em consideraçãono Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.Aspectos ambientais, legais, sociais e econômicosprecisam ser compreendidos e considerados e asestratégias de gestão, adaptadas à realidade domunicípio. Contudo, dois outros fatores fundamentaisdevem ser levados em consideração nesse processo.O primeiro diz respeito ao uso sustentável dosrecursos naturais e minimização da produção dosresíduos sólidos, possíveis por meio de programas deEducação Ambiental que estimule o consumoconsciente e a separação dos resíduos para posteriorreciclagem. O outro é o reconhecimento e trabalho emparceria com associações e cooperativas queexecutam a coleta informal, evitando a concorrência ediminuindo com isso os custos dessa etapa.
1. Associação Brasileira de Normas Técnicas.
 
 
ESCOLADEEDUCAÇÃOBÁSICAFELIPE SCHMIDT
Atividade de Aprendizagem: A Escola não é Lixo!
 A Teoria da Atividade proposta por Leontiev
1
trazcontribuições importantes para a compreensão eorganização da prática pedagógica. Segundo o autor, aatividade, inerente ao ser humano, parte de umanecessidade do sujeito ou motivo, que por meio de umaintencionalidade estimula e confere direção para odesencadeamento de ações e a escolha de instrumentosque visem dar materialidade ou a transformação deuma realidade.Em outras palavras, no processo psicológico daatividade humana, num movimento intencional, osujeito é impelido a planejar ações e escolherinstrumentos que respondam ao motivo da atividade, nosentido de transformar e produzir uma nova realidade.Nesse processo, transforma a si mesmo e a partir dessatransformação, novos motivos surgem, dando início auma nova atividade.O conceito de atividade no âmbito pedagógico trazcontribuições significativas, à medida que permite aosujeito professor refletir sobre sua prática e agirbuscando dar materialidade aos motivos que orientamsuas ações. Isto é, partindo de um motivo que direcionesua prática pedagógica, irá planejar ações e escolherinstrumentos que atendam a essa necessidade e quesejam motivadoras para os alunos, de modo que estestambém atribuam sentido para sua atividade.Dessa forma, a aproximação da realidade do aluno e ofavorecimento do trabalho colaborativo, são pontosimportantes que devem ser considerados noplanejamento de ações e instrumentos que possibilitemmotivos eficazes, que a aprendizagem deveproporcionar.
 
Contudo, dentro da concepção histórico-cultural, só épossível falar em conhecimento por meio da
 práxis 
:relação entre a atividade teórica e prática. Se por umlado a atividade prática de ordem transformadora éajustada a objetivos, ela só é possível por meio darelação entre a atividade teórica, produtora deconhecimentos.Nessa perspectiva, a mediação é elemento fundamentalno processo de apropriação do conhecimento e oprofessor, nesse contexto, assume uma posturafacilitadora, que possibilita que o sujeito deaprendizagem se coloque ativamente diante daexperiência de ensino-aprendizagem.Foi o que a articuladora da sala informatizada e aprofessora de 4ª série da EEB Felipe Schmidt (SãoFrancisco do Sul) fizeram na Atividade de Aprendizagem “A Escola não é Lixo”.O motivo que deu origem à atividade teve sentido, numprimeiro momento, para Gisele Vidal de Almeida,articuladora da sala informatizada, que procurou aprofessora Geovana Ostroski, para juntas planejaremuma atividade que proporcionasse reflexão com osalunos, sobre a quantidade de lixo depositado no chãoda escola. O objetivo da atividade foi estimular apercepção e um olhar crítico sobre o assunto, levando-os a compreender que pequenas ações, individuais ecoletivas, podem modificar essa problemática na escola.Dessa maneira, a ação inicial foi a apresentação dahistória em quadrinhos “Cascão em: PropostaRepelente”. A articuladora da sala informatizada foiquem contou a história, que foi scaneada e reproduzidaem aparelho de multimídia.Depois da história, duas ações, uma reflexiva e outraprática foram organizadas para dar início à atividade emgrupo. A primeira foi um debate sobre a história e sobreo tema proposto e a segunda foi uma observação nopátio da escola após o intervalo.
Professoras Geovana e Gisele e alunos da 4ª série 01
 
 A professora Geovana organizou 03 equipesresponsáveis em criar uma única história emquadrinhos, baseada no tema e problemática observadana escola. Cada equipe, responsável por uma parte dahistória, dialogou, debateu, combinou entre si, paraentão passar para a segunda etapa da atividade, areprodução da história. Nesse momento, a turma foidividida em duas equipes: o grupo de voz e a dodesenho. Assim, a história foi gravada, scaneada e editada pelaarticuladora da sala informatizada e o resultado podeser conferido pelo link abaixo:http://www.youtube.com/watch?v=td4yKcrRXzg O aspecto coletivo da atividade é um ponto importantea ser ressaltado e esse exemplo demonstra o processo,cujas ações foram planejadas e realizadas no espaçocoletivo, consideradas significativas para a objetivaçãodo motivo que a impulsionaram.Nesse contexto, a linguagem e o processo deconstrução do conhecimento dos alunos ficam evidentesno resultado. O professor como mediador, manteve alinguagem dos alunos, permitindo, a partir daí, re-significar os conceitos que eles atribuíram no texto queconstruíram. Um exemplo disso é o adjetivo “porco”,para expressar pessoas sem consciência ambiental.Dessa forma, o caráter dinâmico da atividade se fazpresente, possibilitando que professores e alunosatribuam novos sentidos, dando início a uma novaatividade.
1. Alexei Nikolaevich Leontiev – Psicólogo russo, trabalhou com Lev Vygostsky, comrelevante participação na proposição da construção da Psicologia Histórico-cultural.
 
 
ESCOLADEEDUCAÇÃOBÁSICAPROFª. MARLI MARIA DE SOUZA
Projeto: Lixo – Um novo começo para o fim
Motivada pelo curso de Educação Ambiental queparticipou na Gerência de Educação (Água eSaneamento), a professora Magali Rute dos Santos, daEEB Marli Maria de Souza, iniciou uma Atividade de Aprendizagem com 60 alunos de 3ª série do EnsinoFundamental, no ano de 2009. No retorno para aescola, iniciou um diálogo com as crianças paracontextualizar os temas tratados no curso e asespecificidades da escola e região. As enchentesocorridas na época, ficaram em evidência nesse diálogoe, por conta disso, esse tema foi o ponto de partidapara uma pesquisa, visando compreender as causas easpectos preponderantes nessa problemática levantada.Estudando sobre as causas das enchentes ocorridas naregião, a professora e seus alunos observaram que umadelas tinha destaque nesse cenário. O hábito dapopulação circunvizinha despejar lixo em locaisinadequados, chamou a atenção e em decorrênciadisso, planejaram ações de sensibilização com acomunidade escolar, buscando levar essa discussãotambém para as demais turmas de séries iniciais.Uma dessas ações foi a coleta de lixo na escola duranteum mês, para depois realizar uma exposição do lixorecolhido, com o intuito de motivar as demais turmaspara a discussão do tema.
Marcelo e Magali: professores de 4ª e 3ª série - 2009
 
Tratando sobre a questão de destinação dos resíduossólidos, os professores envolvidos observaram que essasituação era comum aos alunos, que pareciam ter seacostumado com o despejo de lixo em qualquer lugar.Contudo, durante seu desenvolvimento, perceberamtambém o efeito positivo que as ações de pesquisa esensibilização proporcionaram, instigando os alunospara um olhar mais crítico sobre o assunto.Nesse sentido, a continuidade da ação nessa escolapara o ano de 2010 demonstrou ser necessária. Assim,objetivando aprofundar o tema e trabalhar de formainterdisciplinar, os professores de séries iniciais e equipegestora se reuniram, discutiram, elaboraram um projetoe inscreveram no Prêmio Embraco de Ecologia, sendovencedores na categoria Semente, ainda com alunos deséries iniciais como público alvo.Para iniciar as ações em 2010, os professores e equipegestora reuniram-se e revisaram as ações propostas em2009, para integrá-las ao planejamento dos professores.Desde então, são realizadas reuniões esporádicas paraavaliação das ações planejadas. A primeira ação aconteceu com a apresentação doprojeto para a comunidade, ocorrida no início do mês demarço. Na ocasião, a comunidade participou com avotação do slogan do projeto produzido pelos alunos.O planejamento dos conteúdos contemplou váriosaspectos sobre resíduos sólidos: lixo e consumo, coletaseletiva e reciclagem, impactos ambientais, tipos etratamento de lixo, categoria de resíduos sólidos eprincípios dos 5 Rs (erres), são alguns temas geradoresque estão sendo abordados e pesquisados com osalunos, contando também com o apoio da articuladorada sala informatizada.Outras ações foram inseridas no processo. Uma delas,por meio de revezamento, alunos de 1ª a 4ª sériecoletam o lixo produzido após o intervalo do lanche,para posterior análise de redução durante odesenvolvimento do projeto. Além disso, os alunos das3ªs séries já estão socializando as pesquisas realizadas,organizadas em momentos de troca de experiências.Três grandes parcerias foram firmadas no projeto. Oprojeto Reciclar da UNIVILLE, contribuiu com um cursoe oficina sobre reciclagem de papel. A FUNDEMA(Fundação do Meio Ambiente) irá promover aosprofessores e funcionários, um curso sobre Gestão deResíduos Sólidos e a cooperativa de reciclagem ReciparParanaguamirim, localizada ao lado da escola irá auxiliarno processo de destinação dos resíduos da escola.Pensando no processo de gestão dos resíduos naescola, lixeiras de coleta seletiva foram instaladas emlocais estratégicos, ação essa que mais tarde seráampliada para as salas de aula das séries iniciais. Estásendo construída também uma composteira para odestino de resíduos orgânicos e revitalizada a hortaescolar, com o apoio de professores, alunos evoluntários da comunidade.Para o segundo semestre estão previstas visita ao aterrosanitário, entrega de cartões temáticos produzidos pelosalunos junto à comunidade, apresentação teatral,criação do grupo de Voluntários Ecológicos e a Feira doConhecimento, que irá apresentar todos os trabalhosproduzidos durante o ano letivo.
   A  u   t  o  r  :   J  e  a  n   C  a  r   l  o  s   A   l   b  e  r   t   t   i   d  a   C  o  s   t  a   3   ª  s   é  r   i  e   0   1

Share & Embed

More from this user

Add a Comment

Characters: ...