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Agenda Para Um Novo Brasil

Agenda Para Um Novo Brasil

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Agenda para um novo Brasil - Caetano Araújo e Roberto Freire
Agenda para um novo Brasil - Caetano Araújo e Roberto Freire

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05/07/2013

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Agenda para um novo Brasil
Caetano Pereira de Araujo
*
e RobertoFreire
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 A eleição de outubro próximo acontece num momento crucial para a definiçãodo rumo do Brasil. Estão em jogo o desempenho político, econômico e social nos próximos anos e, conseqüentemente, o papel que o país desempenhará numa ordemmundial caracterizada pela interdependência crescente entre as nações. É possívelaproximar esta eleição, em termos de significado, à ocorrida em 1994. Fica claro hoje,com o benefício da distância, que se defrontaram naquele momento dois projetosdíspares de país. De um lado, em torno de Fernando Henrique Cardoso, o projetoreformista, de ampliação da democracia e consolidação da estabilidade econômica. Deoutro, Lula e o PT com seus aliados, na sua identidade anterior a 2002, num projetoobsoleto de frente popular, cuja efetivação teria levado o Brasil a dilemas econômicos e políticos similares aos que afligem hoje outros países da América Latina.A disjuntiva atual é semelhante. As propostas do campo que se encontra nogoverno mudaram, é verdade, de 1994 para cá, mas o Brasil e o mundo mudaram aindamais. O governismo e sua candidata defendem o modelo administrado por Lula nosúltimos oito anos: desenvolvimento conduzido pelo Estado, em aliança com grandesgrupos empresariais; e política social restrita na prática aos mecanismos de transferênciade renda. Bolsa-empresa mais bolsa-família, uma receita que pode ser consideradaválida em situações pontuais, mas que a social-democracia européia provou esgotadacomo modelo geral há muitos anos, insustentável num mundo cada vez maisglobalizado.Consideramos esse modelo ineficiente e indesejável, nas condições atuais. Naverdade, a tentativa de praticar essa receita no ambiente contemporâneo promoveinevitavelmente tensões e atritos com o ordenamento democrático, uma vez que sua premissa é a concentração de recursos e de poder, nos executivos nacionais, nas grandescorporações e nas cúpulas sindicais. O modelo pareceu viável nos anos recentes graças àherança robusta de reformas legada pelo governo anterior, numa conjunturainternacional que se mostrou favorável na maior parte do período.Do outro lado da disputa, temos a retomada do projeto de reforma do Estado edo aprofundamento da democracia. As candidaturas de oposição, em particular a de JoséSerra, propugnam a mudança. Para enfrentar as demandas cada vez mais exigentes dacidadania no plano interno e os desafios da concorrência no mundo globalizado, paraavançar no rumo da sociedade que queremos todos, com padrões elevados dedemocracia, eqüidade e afluência, a oposição sabe que não basta gerir com eficiência oEstado de que dispomos, é preciso reformá-lo radicalmente, para torná-lo capaz deresponder satisfatoriamente a essas demandas. Nessa perspectiva, apresentamos para discussão ampla a seguinte proposta deagenda para o Brasil. Nosso objetivo é, em linhas gerais, uma sociedade democrática,afluente e eqüitativa; o caminho, a reforma do Estado. Democracia e eqüidade são, comcerteza, valores que perseguimos, objetivos normativos, mas ao mesmo tempo premissas do desenvolvimento possível nas condições de hoje. Nesse sentido,convergimos para o consenso vigente nos foros internacionais: desenvolvimento não éredutível a crescimento econômico, mas abriga como dimensões necessárias aampliação da democracia, a redução das desigualdades e a diretriz da sustentabilidade.
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Sociólogo, professor da UnB, consultor legislativo do Senado e atual presidente da FundaçãoAstrojildo Pereira
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Advogado, ex-senador e ex-deputado federal, atual presidente do Partido Popular Socialista
 
 
A história recente mostrou ao mesmo tempo a necessidade e a insuficiência dosmecanismos de mercado e do Estado para a regulação das relações econômicas esociais. A lacuna que resta só pode ser ocupada pela cidadania organizada, pelatransparência, pelo controle e participação do cidadão. Mercado e Estado precisam para bem funcionar da partilha das decisões e responsabilidades com o cidadão. Por essarazão, a qualidade da democracia hoje é condição do desenvolvimento e é preciso umganho expressivo de qualidade para que a democracia brasileira tenha condições deresponder à altura aos desafios do presente. Na mesma perspectiva, está claro que desenvolvimento, no sentido amplo aquiutilizado, é tarefa complexa que exige o concurso das potencialidades de todos. Manter grande parte da população à margem da produção e do consumo, como faz ainda oBrasil, apesar dos ganhos recentes, é um desperdício criminoso de trabalho e talento,que causa perdas a todos nós. Daí a urgência do avanço no rumo da eqüidade.Sustentabilidade, por sua vez, não mais pode ser vista como um acréscimo politicamente correto ao sistema anterior de produção. O fim da economia baseada nocarbono é fato e o desenvolvimento seguirá a trilha aberta pela mudança da matrizenergética. O Brasil, apesar das enormes vantagens comparativas de que goza nessecampo, está atrasado na formulação e implementação dessa mudança.Democracia, eqüidade e sustentabilidade são os eixos da sociedade que emerge,a sociedade do conhecimento. O atendimento às demandas simultâneas desses eixosimpõe como tarefas centrais na agenda da política educação, ciência, tecnologia einovação. Nosso desempenho no que se refere à ciência e tecnologia ainda está aquémdo necessário, particularmente em relação à tecnologia e inovação. Mas o desempenhodo Brasil em educação, na formação do cidadão e do trabalhador da sociedade doconhecimento, é calamitoso, conforme as comparações internacionais disponíveis. Num mundo de interdependência crescente, as relações internacionais, políticas,comerciais e culturais, assumem importância inédita. Ganham destaque, em especial, os processos de integração regional e a construção e aperfeiçoamento dos organismosresponsáveis pela governança mundial. Ambas as dimensões merecem atuação maisincisiva por parte do futuro governo. Afinal, é cada vez maior o número de decisõesvitais para os interesses brasileiros, positivas e negativas, tomadas ou postergadas noâmbito desses organismos.Uma estratégia reformista de mudança abrange inúmeras dimensões. Estáevidente que precisamos com urgência de reformas em diversos setores e atividades doEstado. Assinalamos, nos limites deste artigo, algumas diretrizes que devem nortear aação estatal nas suas linhas fundamentais, com as correspondentes reformas exigidas.A primeira questão a considerar, pela centralidade que assume no processo demudança é a ampliação e o aprofundamento da democracia. Como antes apontado, nãovemos esse processo apenas como um objetivo normativo, mas como necessidadeimposta pelas condições do desenvolvimento presente. Muito há a caminhar, em termosde aumentar a transparência dos atos governamentais e a participação do cidadão,melhorar a qualidade da representação política, sanar os desequilíbrios enormes entre os poderes da República e os diferentes níveis da Federação. Os avanços institucionaisnessa direção constituem a matéria de uma reforma política.Reforma política é, para nós, um processo demorado, de acumulação progressivade ganhos. O ponto inicial, contudo, que deve ser enfrentado na primeira hora pelo novogoverno é a mudança da legislação eleitoral e partidária. Para romper com a situaçãoatual de partidos fracos e legislativos aquém de suas obrigações constitucionais, paraconseguirmos partidos efetivos e legislativos atuantes, a regra eleitoral deve mudar.
 
O primeiro passo da reforma política deve ser, portanto, a adoção do votodistrital misto, com listas fechadas, alternância de sexos e financiamento público decampanha.Efetuada essa mudança, iniciado o processo de fortalecimento dos partidos e doslegislativos, a questão da mudança do sistema de governo deve ingressar na agenda política brasileira. A superação da hipertrofia do Executivo, bem como o processo deresponsabilização do Legislativo, culmina na adoção do parlamentarismo. Uma opçãoconsciente do eleitor nessa direção deve ser precedida de experiências parlamentaristas,nos âmbitos municipal e estadual, que lhe permitam a manifestação com conhecimentode causa, no decorrer de uma eventual consulta popular.Iniciada a reforma eleitoral e partidária, eliminada, portanto, a demanda políticasobre a gestão de importantes espaços estatais, torna-se possível avançar na reformademocrática do Estado. A proposta Bresser-Pereira de reforma administrativa doEstado, correta no essencial, pecou, de um lado, por não considerar a necessáriamudança prévia na regra eleitoral, de outro por não perceber que o acréscimo de umcomponente gerencial em determinados segmentos do Estado deveria ser acompanhado pelo incremento da participação da sociedade civil organizada.A diretriz geral da reforma democrática do Estado deve contemplar a reduçãodrástica do número de cargos de livre provimento e o fortalecimento simultâneo dosinstrumentos burocráticos, gerenciais e participativos da gestão pública. A partir donovo desenho do Estado, uma série de outras reformas importantes, como a tributária, poderão avançar com maior segurança.A segunda questão é o combate às desigualdades e a procura de ganhos emtermos de eqüidade social, em todas as suas dimensões, inclusive no que diz respeito àregião, gênero e raça. Para respeitar os limites deste artigo, assinalaremos apenasalgumas linhas de política pública com foco nas desigualdades sócio-econômicas.É inegável que nos 25 anos de democracia, particularmente nos 16 últimos anosde estabilidade econômica, conseguimos no Brasil avanços significativos em termos deinclusão social e redução das desigualdades. É preciso reconhecer, no entanto, que aindaestamos longe da situação de eqüidade mínima desejável e necessária. Pobreza eindigência caíram, mas seus percentuais continuam elevados. Além disso, parteimportante dos egressos da indigência alcançaram uma situação de consumo nova,compatível com a própria sobrevivência, mas não foram incluídos de forma plena emtermos de inserção produtiva nem de autonomia cidadã.Para prosseguir no rumo da inclusão precisamos, em primeiro lugar, manter eaperfeiçoar os programas de transferência de renda existentes, com controle maior sobrea seleção de beneficiários e a partilha de responsabilidades por sua implementação comos governos estaduais e municipais. No entanto, como observamos, se esse tipo de programa tem o méritoindubitável de manter os pobres vivos, apresenta o defeito também evidente de manter os pobres na situação de pobreza em que se encontram, sem abrir caminhos de inserção produtiva e de ganho de responsabilidade cidadã. Para avançar nesse rumo, para o iníciode um círculo virtuoso de acumulação de capital social, são necessários outrosinstrumentos.Em primeiro lugar, uma política educacional muito mais incisiva e eficiente quea atual. A implantação da educação em tempo integral é imperativa, assim como amelhoria da qualidade do ensino fundamental e médio. A avaliação periódica dedesempenho deve tornar-se o norte da política educacional, ao identificar as fragilidadesa serem superadas. O desempenho do Brasil em todos os testes internacionais dedesempenho escolar tem-se mantido pífio, com efeitos já observáveis em termos de

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