hoje o sistema educativo português já não têm por isso uma natureza essencialmentequantitativa, de cobertura e acesso, antes se situando num plano eminentemente qualitativo.De facto, apesar do investimento efectuado ao longo das últimas décadas no alargamento darede escolar, na formação de docentes e na diversificação das ofertas formativas, o défice deescolaridade da população portuguesa continua a situar-se em níveis muito elevados. Deacordo com dados da OCDE referentes a 2005, por exemplo, cerca de 64% da populaçãoactiva portuguesa detinha apenas o ensino básico, enquanto a média da OCDE se situava em14%. Mas este atraso não se traduz apenas numa questão geracional, uma vez que somentemetade dos jovens com idades entre os 20 e os 24 anos tinham, em 2005, concluído o ensinosecundário, verificando-se, na faixa etária entre os 18 e os 24 anos, que a taxa de abandonoescolar se situava em 40%. Por último, os dados mais recentes do Relatório PISA (
Project for International Student Assessment
), de 2006, dão conta de uma posição de Portugal que ficaclaramente abaixo da média observada no conjunto de países participantes neste estudo,nomeadamente nos domínios da matemática, leitura e conhecimentos científicos.Mas o relatório PISA veio igualmente demonstrar que a origem socioeconómica dos alunos portugueses tem um peso superior, no desempenho escolar, à média registada nos 57 paísesanalisados, sendo igualmente apontado como factor relevante nos resultados obtidos tendo emconta o nível de habilitações dos pais. Os alunos cujos pais possuíam habilitações superiores(22,5%) revelaram desempenhos que se distanciam claramente dos observados em alunoscujos pais não foram além do terceiro ciclo do ensino básico (cerca de 54%).A diminuição progressiva das taxas de natalidade, com a consequente redução do número dealunos a ingressar no sistema educativo, e a própria consolidação da rede escolar,contribuíram para que se instalasse recentemente na sociedade portuguesa a ideia de que aquestão da educação não era já uma questão de recursos humanos. Esta ideia adquire umsignificado concreto, quando se constata que entre os anos lectivos de 2004/05 e 2006/07, perante uma quebra no total de alunos inscritos no ensino pré-escolar, básico e secundário – que se situa em 0,8% (cerca de 13.500 alunos), a diminuição verificada no número dedocentes atinge contudo os 6,7%, valor que corresponde à diminuição em cerca de 12 milefectivos face ao contingente observado em 2004/05. No ensino público, a variação negativado número de alunos é ainda mais expressiva, situando-se em -1,8% (e sendo de -0,8% avariação observada no ensino privado).
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