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A concepção socialista de educação

A concepção socialista de educação

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Educação & Sociedade, ano XVIII, nº 58, julho/97
A concepção socialista da educação e os atuais paradigmasda qualificação para o trabalho: Notas introdutórias
Rosemary Dore Soares* 
RESUMO: 
A literatura educacional brasileira inspirou-se nas idéi-as socialistas para apresentar propostas alternativas para a es-cola. No entanto, o socialismo real entrou em crise. Viria essa si-tuação abalar os ideais socialistas de uma escola para todos?Neste texto, argumenta-se que o socialismo real, devido às suascontradições internas, não foi, no Brasil, referência para o debatesobre a concepção socialista da escola. Este fundamentou-semais na filosofia política do socialismo do que na prática concretadas sociedades do leste europeu. No entanto, o conceito so-cialista da escola, tanto quanto antes da
débâcle 
do socialismoreal, permanece confuso. A unidade das formações geral e técni-ca, tema relevante desse ideário, vem sendo retomada em facede demandas contemporâneas do capitalismo, no campo da qua-lificação profissional, exigindo novas pesquisas sobre o assunto.
Palavras-chave 
: qualificação para o trabalho, concepção socialista deeducação, crise do socialismo real, novas tecnologias,impactos sobre educaçãoIntroduçãoUm veio pouco discutido na nossa literatura educacional refere-seà análise do conceito socialista de educação no quadro das tendências donovo ordenamento mundial, onde se configura a crise do “socialismo real”.A “nova ordem mundial” pode ser caracterizada, em grandes li-nhas, pelo fim da guerra fria e pela queda do “socialismo real” no les-te europeu; pela crise do Estado do bem-estar social (modelo social-de-mocrata) e pela ascensão do pós-liberalismo,
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com as estratégias parao soerguimento do capitalismo, aliadas à introdução da microeletrônicano processo produtivo, provocando enormes impactos em todas as es-feras da vida social.
*Professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais.
 
Educação & Sociedade, ano XVIII, nº 58, julho/97
143Esse conjunto de mudanças tem apontado para uma questãoparadoxal: no mesmo momento em que o “socialismo real” entra em cri-se, os novos paradigmas de organização do trabalho, surgidos com o de-senvolvimento de novas tecnologias, recolocam o ideal de unidade en-tre as formações técnica e científica, reativando o debate sobre a concep-ção socialista da educação, consubstanciada na proposta da “escola uni-tária”. Tal é a tendência indicada por alguns educadores, segundo osquais a “escola unitária” estaria ganhando força no próprio capitalismo(Saviani 1994; Paiva 1990).Por que se trata de uma questão paradoxal? Primeiro, porque oideal de unidade da escola não é novidade no capitalismo, pois a “es-cola nova” foi uma proposta apresentada com esse objetivo (Soares1992). Segundo, porque esse ideal não se concretizou no capitalismo, emface das suas contradições sociais que dividem a sociedade em gover-nantes e governados, nem no “socialismo real”, cujos conflitos própriosnão possibilitaram realizar o princípio da igualdade social, inerente aoconceito de “unitário” (Gramsci 1978b, p. 125). De que novas condiçõesdispõe hoje a sociedade capitalista para implementar a “escola unitária”?Paradigmas da nova filosofia do trabalhoe concepção socialista da escolaSob diferentes abordagens, seja no campo da sociologia da educa-ção ou da filosofia da educação, por exemplo, muitos pesquisadores têmprocurado investigar os nexos entre as recentes transformações econômi-cas, sociais, políticas e ideológicas e o fenômeno educativo. A preocupa-ção dominante nessas investigações tem se revelado na busca do enten-dimento da natureza das mudanças operadas na produção capitalista enas políticas educacionais formuladas pelo modelo de atuação do Esta-do pós-liberal.
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As reflexões sobre as relações existentes entre as grandes tendên-cias da “nova ordem mundial” e a qualificação educacional mostram que asinovações tecnológicas exercem impactos sobre a educação ao exigir: aqui-sição de possibilidades de pensamento teórico, abstrato; capacidade deanalisar, pensar estrategicamente, planejar e responder com criatividade asituações novas; capacidades sociocomunicativas para desenvolver traba-lho cooperativo em equipe; conhecimentos ampliados que possibilitem aindependência profissional (Paiva 1990, p. 111). A grande maioria das aná-lises sobre a relação entre qualificação educacional e atividade produtiva
 
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aponta para o seguinte fenômeno: a exigência de elevar a escolaridade dotrabalhador, articulando-se formação geral e técnica e rejeitando-se o pre-domínio da especialização, que vigorou até recentemente (Carvalho 1994;Hirata 1994; Saviani 1994; Assis 1994; Pinto 1992; Segnini 1992; Castro1992; Market 1991 e 1992; Baethge 1989; Paiva 1995).A exigência dessa nova qualificação, entretanto, vem sendo asso-ciada a dois motivos contraditórios: elevar a produtividade do capital e res-ponder aos conflitos operários, verificados nos anos 60. O enriquecimen-to das tarefas, forjando o trabalhador polivalente, foi um modo de superaros problemas advindos das lutas operárias contra o trabalho parcelado erepetitivo (Coriat 1978, p. 110), que se manifestavam em greves, ab-sentismo, processos de sabotagem etc. (Ruffier 1978, p. 56). A lutas sindi-cais não tinham como finalidade apenas o aumento salarial. Elas tambémquestionavam a própria organização do trabalho na fábrica (Borzeix 1978,p. 256). A rebelião dos operários levou o empresariado a refletir sobre oscustos econômicos do trabalho do ponto de vista da humanização dotrabalho, da democracia industrial, da reforma da empresa, da melhoriadas condições de trabalho, do enriquecimento das tarefas, da formação deequipes autônomas (
ibid.
, 1978, p. 257).A nova filosofia das relações industriais surge, assim, num con-texto contraditório. Ela resulta da luta dos trabalhadores contra o ca-pitalismo e da estratégia dos empresários para neutralizar os conflitostrabalhistas (Saccardo e Lino 1986, p. 94), adaptando os processos pro-dutivos às atuais condições de concorrência do mercado.Chamou-me a atenção um veio pouco discutido na literatura edu-cacional que focaliza essas transformações do mundo moderno. Trata-seda análise sobre a concepção socialista da educação no quadro das ten-dências desse novo ordenamento mundial. Embora possa ser consideradopolêmico e controverso falar de uma concepção socialista da educação,existem algumas pontuações que ajudam a esclarecer esse tema.O estudo do desenvolvimento histórico da concepção socialista daeducação, na literatura educacional brasileira, é recente. Ele foi surgindona medida em que alguns educadores começaram a buscar, no “campoteórico socialista”, fontes de esclarecimento para fundamentar a formu-lação de projetos democráticos de educação para a sociedade.A noção de “campo teórico socialista” pode ser entendida como oreferencial teórico-metodológico fundado no marxismo, com base no qualforam elaboradas historicamente concepções diferenciadas para a críti-ca do mundo capitalista e do “socialismo real”.
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Trata-se, assim, de um

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Claudio Sousa added this note|
Propaganda do mito stalinista. Sem novidades para os militantes e pesquisadores sérios...

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