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Fascículos-NeuroIII

Fascículos-NeuroIII

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09/09/2010

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NEUROCIÊNCIAS III
I - INTRODUÇÃO
Após uma longaevolução, as neurociências afirmam-se, hoje em dia, como o estudo dosistema nervoso, das suas composições moleculares e bioquímicas, assim como, dasdiferentes manifestações deste sistema, através das nossas actividades intelectuais, taiscomo, a linguagem, o reconhecimento das formas, a resolução de problemas e a planificação das acções. Esta definição remete-nos para ainterdisciplinaridadeque envolveas neurocncias, resultando da interacção de diversas áreas do saber ou disciplinascientíficas como, por exemplo, aneurobiologia,a neurofisiologia, aneuropsicologia, a neurofarmacologia (neuropsicofarmacologia). Tanto do ponto de vista histórico comoteórico não se pode deixar de considerar, também, as contribuições dacibernética. Por suavez, os conhecimentos originados pela investigação em Neurociências aplicam-se adiversas áreas científicas (medicina, psicologia, informática, robótica, …).Se, portanto, se consideram as ciências cognitivas como o estudo da inteligência desde assuas manifestações mais elaboradas e altamente simbólicas até ao substrato biológico dessainteligência, é evidente que uma parte fundamental dessa compreensão dos nossos processos intelectuais envolve o estudo do sistema nervoso que as sustenta. Os fenómenoscognitivos são tão tributários dos mecanismos do cérebro, quanto o é a informaçãofornecida por um computador em relação aos circuitos electrónicos que o formam. Oobjecto das neurociências mantém-se o de descrever, explicar e modelizar os mecanismosneuronais elementares que sustentam qualquer acto cognitivo, perceptivo ou motor. Há, portanto, uma intersecção necessária entre modelos cognitivos e modelos neurológicos: para compreender o cérebro, é tão necessário conhecer o tipo de operações que ele realiza,como os seus desempenhos.Passemos, então, à abordagem das metodologias usadas para o estudo das relações entrecérebro e comportamento. Em primeiro lugar, que definir os objectivos que nos propomos atingir. Por exemplo, pode ter-se como propósito saber como o cérebro processaum determinado tipo de informação, ou medir o efeito de uma lesão, ou avaliar umdeterminado tipo de cnica de reabilitação cognitiva. Posta a questão que pretendeexplorar, o investigador cria um modelo experimental que se adapte à obtenção dosresultados que permitam esclarecer a sua hipótese. A experimentação no campo dasfunções cognitivas pode designar-se por “não invasiva” pois nunca pode existir lesão produzida, nem o uso de substâncias com efeito farmacológico. O que acontece na maioriados laboratórios de pesquisa do mundo é recorrer a doentes que procuram tratamento eonde os achados da observação permitem fazer inferências sobre a função cerebral. Emtermos gerais, o investigador recorre à comparação dos desempenhos de amostras idênticasde pessoas com e sem lesão cerebral.Para estudar doentes lesionados cerebrais os modernos métodos de visualização das lesõescerebrais como a tomografia axial computadorizada (TAC) ou a ressonância magnéticanuclear (RMN) mostram com clareza a região do cérebro afectada pela lesão. Em centrosmais sofisticados o recurso à tomografia de emissão de positrões (PET) permite pôr emevidência a actividade metabólica do cérebro em indivíduos normais e comparar com o queacontece em pessoas com lesão cerebral quando executam uma determinada tarefa. OSPECT (tomografia computorizada de emissão de fotões), por sua vez, permite pôr emevidência o fluxo sanguíneo cerebral.O doente representa, assim, um modelo experimental produzido pela Natureza. Quando severifica que num número razoável de observações se encontra um desvio da normalidade1
 
constantemente relacionável com uma determinada localização da lesão cerebral, oinvestigador pode concluir que essa área do rebro tem um papel importante nodesempenho da função em estudo. No âmbito da disciplina de Neurociências III vamos interessar-nos, sobretudo, por uma dasáreas que contribuem para as Neurociências: a Neuropsicologia Clínica. A Neuropsicologia preocupa-se com o estudo da relão entre a actividade cerebral,sobretudo a do córtex, e os processos psíquicos complexos. A Neuropsicologia Clínica é acomponente prática da Neuropsicologia, uma vez que transporta os conhecimentos obtidosna investigação neuropsicológica para os domínios da avaliação, diagnóstico e tratamentodas patologias do sistema nervoso central.
1.1 - Breve Revisão Histórica
O objectivo deste capítulo, não é fazer a história exaustiva dos conhecimentos, mas antes,salientar os factos mais relevantes para a compreensão dos temas que iremos tratar.Desde sempre o ser humano compreendeu existir uma relação clara entre comportamento efunção cerebral.Crânios comtrepanações feitas em vida (técnica cirúrgica que se destina aabrir a calote craniana para ter acesso ao seu conteúdo), com sinais de cicatrização, foramencontrados em locais que datam de até 10.000 anos atrás. Muito provavelmente, essastrepanações eram feitas com o intuito de possibilitar a saída de maus espíritos, queestariam a atormentar o rebro. Contudo, este achado ganha maior relevância nascivilizações da América do Sul, sobretudo no Peru, na região de Cuzco, onde formaencontrados para cima de 10.000 crânios trepanados com sinais de terem sobrevivido. Háautores que, luz dos conhecimentos actuais sobre densidade populacional desseterritório, afirmam que 47% da população era trepanada. As taxas de sobrevivência a estasintervenções parecem atingir os 85%, o que indicia uma capacidade técnica notável e umgrande domínio sobre as infecções com boas técnicas de assepsia e o uso de substânciasdesinfectantes. Infelizmente, esses conhecimentos perderam-se para a Humanidade entreeste período e os trabalhos de Pasteur, na Europa, já na nossa Era.
Fig. 1:
Trepanação realizada num crânio na América do Sul (Astecas)
Como já foi referido estas intervenções seriam feitas com o objectivo de libertar osespíritos responsáveis pela loucura ou pelas dores de cabeça (cefaleias), mas é possível,também, que se destinassem a tratar doenças como a epilepsia. Este último caso, serámenos provável se tivermos em conta que o número de casos operados é muito superior àtaxa de prevalência desta doença. De qualquer forma, pode aceitar-se a ideia de quehaveria a intenção de intervir na actividade mental manipulando o conteúdo do crânio. Na cultura ocidental, a maior e mais importante prova documental do conhecimento sobreo cérebro foi extraído do famoso Papiro Cirúrgico comprado por Edwin Smith (1822-2
 
1906). Neste há referência a alguns casos de lesões dos hemisférios cerebrais sendoreconhecida a sua relação com algumas alterações funcionais como, por exemplo, amotricidade do lado oposto do corpo e aspectos da coordenação visuomotora. O seu autor  parece ter sido um médico que acompanhou os exércitos egípcios nas suas batalhas, noqual também revela grande pragmatismo na forma como classifica os males do corpo: “osque consigo curar, os que consigo conter e os que não são para tratar”.
Fig.2:
Trecho do Papiro Cirúrgico de Edwin Smith
 No que respeita ao mundo árabe estão descritos alguns esquemas anatómicos que revelamum conhecimento avançado da medicina, sobretudo, no que respeita à função nervosa.O pensamento da Grécia Antiga pode ser considerado o início da cadeia de continuidadeque influenciou o conhecimento actual, quer no campo da filosofia, quer no campo damedicina. Hipócrates (460-379 AC), que consideramos o fundador dos princípios queregem os actos da medicina actual, foi o primeiro filósofo grego a atribuir ao cérebrofunções comportamentais mais elaboradas do que as simples sensações. Acreditava que océrebro era a sede da mente. Preocupou-se, sobretudo, em provar que a epilepsia não eraum mal espiritual, mas uma disfunção do cérebro. Escreveu: "
 Deveria ser sabido que ele éa fonte do nosso prazer, alegria, riso e diversão, assim como, do nosso pesar, dor,ansiedade e lágrimas, e nenhum outro que não o cérebro. É especificamente o órgão quenos dá capacidade de pensar, ver e ouvir, distinguir o feio do belo, o mau do bom, o prazer do desprazer. É o cérebro também que é a sede da loucura e do delírio, dos medose sustos que nos tomam, muitas vezes à noite, mas ás vezes também de dia; é onde jaz acausa da insónia e do sonambulismo, dos pensamentos que não ocorrerão, deveresesquecidos e excentricidades
".Aristóteles (384-322 A.C.) divergiu dos seus contemporâneos e afirmava que o coração erao órgão do pensamento, das percepções e do sentimento, enquanto o rebro seriaimportante para a manuteão da temperatura corporal, agindo como um agenterefrigerador. Aristóteles generalizou uma noção bastante antiga em todas as civilizações,de que a sede das emoções seria o coração. Hoje, ainda somos influenciados por estanoção, quando nos referimos ao símbolo do amor como sendo um coração, quandodizemos que estamos de "coração partido" ou de "coração pesado", que gostamos de algo"do coração". Isto, provavelmente, deve-se ao facto de a activação do sistema nervosoautónomo simpático, que ocorre na expressão das emoções, alterar de forma evidente afrequência e intensidade dos batimentos cardíacos.Galeno (200-130 a.C.) rejeitou as ideias de Aristóteles, atribuindo ao cérebro todas asfunções. Embora numa visão bem diferente da que temos actualmente, foi Galeno quemtrouxe ao conhecimento cienfico as explicões que permitiram começar a daimportância ao cérebro como órgão fundamental e central.3

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