Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
40Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Química - Cadernos Temáticos - Remédios

Química - Cadernos Temáticos - Remédios

Ratings:

5.0

(5)
|Views: 27,626|Likes:
Published by Quimica Passei

More info:

Published by: Quimica Passei on Jul 01, 2008
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

06/13/2013

pdf

text

original

 
4
Cadernos Temáticos de Química Nova na EscolaN° 3 Maio 2001
Eliezer J. Barreiro
Geralmente temos por hábito chamar os fármacos de remédios. Entretanto, a origem da palavra latina
 remediare
significando remediar e não curar, exige que hoje em dia nos habituemos a chamá-los de fármacos ou medicamentos,sendo a distinção ao nível do princípio ativo,
 i.e.
fármaco, que uma vez formulado traduz-se no medicamento que utilizamos.Esta denominação é a mais correta por traduzir melhor o papel desempenhado pelos fármacos disponíveis no arsenalterapêutico moderno, capazes de efetivamente curar, mais do que remediar. Exatamente para destacarmos este pontointitulamos este artigo “Sobre a química dos remédios, dos fármacos e dos medicamentos”.fármacos, origem dos fármacos, química medicinal
Introdução: o início
D
esde tempos imemoriais ahumanidade aprendeu a utilizaras propriedades biológicas desubstâncias químicas exógenas
1
, emrituais festivos, na cura de doenças emesmo como veneno. A maioria des-tas substâncias era empregada em po-ções, preparadas na maioria das vezesa partir de plantas.Galeno (129-199 aC), o fundador daFarmácia, divulgou o uso de extratosvegetais para a cura de diversos males,emprestando o nome às formulaçõesfarmacêuticas, denominadas fórmulasgalênicas. Por volta do século XV, coma descoberta da imprensa, suas teoriasforam divulgadas e surgiram os primei-ros embriões das farmacopéias, os her-bários, reunindo o conhecimento acu-mulado sobre o uso dos
 remédios
deorigem vegetal. A Humanidade aprendeu a usar asplantas utilizando chás de origem ve-getal para curar ou como bebida sa-grada, em rituais e festividades pagãs,identificando suas propriedades aluci-nógenas ou afrodisíacas. De fato, inú-meros alcalóides indólicos ocorrem emplantas empregadas pelos índios emsuas comemorações. Muitos dos com-ponentes químicos destas plantas fo-ram identificados, posteriormente,como substâncias extremamenteativas no sistema nervoso central(SNC), como o harmano e a harmina(Figura 1). Esta atividade central deve-se à semelhança existente entre suasestruturas e a serotonina, tambémdenominada 5-hidroxitriptamina, umneurotransmissor que possui umnúcleo indólico (Figura 1).Para caçar ou pescar, os ameríndiossabiam empregar poções capazes deenvenenar ou simplesmente imobilizarsua presa, sem que houvesse mani-festação de efeitos tóxicos ao comê-
Figura 1: Alcalóides alucinogênicos com o núcleo indólico estruturalmente aparentados àserotonina (5-hidroxitriptamina).
Dos fármacos aos medicamentos
 
5
Cadernos Temáticos de Química Nova na EscolaN° 3 Maio 2001
la. Como exemplo temos as plantascom propriedades ictiotóxicas (subs-tâncias com toxicidade para os peixes),conhecidas pelos índios da Amazônia,que as empregavam como timbós
2
. Ocurare, alcalóide tetraidroquinolínicooriginário da flora da América do Sul,inspirou os bloqueadores ganglionaresrepresentados entre outros pelo hexa-metônio (Esquema 1).Talvez uma das plantas mais anti-gas empregadas pelo homem seja a
Papaver somniferum,
que originou oópio e contém alcalóides e substânciasnaturais de caráter básico, como amorfina. O ópio era conhecido das ci-vilizações antigas, havendo relatos queconfirmam seu uso desde 400 aC.Galeno prescrevia o ópio para doresde cabeça, epilepsia, asma, cólicas, fe-bre e até mesmo para estados melan-cólicos. O uso do ópio foi vulgarizadoprincipalmente por Paracelsus, no sé-culo XVI, como analgésico.Os estudos químicos sobre o ópiocomeçaram no século XIX, e em 1804 Armand Séquin isolou seu principalcomponente, a morfina, batizada emhomenagem ao deus grego do sono,Morpheu. Esta substância, com estru-tura química particular, tornou-se omais poderoso e potente analgésicoconhecido e em 1853, com o uso dasseringas hipodérmicas, seu empregofoi disseminado. A estrutura química damorfina foi elucidada em 1923 porRobert Robinson e colaboradores. Suasíntese foi descrita em 1952, cento equarenta e oito anos após seu isola-mento por Séquin (Figura 2).Embora reconhecida como podero-so analgésico de ação central, a morfi-na provoca tolerância, fenômeno quese manifesta pela necessidade deutilizar doses progressivamente maio-res para se obter os mesmos resulta-dos. A tolerância pode provocar de-pendência física, responsável pelas se-veras síndromes de abstinência nomorfinômano. O reconhecimento des-tas propriedades nocivas fez a Organi-zação Mundial de Saúde (OMS) reco-mendar seu uso somente em casosespecíficos, como no alívio das doresde certos tumores centrais em pacien-tes com câncer terminal.Entretanto, a partir da estrutura quí-mica da morfina, identificaram-se po-tentes analgésicos centrais de uso
Dos fármacos aos medicamentos
Figura 2: Morfina, indicando diferentes formatos de visualização de sua estrutura tridimen-sional, em a) mostrando os átomos de oxigênio em vermelho e nitrogênio em azul, omitindoos átomos de hidrogênio; b) indicando os átomos de hidrogênio (branco) e destacando,em verde, o ciclo nitrogenado de seis átomos, piperidina; c) modelo de volume molecular,omitindo os átomos de hidrogênio; em azul o átomo de nitrogênio e em vermelho os átomosde oxigênio. (WebLabViewer 2.0).
mais seguro, representados pela clas-se das 4-fenilpiperidinas (Figura 3). A imensa flora americana deu signi-ficativas contribuições à terapêutica,como a descoberta da lobelina (Figura4) em
Lobelia nicotinaefolia
, usada portribos indígenas que fumavam suas fo-lhas secas para aliviar os sintomas daasma. A quinina, um dos principais com-ponentes da casca de
Cinchonaofficinalis,
há muito tempo era conhecidapelos amerindíos como anti-térmico(Figuras 5 e 6). Este alcalóide quinolínicooriginou os fármacos anti-maláricoscomo a cloroquina e mefloquina.Os primeiros anti-maláricos desco-bertos possuíam em sua estrutura umsistema aza-heterocíclíco, inicialmenteacridínico (por exmplo a quinacrina) ouquinolínico, imitando aquele presenteno produto natural (Esquema 2). Osderivados quinolínicos originais perten-ciam à classe das 4-amino ou 8-amino-quinolinas (como a cloroquina, prima-quina).
Esquema 1.
 
6
Cadernos Temáticos de Química Nova na EscolaN° 3 Maio 2001
 A mefloquina, também um derivadoanti-malárico que possui o sistema qui-nolínico, descoberto mais recentemen-te, tem um maior índice de similaridadeestrutural com o produto natural, apre-sentando em sua estrutura o sistemaquinolinil-piperidinometanol, oriundodo esqueleto rubano da quinina,substituído por dois grupamentos tri-fluormetila em C-2 e C-8. Esta subs-tância foi descoberta no Instituto WalterReed do exército americano, nos EUA,para ser administrado em uma únicadose diária (Figura 7).O mais espetacular exemplo decomplexidade molecular em um pro-duto natural não-proteico é a palito-xina, isolada de corais
Palythoatuberculosa
. Em concentrações pico-molares a palitoxina é capaz demodificar significativamente a permea-bilidade de cátions pela membranacelular, atuando, aparentemente,como uma ATPase de membrana,inibindo a bomba de Na
+
 /K
+
(Esque-ma 3).
O modelo chave-fechadura
 A ação biológica das substânciasexógenas no organismo intrigou inú-meros pesquisadores desde há muitotempo. Entretanto, foi Emil Fisher quemformulou um modelo pioneiro, capazde permitir uma racionalização dosefeitos das substâncias, exógenas ounão, no organismo. Este modelo, co-nhecido como “chave-fechadura”,contém um conceito fundamental queaté hoje vigora, a despeito dos seus100 anos (Figura 8). Fisher definiu queas moléculas dos compostos ativos noorganismo seriam chaves, que intera-giriam com macromoléculas do próprioorganismo (bioreceptores) que seriamas fechaduras. Desta interação chave-fechadura teríamos a resposta farma-cológica de substâncias endógenas
Dos fármacos aos medicamentos
Figura 4: Lobelina, isolada de
Lobeliaceae
, indicando, à direita, uma visão estérica de suaestrutura. Em azul o átomo de nitrogênio, em vermelho os átomos de oxigênio, em brancoos átomos de hidrogênio e em cinza os átomos de carbono (WebLabViewer 2.0).Figura 5: Estrutura da quinina.Figura 3: A origem dos analgésicos 4-fenilpiperidíncos a partir da estrutura da morfina: oanel piperidínico, em azul, substituído em C-4 no alcalóide por uma unidade fenila (verde)e um átomo de carbono quaternário oxigenado (a, em vermelho).Esquema 2.

Activity (40)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 hundred reads
1 thousand reads
Carolina Cortês liked this
Geanny Jardim liked this
Marilene Silva Fontes added this note
Através deste site, pude fazer muitas pesquisas para a feira de ciências da escola em que eu trabalho. Muito obrigado! Continuem assim, nos dando vários materiais de estudo.
Jael Saray added this note
gosteei mtoo, <3
Alda Sousa liked this

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->