restaura o homem à condição de filho de Deus, conferindo-lhe paternidade divina,dando-lhe uma santa e gozosa fraternidade na casa do Pai: relativamente aqui eabsolutamente na eternidade.Esquecer não se deve que o homem é um ser muito complexo: composto domaterial e do espiritual; do irracional e do racional; do cognitivo e do instintivo; dotransitório e do eterno; do destinado ao pó e do ordenado aos céus. Com a queda, umelemento perturbador, o pecado, entrou na natureza humana, complicando ainda mais oque já era muito complicado. Agora podemos dizer, referindo-nos ao salvo em Cristo,que o homem é, simultaneamente, santo e pecador: santo por justificação e pecador pornatureza. Espiritual e psicologicamente o homem oscila hoje, a partir de si mesmo, entreDeus e o ego; entre o ego e o tu(pessoa íntima, interativa); entre o ego e o outro(pessoamenos íntima). A centralização em Deus fica-lhe extremamente difícil; somente a graçarestaura-lhe a comunhão com Deus.
DE IMAGEM DE DEUS À IMAGEM DE SI MESMO
O homem, segundo as Escrituras, veio à existência trazido pelas mãos de Deuspara ser instrumento da vontade do Criador, servi-lo e cultuá-lo com todas as suas forçase potencialidades: inteligência, razão, memória, dons, criatividade, produtividade,liderança e espiritualidade. A auto-suficiência, o egocentrismo e a egolatria são desviosdecorrentes da queda. O tentador induziu o ser humano a deslocar o centro controladorde sua vida do Criador para a criatura. Sem a bússola divina a humanidade perdeu-se.Aquele que antes se voltava para o Senhor, voltou-se para si mesmo, ensimesmou-se,sensualizou-se, materializou-se, endeusou-se. Impotente, insuficiente, inábil e incapazde gerir-se, torna-se vítima da malignidade pessoal e alheia, tem seu mecanismo deorientação danificado, desorienta-se, fica à deriva, angustia-se. Os sentidos, bases falsasde seus rumos vitais e comportamentais, dão-lhe imensas alegrias sensuais e lhe causamsofrimentos insuportáveis.
GLORIFICAR A DEUS
De Deus procede todo a benignidade, plena na semente original e rudimentar nahumanidade reprovada. O Criador honrou e glorificou o homem( Sl 8), criando-o à suaimagem e semelhança( Gn 1. 27), conferindo-lhe majestade e grandeza, dotando-lheincríveis poderes, todos, porém, limitados aos propósitos divinos. O pecado afasta acriatura de seu Criador e o conflita com o semelhante. Em Cristo, porém, os eleitos sãoregenerados e reconciliados com Deus. Agora, na pessoa do Filho, o Pai diz a cadaredimido:
“Tu és meu filho amado, tua vida me dá prazer”.
Cada regenerado em Cristotorna-se uma glória para o Salvador e uma honra ao seu nome. Glorificar a Deussignifica dedicar-lhe submissão, obediência, respeito, adoração e serviço, virtudes dosagraciados com a redenção. O servo de Cristo é perene glorificador de Deus. Aharmonia consistente e permanente entre o Redentor e os redimidos é a forma mais vivae existencial de adoração e louvor. Quem pode dizer pelo Espírito:
“Já não sou eu quemvive, mas Cristo vive em mim”( Gl 2.20),
este voltou a ser imagem e semelhança deDeus, entrou no gozo eterno de seu Senhor.
GOZÁ-LO PARA SEMPRE
Receber as bênçãos de Deus e ser-lhe bênção é gozá-lo aqui, no tempo que sechama hoje, e na eternidade. Aquele em quem o Espírito habita experimenta opermanente gozo de estar em Cristo, servi-lo ativamente e alegrar-se nele