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A Família no Antigo Regime

A Família no Antigo Regime

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05/04/2013

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Introdução
Quando me propus a pegar neste tema para fazer um trabalho no âmbito dacadeira de História Moderna (Economia e Sociedade), fui imediatamente fazer o que um bom aprendiz de historiador deve fazer: pesquisar sobre a matéria. Assim fiz. De facto,como em tudo o que nos é novidade, fiquei fascinado com o tema. Mas mais ainda por se tratar de um tema em que os adeptos e defensores da Nova História podem aplicar toda a sua vasta teoria e dialéctica; é um tema que atravessa transversalmente umnúmero considerável de disciplinas científicas, tais como, entre outras, a História, aEtnologia e a Sociologia.Fiquei igualmente intrigado com o número já considerável de obras sobre aFamília durante o Antigo Regime. Apesar de, ainda, como alguns autores referem, osestudos sobre esta matéria estarem no seu ínicio. Seja como for, encontrei obras sobejas para fazer uma boa pesquisa bibliográfica para conduzir o meu trabalho.Tendo em conta uma série de aspectos, que passo a enumerar: 1 – a vasta bibliografia sobre o tema; 2 – a própria vastidão do tema, que dá origens a teses; 3 – quea nossa cadeira é generalista e não se cinge à História de Portugal; 4 – dado que a maior  parte da bibliografia que se encontra sobre o tema é originária em França e fala particularmente do caso francês; tendo em conta este aspectos, é apenas natural que eutenha visto o caso francês com mais ênfase, o que não quer dizer que só vá falar dele.Mas falarei dele com mais especificidade.Porém, nem assim a tarefa se adivinhou fácil. Dada a extensão, como já referiacima, e a exaustão com que alguns autores abordam a temática, tive de optar por tentar ser o mais objectivo e sucinto possível, deixando, talvez, algumas questões da temática por tratar.Centrei a minha pesquisa em três obras principais:
 A Vida Conjugal no Antigo Regime,
de François Lebrun,
 A História da Família,
obra dirigida Por André Bruguière,a
 História de Portugal 
dirigida por José Mattoso, da Lexicultural, edição de 2002, e a
 Nova História de Portuga,
dirigida por Joel Serrão e A.H. de Oliveira Marques.A primeira,
 A Vida Conjugal no Antigo Regime,
de François Lebrun, é umverdadeiro tratado para quem se queira inteirar sobre este assunto. Faz uma abordagemmuito completa ao tema, desde o início, ou seja, a escolha dos nubentes e o casamento,até aos métodos contraceptivos que vigoravam na época, passando pela caracterização1
 
da família propriamente dita, pelas relações entre os elementos do agregado, pelasexualidade, entre outros. Porém, é uma obra que fala do caso francês e somente deste.Outra das obras de que me muni foi
 A História da Família,
obra dirigida por André Burguière, e onde François Lebrun pontifica novamente ao escrever a meias comBurguière o capítulo
 As mil e uma famílias da Europa
, capítulo que mais trabalhei e quemais interessava para o meu trabalho, julgo eu. Esta obra já aborda, como, aliás, o títulodo capítulo indica, a Família do Antigo Regime na Europa, não se cingindo somente aocaso francês.As duas obras de História de Portugal tiveram como objectivo a busca de umsignificado mais amplo e menos específico sobre o tema, ou seja, que me deixasse umaimpressão mais concisa sobre o tema, o que, de facto, veio a acontecer.2
 
1ª ParteO Casamento – Um Contrato Entre Duas Partes
O casamento tinha três funções essenciais no seio da sociedade do AntigoRegime; a procriação, o prosseguimento da linhagem e o interesse económico.A primeira, a procriação, liga-se directamente com as duas seguintes. Com o prosseguimento da linhagem, pois devehaver um filho vao que assuma asresponsabilidades de prosseguir a viabilidade económica da família. E com o interesseeconómico, por uma razão que ainda hoje uma franja mais conservadora da sociedadeconsidera como essencial: a existência de mão-de-obra para laborar.Ou seja, o casamento era tudo menos idílico. Nada de amor, muitaobjectividade. O casamento era, na sua essência, um acordo entre o pai de um rapaz e o pai de uma rapariga, isto é, um acordo estrictamente económico de viabilização dasfamílias. Por algumas razões práticas; primeiro, garante que haja mão-de-obra para a produção (François Lebrun diz “Unidade de consumo, a família é, também, unidade de produção. Isto é verdade sobretudo no campo, em que a exploração agrícola é, quase por definição, uma exploração familiar.”
1
), segundo, garante uma unidade familiar ela própria passível de geração de riqueza.Maria João Lourenço Pereira afirma que “no mundo rural, o casamento erasobretudo uma forma de reprodução e produção de filhos que sustentassem o trabalhofamiliar. Para a burguesia, o casamento servia de motor para a ascensão social dafamília, através da ligação a outra família mais rica ou mais poderosa. No topo da pirâmide social, o casamento significava a construção e sustentação de uma linhagem.”
2 
Ou seja, através de alguns testemunhos anteriores e deste de Maria João LourençoPereira podemos inferir o que se disse ao início, sobre a pouca relação que ummatrimónio tinha com o afecto, com o amor. Era, sobretudo, uma relação económica oude carácter de propagação da linhagem.
1
Lebrun, François,
 A Vida Conjugal no Antigo Regime
, Edições Rolim, Trad. de M. Carolina QueriogaRamos N., Fevereiro de 1983.
2
 
Maria João Lourenço Pereira,
 Nova História de Portugal 
, Volume 5 – Portugal, do Renascimento àCrise Dinástica, volume coordenado por João José Alves Dias, direcção de Joel Serrão e A.H. de OliveiraMarques, Editorial Presença, Lisboa, 1ª edição, Maio, 1998.
3

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