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Expresso - Atual - Sobre a Questão Cigana n.º1978 - 25 Setembro 2010 -

Expresso - Atual - Sobre a Questão Cigana n.º1978 - 25 Setembro 2010 -

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N°1978 Expresso
25 SETEMBRO 2010
A questão cigana - Ensaio de José Gabriel Pereira Bastos
 
 A decisão do Presidente Sarkozy de expulsaros ciganos não é um caso circunstancial, insere-senuma longa história de racismo e ciganofobia
cendente de imigrantes não-ciganos da Hungria, sr. Sarkozy. .Se a expulsão "voluntária" é uma novidade, a "expulsão invo-luntária" (isto é, pleonástica) já vinha a ser utilizada, em Itália,pelo sr. Berlusconi e, mais recentemente, na Dinamarca. Ficouentretanto para trás, no Grande Esquecimento (i)Mediático, a ne-gociação política entre Estados, que permitiu à Alemanha condi-cionar a integração da Roménia na União Europeia à desintegra-ção na Alemanha de mais de cem mil romenos (em grande parteciganos, mas não só), reenviando-os para as 'origens'. Uma estraté-gia de sucesso que levou a Alemanha a reincidir, reenviando parao Kosovo mais de seis mil ciganos fugidos da limpeza étnica quesobre eles incidiu, a coberto da guerra civil, estando mais doze milem fila de espera. Andando ainda mais para trás, encontramosoutra estratégia criativa, o não-reconhecimento como cidadãos daRepública Checa dos ciganos que viviam na Checoslováquia, como propósito óbvio e inovador de criar uma nova vaga de apátridas.E mais ainda para trás, surge, após a Segunda Guerra Mundial, omais escamoteada^possível, a esterilização forçada dos ciganos, naSuécia e na Finlândia, algo de que a Suécia veio a pedir desculpaspúblicas, já nos anos 70. Sem ser como crime de Estado, a esterili-zação forçada de ciganos foi registada no nível da iniciativa priva-
do e do empreendedorismo racial na Hungria, na Eslováquia e na
Republica Checa.empre ideologicamente fecunda e sur-preendente, a França dos Direitos do Ho-mem acaba de dar um passo em frenteno enriquecimento do imaginário do ra-cismo europeu, ao inventar, já em plenoséculo XXI, o conceito de expulsão "vo-luntária" e remunerada, para ciganosdos novos membros da União Europeia(Roménia e Bulgária), um conceito seleti- vo introduzido por um Presidente des-
SOBRE
 A QUESTÃO
CIGANA 
José GabrielPereira Bastos
 Antropólogo
Professor na UniversidadeNova de Lisboa e cofunda-dor do Centro de Estudosde Migrações e MinoriasÉtnicas. Coautor de"Portugal Multicultural"e "Sintrenses Ciganos"
 
EM RELAÇÃOAOS CIGANOS,OS PODERESACTUAM PELALÓGICA DO'?APARTHEID'
O
sr.
Sarkozy está muito indignado com a 'insinuação' de que assuas novas políticas raciais se situem na sequência das políticasraciais do Governo colaboracionista de Vichy, já que não recorreu acampos de internamento e ao envio de ciganos para câmaras de gásna Polónia, como então estava em voga, como política de extermí-nio. E tem toda a razão, os franceses nunca precisaram dos alemãespara promover políticas racializantes e discriminatórias. Alei de 16de julho de 1912 criou um regime de exceção para o exercício dasprofissões ambulantes e para regulamentar a circulação dos nóma-das, regime esse que introduziu, para estes últimos, a 'cadernetaantropométrica' individual, para os maiores de 13 anos, e medidasde controlo policial, como o visto obrigatório postado nessa cader-neta à entrada e saída de cada comuna que atravessassem. É com base neste 'recenseamento' discriminatório dos ciganos nómadasde França que entre 1939 e 1946 os 'nómadas' foram aprisionadosem mais de 70 'campos de internamentos, parte deles promovidosao nível superior do projeto eugénico e forçados a integrarem omeio milhão de ciganos massacrados pelo Holocausto.Perdido este filão, os franceses inventaram, com a lei de 3 de janeiro de 1969 as "gens du voyage" e fizeram desaparecer, como pormagia, os ciganos, promovendo-os de 'nómadas' a 'viajantes', algocomum com os campistas, caravanistas e turistas itinerantes. Foi umgrande avanço, na medida em que ser 'nómada' era algo de muito'primitivo', o grau inferior da evolução, segundo a lição de Condorcet.Cientistas sociais, como Alain Reyniers, eventualmente acusá- veis de antigalicismo primário por patriotas, insistem, no entanto,que a lei de 1969 "permanece fundada sobre as mesmas considera-ções da lei precedente: a presunção de que os nómadas consti-tuem uma classe perigosa que é necessário identificar e controlarnas suas atividades". Acontece que as "gens du voyage" francesas,agora já com quatro diferentes cadernetas de viagem', se permiti-ram escamotear a categoria cigano' vieram reforçar a categorianómada': o Ministério do Interior, desde 1968, começou a incenti- var os municípios com mais de cinco mil habitantes para que crias-sem na periferia das cidades "parques de estacionamento paranómadas", uma nova forma de 'internamento' em viagem, uma vez que, sem nomear a palavra cigano', dava em troca a possibili-dade de os expulsar do município caso tentassem usar a liberdadepara estacionar fora desses 'parques nómadas'.Nesta fase histórica, com a invenção das "gens du voyage", emFrança, e dos "travellers", em Inglaterra, assistimos à extinção ca-tegorial dos ciganos destes dois países. A forma mais drástica desta

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