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Acumulação Integral e Mais-Violência na Contemporaneidade - Lisandro Braga

Acumulação Integral e Mais-Violência na Contemporaneidade - Lisandro Braga

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regimes de acumulação, especificamente
o integral (Viana, 2009), as mudanças na
organização do trabalho ocorridas nele e seu
caráter gerador de mais-violência para a
vida (tanto física quanto psíquica) da classe
operária a partir do conceito acumulação
integral e do método dialético. Isso significa
que as relações de trabalho serão explicadas
a partir de suas determinações e pela forma
como elas se inserem na totalidade das
relações sociais visando encontrar sua
determinação fundamental e sua dinâmica
na contemporaneidade. Nesse sentido,
analisaremos a organização do trabalho a
partir das relações de classe entre burguesia
e proletariado.
regimes de acumulação, especificamente
o integral (Viana, 2009), as mudanças na
organização do trabalho ocorridas nele e seu
caráter gerador de mais-violência para a
vida (tanto física quanto psíquica) da classe
operária a partir do conceito acumulação
integral e do método dialético. Isso significa
que as relações de trabalho serão explicadas
a partir de suas determinações e pela forma
como elas se inserem na totalidade das
relações sociais visando encontrar sua
determinação fundamental e sua dinâmica
na contemporaneidade. Nesse sentido,
analisaremos a organização do trabalho a
partir das relações de classe entre burguesia
e proletariado.

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Revista Enfrentamento – n
o
04, Jul./Dez. 2009 4

LisandroBraga*
 No presente artigo pretende-se discutiros regimes de acumulação, especificamenteo integral (Viana, 2009), as mudanças naorganização do trabalho ocorridas nele e seucaráter gerador de mais-violência para avida (tanto física quanto psíquica) da classeoperária a partir do conceito
acumulaçãointegral
e do método dialético. Isso significaque as relações de trabalho serão explicadasa partir de suas determinações e pela formacomo elas se inserem na totalidade dasrelações sociais visando encontrar suadeterminação fundamental e sua dinâmicana contemporaneidade. Nesse sentido,analisaremos a organização do trabalho apartir das relações de classe entre burguesiae proletariado.O que é um regime de acumulação equal é a importância desse conceito para acompreensão das relações de trabalho nasociedade capitalista contemporânea? Atentativa de responder essa questãoconsistirá no “ponta-pé” inicial para odesenvolvimento de todo o nosso raciocínionesse artigo.O termo “regime de acumulação” nãoé um termo antigo e nem tão poucoconsensual entre os diversos teóricos que outilizaram em suas análises sobre odesenvolvimento do capitalismo. Nossoobjetivo aqui não é realizar uma profundadiscussão teórica acerca dos regimes deacumulação, mas apenas resgatar algumasdelas com intuito de encontrar a melhordefinição que nos sirva para o propósitodeste artigo. Nas inúmeras análises sobre odesenvolvimento do capitalismo podemosencontrar diversas periodizações dessemodo de produção desde as maisconservadoras (Rostow) às limitadas efetichistas (Frank). Contentaremo-nos emdiscutir com apenas dois autores: RabahBenakouche e Nildo Viana.Iniciaremos com uma discussão acercadas categorias totalidade e determinaçãofundamental. De acordo com o materialismohistórico dialético, a totalidade é o queabarca o todo e esse é a sociedade, porém asociedade é formada por diversas partes que,necessariamente, estão ligadas umas àsoutras exercendo múltiplas determinaçõessobre elas, mas uma dessas exerce uma“determinação fundamental” sobre asdemais, ou seja, sobre o todo (a sociedade)
1
.Ocorre, porém, que em todas associedades o modo de produção exerce umadeterminação fundamental visto que os sereshumanos são, para continuarem a existir,coagidos a produzirem e reproduzirem suascondições materiais de existência e esse é osegundo pressuposto da história humana,visto que o primeiro pressuposto é a própriaexistência de seres humanos vivos (Marx eEngels, 2002). Assim sendo, o modo deprodução condiciona as demais esferas davida social uma vez que exerce umadeterminação fundamental.O que pretendemos demonstraradiante é que as relações de trabalho nacontemporaneidade é uma totalidadeformada por diversas partes, tais como asociedade capitalista contemporânea, oregime de acumulação integral, o modo deprodução capitalista etc. Esse último,marcado essencialmente pela luta de classesentre burguesia e proletariado, é suadeterminação fundamental. Com o intuito deesclarecer essa realidade específica, ou seja,a acumulação integral, a mais-violênciagerada no trabalho e a resistência operáriana contemporaneidade, iremos, a seguir,discutir o que são os regimes deacumulão,caracterizar o regime deacumulação integral, suas especificidades na
1
O método dialético recebe várias abordagens,sobreperspectivas diferentes. Sobre o conceito detotalidade pode-se consultar as contribuições deKarl Marx, Karl Korsch, Lukács, Kosik etc. Sobreo conceito determinação fundamental, o mesmo foidesenvolvido por Hegel e em Marx aparece comoessência.
 
Revista Enfrentamento – n
o
07, Jul./Dez.2009 5forma organizacional do trabalho e a mais-violência derivada daí.
Regimes de Acumulação e Organizaçãodo Trabalho 
Karl Marx ao analisar a históriahumana com o intuito de compreenderocapitalismo constatou que a história dahumanidade é a história da sucessão dosmodos de produção. A superação de ummodo de produção significa uma rupturahistórica profunda e o surgimento desociedades radicalmente diferenciadas,oriundas de um processo revolucionário.Essa constatação e sua teorização foramrealizadas por Marx e está contida no“Prefácio à Crítica da Economia Política”,que assim afirma:
(...) Em uma certa etapa de seudesenvolvimento, as forças produtivasmateriais da sociedade entram emcontradição com as relações deprodução existentes ou, o que nadamais é que a sua expressão jurídica,com as relações de propriedade dentrodas quais aquelas até então tinham semovido. De formas dedesenvolvimento das forças produtivasessas relações se transformam em seusgrilhões. Sobrevém então uma épocade revolução social. Com atransformação da base econômica, todaa enorme superestrutura se transformacom maior ou menor rapidez (...)(1983, 24-25).
Ao contrário do que ocorre em umcontexto derevolução social, a mudança deum regime de acumulação para outro nãorepresenta uma transformação, mas tãosomente mudanças no interior de um mesmomodo de produção, portanto o que ocorre é
uma mudança no interior deuma permanência, o que significa que,em sentido amplo, não há ruptura enem radicalidade no processo demudança. A sucessão de regimes deacumulação explicita a manutenção domodo de produção capitalista e de seuselementos característicosfundamentais, e a substituição de umregime por outro é marcada, no fundo,pela realização do objetivo de manteras relações de produção capitalistas epelo aprofundamento de tendências jáexistentes no regime anterior, seguindoa dinâmica da acumulação de capital(Viana, 2009, 15).
Benakouche contribui com umaanálise do desenvolvimento capitalista aoafirmar que as formas de expansão do modode produção capitalista estão em constantesmudanças e que tais mudanças é uma dasprincipais características desse modo deprodução. Segundo esse autor
os modos eas formas deacumulação do capital, e, portanto, osmodos de extração da mais-valia e asformas que assumem as relaçõessociais (inclusive as relações salariais)mudam em função da evolução docapitalismo. E se os modos e as formasde acumulação do capital mudam otempo todo, seus elementos dearticulação, tais como os modos deextração de mais-valia, as formas dasrelações sociais, as formas da estruturade produção ou hierarquização dosistema produtivo nacional, os modos eas formas de organização do processode trabalho, o nível e o tipo dedesenvolvimento das forças produtivas,as formas do Estado, a estrutura socialou os modos e as formas da luta declasses, os tipos e as formas dedominação nas relações econômicasinternacionais ... evoluem ou mudamem função do grau atingido pelodesenvolvimento do capitalismo(BENAKOUCHE, 1980, 23-24 ).
 Apesar da interessante análiserealizada por Benakouche,a mesma possuialgunslimites. Um deles é o de apresentarde forma metafísica o desenvolvimento docapitalismo, visto que seu motor, a luta declasses, é apenas mencionado, mas emmomento algum sua dinâmica econtribuição para a transformação éexplicitada. Dessa forma,sua análise acabapor possuir um caráter fetichista. Logo,
ao tomar o desenvolvimentocapitalista como algo autônomo eindependente, Benakouche focaliza odesenvolvimento tendencialespontâneo do capitalismo e deixa de
 
Revista Enfrentamento – n
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07, Jul./Dez.2009 6
lado o papel da luta de classes nesteprocesso, modificando a dinâmica detal desenvolvimento (VIANA, 2009,27).
De acordo com Viana, “um regime deacumulação é um determinado estágio dodesenvolvimento capitalista, marcado pordeterminada forma de organização dotrabalho (processo de valorização),determinada forma estatal e determinadaforma de exploração internacional”(VIANA, 2009,p. 30). Segundo esse autor,o que é fundamental na compreensão de umregime de acumulação é a existência da lutade classes nos três casos (organização dotrabalho, forma estatal e forma deexploração internacional). Para ele,a luta declasses permanece “relativamente estável”,pois, apesar da vitória parcial da burguesia,a luta histórica do proletariado, nos diversosregimes de acumulação, “não tem permitidoa intensificação da exploração e mantêmavanços e recuos dentro de uma relaçãorelativamente estável e estabelecida (...).Senão houvesse a resistência operária e deoutras classes sociais, a exploração seriaintensificada continuamente” (Idem, 30). Aresistência operária, portanto, impossibilitaque a exploração adquira um caráter maisbárbaro do que o já existente, pois, docontrário, a intensificação e precarização dotrabalho atingiria níveis ainda maisinsuportáveis para a integridade física epsíquica do proletariado.Nesse sentido, o regime deacumulação é a forma que o capitalismoadquire, em momentos históricosespecíficos, para promover sua metaessencial: a produção de mais-valor. Boaparte do mais-valor convertido em capital éutilizado pela burguesia para expansãoampliada dos seus lucros e isso desdobra-seem acumulação, concentração ecentralização de capital. Nessedesdobramento os capitalistas são coagidosa expandir mundialmente seus capitais e issoos leva a programarem uma forma deexploração internacional. Nesse processo oestado age visando a garantir a satisfação detaisnecessidades a partir de suaregularização. Aqui se encontra os trêselementos constituintes de um regime deacumulação.É importante destacar que além dosdesdobramentos acima citados, o processode acumulação gera outros desdobramentosimportantes e essenciais para a suacompreensão. A acumulação capitalista érealizada através de uma relação entreburguesia e proletariado e essa relação éfundamentalmente marcada pelo conflito declasses. A burguesia devido aos seusinteresses de classe deve, necessariamente,desenvolver formas cada vez mais eficazespara a extração de mais-valor, ou seja, paraa exploração do trabalho. Por outro lado, oproletariado se vê coagido a lutar contra ocapital por ser quem ele é nessa sociedade
2
.Nesse processo de luta de classes, oproletariado acaba por criar dificuldadespara a acumulação de capital e emdeterminados momentos sua luta radicalizaapontando para a superação da sociedadecapitalista. Por mais desacreditada queesteja, essa é uma tendência histórica nasociedade capitalista e tal tendência agrava acrise do capitalismo levando a burguesia aencontrar formas reprodutoras do capital.Nesses períodos de enfraquecimento é queum novo regime de acumulação tende aaparecer em substituição ao velho emoribundo, porém isso não é uma lei naturale o que se pode perceber é que a dificuldadeem acumular capitais a cada novo regime écrescente. É certo que a tese aqui defendidaaponta para a constatação que a “história docapitalismo é a história da sucessão dosregimes deacumulação”, porém tal tese nãocoisifica o capitalismo e sua capacidade dese recuperar das crises, pelo contrário, elacontribui para pensar na existência de“limites humanos e naturais que tornam ocapitalismo um período transitório na
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O ser do proletariado, como já dizia Marx, éessencialmente aquele que quanto mais eficaz tornaseu trabalho, quanto mais riqueza é capaz deproduzir mais miserável se encontra e, por contadisso, se vê obrigado a desenvolver formas de lutasque se afirmem na busca pela destruição docapitalismo (MARX, 2004).

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