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Voto Nulo e o Renascimento da Utopia - André de Melo Santos

Voto Nulo e o Renascimento da Utopia - André de Melo Santos

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De dois em dois anos temos no
Brasil um período eleitoral, vivemos
numa dita democracia em que os meios
de comunicação bombardeiam a
população com a necessidade de votar e
bem para escolher seus ditos
representantes. Ocorre que cada vez mais
fica evidente que os partidos visam
chegar ao poder e neste se manter e os
discursos ficaram em segundo plano.
Desta forma os partidos de esquerda que
diziam defender os trabalhadores uma
vez no poder fazem o discurso do patrão.
Diante desse quadro o processo eleitoral
sofre um desgaste diante da sociedade,
pois está já não deposita tantas
esperanças nesse processo como em
tempos passados. Assim, vemos surgir
movimentos alternativos que propõe uma
discussão que ultrapassa os limites do
processo eleitoral onde se discute as
bases dessa sociedade, pela radicalidade e
coerência das propostas podemos dizer
que estes grupos trazem de volta o
pensamento utópico.
De dois em dois anos temos no
Brasil um período eleitoral, vivemos
numa dita democracia em que os meios
de comunicação bombardeiam a
população com a necessidade de votar e
bem para escolher seus ditos
representantes. Ocorre que cada vez mais
fica evidente que os partidos visam
chegar ao poder e neste se manter e os
discursos ficaram em segundo plano.
Desta forma os partidos de esquerda que
diziam defender os trabalhadores uma
vez no poder fazem o discurso do patrão.
Diante desse quadro o processo eleitoral
sofre um desgaste diante da sociedade,
pois está já não deposita tantas
esperanças nesse processo como em
tempos passados. Assim, vemos surgir
movimentos alternativos que propõe uma
discussão que ultrapassa os limites do
processo eleitoral onde se discute as
bases dessa sociedade, pela radicalidade e
coerência das propostas podemos dizer
que estes grupos trazem de volta o
pensamento utópico.

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09/28/2010

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Revista Enfrentamento – n
o
08, Jan./Jul.2010 27
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AndrédeMeloSantos*
De dois em dois anos temos noBrasil um período eleitoral, vivemosnuma dita democracia em que os meiosde comunicação bombardeiam apopulação com a necessidade de votar ebem para escolher seus ditosrepresentantes. Ocorre que cada vez maisfica evidente que os partidos visamchegar ao poder e neste se manter e osdiscursos ficaram em segundo plano.Desta forma os partidos de esquerda quediziam defender os trabalhadores umavez no poder fazem o discurso do patrão.Diante desse quadro o processo eleitoralsofre um desgaste diante da sociedade,pois está já não deposita tantasesperanças nesse processo como emtempos passados. Assim, vemos surgirmovimentos alternativos que propõe umadiscussão que ultrapassa os limites doprocesso eleitoral onde se discute asbases dessa sociedade, pela radicalidade ecoerência das propostas podemos dizerque estes grupos trazem de volta opensamento utópico.Votar ou não votar! Eis a questãoque nos é colocada a cada dois anos, oucomo diz a propaganda oficial, devemosescolher bem nossos governantes, oBrasil precisa do seu voto. Todo mundo já está cansado desse sistema eleitoral,porque a cada eleição aparece um projetode mudança, mas quando chega ao podero partido segue o mesmo projeto queoutrora criticava. Vejamos no caso doatual governo, durante o governo anterioro partido do atual foi o maior opositor,denunciava a implantação doneoliberalismo e suas conseqüências ehoje no poder deu prosseguimento a essapolítica, de forma dissimulada e com odiscurso de manter a governabilidade.Segundo Viana (2003a), os partidospolíticos são organizações burocráticascujo objetivo é conquistar o poder estatale assim legitimar tal luta utilizando aideologia da representação e, no fundo,expressam os interesses de uma ou outraclasse ou fração de classes existentes.Não podemos esquecer que aseleições são uma parte da engrenagem dasociedade capitalista, logo as eleiçõesservem para legitimar o sistema existentecom suas contradições. A sociedadecapitalista que se caracterizafundamentalmente pela extração da maisvalia em que duas classes se apresentamcomo as principais, a burguesia e oproletariado, e para dominar oproletariado que é a grande maioria aburguesia se utiliza de váriosmecanismos e um deles é o processoeleitoral. No processo eleitoral temos ospartidos de direita, que representam ocapital embora tenham um discursouniversal, ou seja, governam para todos –ocultando que esse ‘’todo’’ se limita àburguesia –e os partidos de esquerda,que dizem defender a classe trabalhadorae uma vez no poder todos tem que rezarna cartilha do capital. Embora possatambém permitir a integração detrabalhadores, mas, a questão é que aointegrar o partido vai encontrar umaorganização burocratizada, além de queos políticos profissionais acabam ditandoas regras e tendo mais privilégios. Alémdisso, uma vez no partido, o indivíduo ousegue as regras do partido, ou sai. Eaqueles que continuam e conseguem aascensão dentro do partido se aliam aosinteresses dos capitalistas e continuamreproduzindo a burocratização. Aquelesque buscam criticar a posição do partidosão expulsos ou marginalizados dentro dopróprio partido.O voto nulo tem por objetivodenunciar a farsa eleitoral, e ir além, epodemos indicar isto como orenascimento da utopia. O voto nulo éuma luta de diversas organizaçõesexistentes na sociedade brasileira. Estas
 
Revista Enfrentamento – n
o
08, Jan./Jul.2010 28organizações se caracterizam por umacrítica da burocracia e de como estadomina os partidos políticos. Tambémretomam correntes que dentro domarxismo foram marginalizadas, mas queno conteúdo retomam as teses de Marxque segundo a qual a revolução será obrada própria classe trabalhadora e para issonão precisa da mediação de nenhumpartido ou sindicato.Assim, vemos nestes movimentosrenascer o pensamento utópico, nosentido que Ernst Bloch teorizou.Segundo Bicca (1986, p-80)
Pensamento utópico comoutopia concreta não almejanenhuma distância com relação aseu objeto; muito pelo contrário:como pensamento orientado para ofuturo – em vez de simplespensamentos de desejososentusiásticos – é uma buscaconstante de mediação com o seuconteúdo
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Desta forma, utopia concreta éuma consciência antecipadora, um quererque impulsiona o ser para o futuro e vaicontra a ideologia da sociedadecapitalista que desilude e a qual contribuipara essa condição ruim que vivemoscomo algo natural.Tem sido dito, constantemente naimprensa, expressões do tipo “as eleiçõesnão pegaram” ou “as eleições ainda nãoempolgaram a população”. O que os jornalistas querem dizer com isto é que apopulação não se interessa pelo processoeleitoral de hoje como se interessavam nopassado recente, como exemplo amobilização popular em torno daseleições de 1989. Isso acontece porquetodos os partidos, inclusive os da “ditaesquerda”, representam o mesmo projetopolítico, mesmo com as devidasmaquiações para se apresentarem comodiferentes para o público. No Brasil ospartidos de esquerda quetradicionalmente estiveram na oposição,tinham um discurso mais radical quepregavam mudanças profundas no Estadopara que este fosse mais justo, uma vezno poder assumiram uma posturamoderada e na prática conduzem ogoverno com as mesmas políticasimplantadas pelos anteriores. Diante distoé inevitável um clima de descrença doeleitorado, mesmo que não manifestadode forma consciente, e assim o voto nulose apresenta como uma propostaalternativa que não se limita ao processoeleitoral e busca trazer o debate para aquestão fundamental, ou seja, discutir asbases da sociedade capitalista e suasformas de dominação.A democracia burguesa é a formaque a burguesia encontrou parareproduzir seus privilégios que sãoconseqüentes da exploração que mantémsobre as classes exploradas, criandomecanismos que favorecem a burocraciapartidária e restringe a participaçãopopular. Desde o fim da ditadura militar,praticamente, os principais partidos tantode direita como de esquerda chegaram aopoder, e em razão disso surgiu umailusão, devido o fato de os partidos deesquerda fazerem o discurso de quedefendem a classe trabalhadora eprometem uma mudança nas políticasestatais. Diante disso cria-se umaexpectativa muito grande em torno dessesgovernos. Podemos citar a euforia que foia eleição do PT à presidência darepública. Porém, como já era esperado,não mudou nada, um partido queparticipa do processo eleitoral é igual atodos os outros partidos, mesmo que digaser diferente. Segundo Viana (2003 b, p-12),
Os partidos políticos sãoorganizações burocráticas quevisam à conquista do Estado ebuscam legitimar essa luta pelopoder através da ideologia darepresentação e expressam osinteresses de uma ou outra classeou fração de classes existentes.
Vejamos o que ocorre no Brasil, ogoverno anterior do PSDB implantou oneoliberalismo no país, este se caracteriza

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