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Democracia Representativa Burguesa, Voto Nulo e Transformação Social - Edmilson Marques

Democracia Representativa Burguesa, Voto Nulo e Transformação Social - Edmilson Marques

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O objetivo deste texto é discutir a
relação entre a democracia representativa
burguesa, voto nulo e transformação social.
Primeiramente discutiremos a questão do
voto - já que este é, na sua expressão
jurídica, o elemento central da democracia
burguesa - e a possibilidade deste ser um
meio de proporcionar mudanças na
sociedade; analisaremos que mudanças são
estas que podem ser provocadas através do
voto; posteriormente expressaremos o que
entendemos por transformação social, e
finalizaremos com a análise da relação entre
democracia representativa burguesa, voto
nulo e transformação social.
O objetivo deste texto é discutir a
relação entre a democracia representativa
burguesa, voto nulo e transformação social.
Primeiramente discutiremos a questão do
voto - já que este é, na sua expressão
jurídica, o elemento central da democracia
burguesa - e a possibilidade deste ser um
meio de proporcionar mudanças na
sociedade; analisaremos que mudanças são
estas que podem ser provocadas através do
voto; posteriormente expressaremos o que
entendemos por transformação social, e
finalizaremos com a análise da relação entre
democracia representativa burguesa, voto
nulo e transformação social.

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11/11/2012

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Revista Enfrentamento – n
o
08, Jan./Jul.2010 10
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EdmilsonMarques*
Oobjetivo deste texto é discutir arelação entre a democracia representativaburguesa, voto nulo e transformação social.Primeiramente discutiremos a questão dovoto - já que este é, na sua expressão jurídica, o elemento central da democraciaburguesa - e a possibilidade deste ser ummeio de proporcionar mudanças nasociedade; analisaremos que mudanças sãoestas que podem ser provocadas através dovoto; posteriormente expressaremos o queentendemos por transformação social, efinalizaremos com a análise da relação entredemocracia representativa burguesa, votonulo e transformação social.O voto como meio de expressão dademocracia burguesa surge com aemergência do capitalismo enquanto modode produção dominante. A necessidade docapitalismo em criar mecanismos paraamortecer as lutas de classes entre burguesiae proletariado leva a burguesia a buscar noestado o auxílio para esta tarefa. O estado nocapitalismo, por sua vez, assume um caráterburguês, capitalista, sendo compreendidoaqui como “uma relação de dominação declasse (no qual a burguesia domina asdemais classes sociais) mediada pelaburocracia para manter e reproduzir asrelações de produção capitalistas” (Viana,2003a, p. 31). Aqueles indivíduos queintegram o estado capitalista formam umaclasse, a burocracia estatal, cujo objetivoprincipal é auxiliar a burguesia noamortecimento das lutas de classes; criar ascondições para a reprodução ampliada docapital e impedir que a luta entre classesexploradas e burguesia se torne uma lutaaberta e direta. O controle e o dirigismotornam-se a sua ação fundamental.Em troca os capitalistas cedem partede seus lucros para a burocracia estatal emforma de impostos. Nesse sentido, osrendimentos daqueles que estão no poder doestado, advém da exploração que ocapitalista exerce sobre os trabalhadores. Arelação de exploração existente no modo deprodução capitalista provoca odescontentamento do proletariado, classeexplorada pela burguesia. Essedescontentamento extrapola o chão dasfábricas e passa a ser expresso em todas aspartes da sociedade, associando-se aodescontentamento de outras classesexploradas, ocorrendo assim, umageneralização do descontentamento social.Diante desta situação dedescontentamento, as classes exploradasiniciam o processo de auto-organização, équando criam organizações que expressamseus próprios interesses. Ao surgirem, essasorganizações se deparam com as instituiçõesburguesas e assim, passam a estabelecernovas lutas.O estado se impõe diante destasorganizações e cria a ideia de representaçãopolítica, a qual só poderá ocorrer através dopróprio estado. Um conjunto de leis é criadopara controlar estas organizações e legitimara ação estatal e a partir daí qualquerorganização que pretenda uma participaçãonas decisões sociais devem se submeter àsleis do Estado. Surgem os partidos políticos.Estes, por sua vez, “são organizaçõesburocráticas que visam à conquista doEstado e buscam legitimar esta luta pelopoder através da ideologia da representaçãoe expressam interesses de uma ou outraclasse ou fração de classe existente” (Viana,2003b, p. 12). Inicia-se assim o processo dedivulgação ampliada da ideia darepresentação política. Com isso, o estadoimpõe suas leis e a partir daí a participaçãopopular é resumida à escolha deste oudaquele representante que integrado a umpartido político o representará nas decisõessociais.
 
Revista Enfrentamento – n
o
08, Jan./Jul.2010 11Os partidos políticos são autorizadospelo estado para dirigir a sociedade erepresentar os seus interesses. O estado,portanto, controla as organizações criadaspelas classes exploradas e cria suas própriasorganizações impondo-as à toda a sociedadecomo sendo as organizações que expressamo interesse de todos. Os interesses estataispassam a prevalecer e logo a ideia derepresentação política pelo partido se tornadominante. O estado, por sua vez, paraocultar o caráter estatal dos partidospolíticos permite a participação popular naescolha dos representantes e o faz através dosufrágio universal.Através do voto, a burocracia estatallegitima a ideia de que as contradiçõesinerentes à sociedade devem ser resolvidaspor quem lhe integra e não por outrasorganizações que não sejam aquelasautorizadas pelo estado. Os partidospolíticos se tornam os responsáveisprincipais pela manutenção da ordem e o fazcriando novas instituições. Com isso,grandes organizações partidárias vão seformando e se tornando cada vez maisdistantes dos interesses das classesexploradas.Os integrantes de partidos se tornampoderosos quando assumem o poder e vãose distanciando cada vez mais do povo.Durante uma determinada eleição, fazem odiscurso que vão representar os interesses detodos, mas quando assumem o poder, tudo oque disseram é deixado de lado, e passam arepresentar a si mesmos, aos seus interessese aos interesses da classe dominante. Omesmo discurso volta a aparecer naseleições seguintes já que dependerá davitória para continuar desfrutando dosprivilégios que o poder lhe proporciona.Assim, os representantes de partidospolíticos tornam-se autônomos em relaçãoàs classes exploradas e ao invés de ser o seurepresentante, passam a ser o seu dominante,controlando-as e decidindo a partir de suaspróprias concepções sobre a vida de todos.Como coloca Tragtenberg:
Na prática, o líder partidárioordena e responde aos interesses dogrupo dirigente minoritário e não aosda base. Como profissional do partidoo líder preocupa-se mais com seutrabalho do que com suas promessas. Ofato de ser dirigente leva-o a afastar-seda vida quotidiana da maioria daspessoas, o que o torna “diferente”.Torna-se geralmente conservador,levando uma vida privada edesenvolvendo interesses da minoriadirigente. Esses líderes partidários,isolados nos escritórios, são facilmentecorruptíveis pelos interesses dasclasses dominantes (Tragtenberg, 1986,p. 70).
O voto representa a chave para abrira porta do estado e o meio para um partidose tornar o seu legítimo dirigente. O objetivoprincipal dos integrantes de partidos passaentão a ser alcançar o poder do estado e issose torna possível através das eleições. Porisso o voto passa a ser desejado por aquelesque integram partidos políticos. Estesestabelecem uma luta cotidiana entre si ecriam estratégias para conseguir o maiornúmero de votos possível, cuja maioria dosvotos lhe garante a ascensão ao poder doestado. A corrida dos representantes departidos para conseguir voto se dá de váriasformas (compra de votos, ameaças aeleitores etc) mas a principal é através depropagandas políticas que são em suamaioria financiadas e autorizadas peloestado, o qual busca criar meios de tornar asua divulgação ampliada. Para isso criou leispara controlar e possibilitar o uso dos meiosde comunicação para a propaganda política.Ocorre que alguns partidos quedisputam uma determinada eleição sãofinanceiramente mais poderosos do queoutros, o que lhe dá a chance de vencer aeleição já que conseguirá ampliar suadivulgação, além da possibilidade dacompra de votos, questão comum queperpassa a corrupção partidária em períodoseleitorais. Os partidos, com poder financeiromenor, criam conchavos com capitalistasque financiam suas eleições. Algunsconseguem ser eleitos e acabam ficandopresos aos seus financiadores, os quaispassam a interferir, de forma indireta,
 
Revista Enfrentamento – n
o
08, Jan./Jul.2010 12através do partido eleito, nas decisões doestado.Os partidos que são derrotados numaeleição, como forma de participar do poderestatal, acabam fazendo concessões e sealiando aos partidos eleitos. Fora dosperíodos eleitorais as disputas partidárias serestringem em sua maior parte aosbastidores das rinhas de partidos políticos(nas diversas expressões do parlamento).Situação que se altera quando um ou outrointegrante de partido é atacado poradversários tornando público o seuenvolvimento com a corrupção partidária.Em períodos eleitorais as trocas de ofensasse tornam públicas e constantes. Algunspartidos chegam a publicar questõespessoais de integrantes de partidosadversários em relação a envolvimento acorrupções etc, um meio de desqualificar oadversário, e atrair os seus eleitores. O voto é, portanto, a expressão dademocracia representativa burguesa e omeio através do qual ocorre areprodução/legitimação do estado e de suasinstituições. A participação popular nademocracia representativa burguesa selimita à ação dos eleitores nas seções devotação, e apenas nos períodos eleitorais.Ao votar em um determinado partido oeleitor transfere para este o poder de decisãonas questões referentes à sociedade. Querqueira, quer não, o voto acaba sendo umaforma de legitimação do poder do estado,logo, dos interesses da burguesia pelamanutenção e reprodução do capitalismo.Em relação às mudanças que podemocorrer através do voto, na democraciarepresentativa burguesa, resumem-se amudanças no interior do própriocapitalismo. Como colocamosanteriormente, a razão de ser dos partidos éo estado, e no capitalismo, o estado está demãos dadas com a burguesia. Portanto, sealguma mudança ocorrer através da ação dealgum partido, estas mudançassão naverdade adequações ou re-organização dasociedade de forma que atenda aosinteresses do capital, logo, que reproduza osinteresses da burguesia. Ou seja, sãoreformas que não alteram a essência darelação de produção capitalista.Contudo, algumas mudanças nomodo de vida das classes dominadas podemser percebidas, como por exemplo, umaaparente melhora em suas condições devida, como melhorias no saneamento básicode alguns bairros de periferia etc. O estadopropõe ainda ações para atender àsnecessidades imediatas da populaçãoempobrecida, como doações de agasalhos,alimentos, casas; construção e reformas emescolas, hospitais; abrigos para dependentesquímicos; programas para a populaçãocampesina entre outras. Enfim, várias açõessão realizadas em direção às classesexploradas, porém, trata-se de ações cujointeresse real é garantir votos para aseleições futuras, o que conflui com amanutenção do estado, logo, da reproduçãodas relações de exploração capitalistas.Diante destas questões, é que surge ailusão de que algum partido ou o próprioestado algum dia irão fazer alguma coisapara resolver os problemas que afligem avida das pessoas que integram as classesexploradas. A ideia de que algum diaaparecerá um salvador que irá resolver osproblemas sociais (pobreza, fome, violênciaetc.) se torna o motor que leva as pessoas àsurnas depositar o voto num determinadocandidato e à crença na democraciaburguesa. Contudo, essa ilusão acaba sedesfazendo com o tempo. Muitas pessoasque acompanham a história dos partidospolíticos vão percebendo que em toda a suahistória nenhum partido atendeu de fato aosinteresses das classes exploradas. E issoocorre porque os seus interesses divergemdos interesses das classes exploradas.Segundo Proudhon:
A burocracia pretende governarem nome das massas trabalhadoras efaz grandes esforços para criar talilusão; diz ter fins que correspondemàs exigências e necessidades dasmassas, mas, de outra parte, é legítimofalar de burocracia quando o grupo degovernantes em questão tem, também,os seus próprios interesses particulares,que só podem ser assegurados se, naprática, ele se desvia, constantemente,

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