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A prática educacional do pedagogo...

A prática educacional do pedagogo...

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ESTUDOS
Maria Marina Dias CavalcanteEveline Andrade FerreiraIsabel Magda Said Pierre Carneiro
A prática educacional do pedagogoem espaços formais e não-formais
Resumo
Discute a reformulação do Curso de Pedagogia a partir de análises acerca daconstituição identitária do profissional pedagogo e de suas possibilidades de inserçãono mercado de trabalho. Para tanto, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com52 alunos e 47 egressos do Curso de Pedagogia da UECE e com representantes de seteempresas que admitem pedagogos em seus quadros funcionais. Os resultados apontamnovas possibilidades de atuação para o pedagogo, assim como dificuldades comuns àdocência a ao trabalho na empresa capitalista. Conclui-se que o delineamento precisodo campo de atuação do pedagogo demanda um aprofundamento da discussão nas IES,considerando as experiências em ambientes escolares e não-escolares, assim como asdeterminações advindas de legislação específica.Palavras-chave: pedagogia; formação profissional; pedagogo.
 Abstract 
The education specialists practice in formal and  informal fields
This work aims to discuss curriculum renovation in the Education course by analysing  professional identity and their possibilities of getting a job. Therefore, semi-structured  interviews were performed with 52 students, 47 professionals graduated at UECE and seven representatives of companies, which have education specialists in their staff. The results showed new possibilities of acting for professionals in education, as well asdifficulties common to teaching and working in capitalist companies. One concluded that a precise evaluation of field, in which educationalists are working, needs profound discussion within the university, considering experiences in schools and in companies, aswell as determinations from specific legislation. Keywords
:
education specialists training; education course; education specialists incompanies.
R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 87, n. 216, p. 188-197, maio/ago. 2006.
 
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Introdução
Este trabalho apresenta achados dapesquisa
 Profissão Pedagogo
,
1
desenvolvi-da no âmbito do Grupo de Pesquisa em
 Política Educacional, Docência e Memória
,do Centro de Educação da UniversidadeEstadual do Ceará (UECE). O estudo tempor objetivo reunir elementos que possamcontribuir para a discussão acerca doprocesso de reformulação curricular doCurso de Pedagogia na referida instituição(UECE, 2001).As análises aqui registradas pretendemoferecer subsídios para a discussão acercada constituição identitária do profissionalpedagogo e das suas possibilidades de in-serção no mercado, a partir de aspectosdestacados em entrevistas com alunos eegressos do Curso de Pedagogia e de repre-sentantes de empresas que admitempedagogos em seu quadro funcional.A pertinência desta discussão anco-ra-se nas necessidades ditadas pelastransformações da sociedade que requermudanças nas formas de organização daprodução, do trabalho e nas relações pro-fissionais. Inserido neste cenário, um ou-tro fator justifica um olhar mais atento parao Curso de Pedagogia: as mudanças ocor-ridas têm afetado a todos os trabalhado-res, inclusive o pedagogo, que vem sofren-do o impacto de medidas governamentaisvoltadas para os
 profissionais do magisté- rio
, resultantes da legislação federal apro-vada a partir da década de 1990 (entre asprincipais: a Lei nº 9.394/96 (de Diretri-zes e Bases da Educação Nacional), a Leinº 9.424/96 (que dispõe sobre o Fundo deManutenção e Desenvolvimento do Ensi-no Fundamental e de Valorização do Ma-gistério), os Decretos nº 3.276/1999 e nº3.554/2000 e as Resoluções CNE/CP nº 01/ 2002 e CNE/CP nº 01/2006).Este quadro é reforçado pelasdiscussões que se estabelecem na litera-tura nacional e internacional em torno dascondições de formação e trabalho dos edu-cadores. Kuenzer (1999, p. 182) alerta parauma concepção de professor que vem sedesenhando a partir de um quadro no qual“qualquer um pode ser professor, desdeque domine meia dúzia de técnicas peda-gógicas”. Comenta, ainda, que estasituação tem resultado na destruição da
[...] possibilidade de construção de umprofessor qualificado para atender àsnovas demandas, o que justifica baixossalários, condições precárias de trabalhoe ausência de políticas de formação con-tinuada articuladas a planos de carreiraque valorizem o esforço e a competência.
Acrescenta, finalmente, que as atuaispolíticas de
 
formação “apontam para aconstrução da identidade de um professorsobrante”.Considerando o movimento em tornodo Curso de Pedagogia e as inquietaçõesoriundas do debate atual, este trabalhoapresenta-se como um esforço deaprofundamento das questões levantadaspela pesquisa antes mencionada. Para umamelhor compreensão do significadoinstitucional dessa iniciativa, cabe fazeralgumas considerações sobre o processo deinvestigação.
 Alguns elementos dopercurso metodológico
A proposta de coleta, organização eanálise dos dados fundamenta-se na idéiado projeto coletivo de pesquisa como umaalternativa de elevado potencial para odesenvolvimento do trabalho docente ediscente no âmbito universitário. SegundoVieira (2000, p. 24-25),
A proposta da pesquisa em sala de aulaconstitui uma possibilidade concreta deprodução de saber capaz de envolverprofessores e alunos em empreendimen-tos coletivos de investigação, com efeitossurpreendentes sobre o processo de ensi-no-aprendizagem e sobre a dinâmica deseu cotidiano.
A iniciativa envolveu alunos degraduação, sob a orientação de seus pro-fessores,
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no âmbito das disciplinasPesquisa Educacional, PlanejamentoEducacional, Educação Especial e Práticade Ensino.O estudo contou com informaçõesobtidas através de entrevistas semi-estruturadas realizadas com 52 alunos e 47egressos do Curso de Pedagogia e comrepresentantes de sete empresas queadmitem pedagogos em seus quadros fun-cionais. Ele contempla aspectos do traba-lho exercido por alunos e egressos do Cursode Pedagogia, apontando dados sobre asáreas em que estão atuando, a função
1
Esta pesquisa recebeu apoiodo Conselho Nacional deDesenvolvimento Científicoe Tecnológico (CNPq) e daFundação Cearense de Apoioao Desenvolvimento Cientí-fico e Tecnológico (Funcap)durante o período de 2000 a2003, sob a coordenação daprofessora Dra. Sofia LercheVieira.
2
Os professores que colabora-ram na coleta de dados foram: Josete de Oliveira CasteloBranco, Lia Matos Brito deAlbuquerque, Maria de JesusOliveira, Maria GláuciaMenezes Albuquerque, MariaMarina Dias Cavalcante, Ritade Cássia Barbosa Paiva Ma-galhães e Sofia Lerche Vieira.
R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 87, n. 216, p. 188-197, maio/ago. 2006.A prática educacional do pedagogo em espaços formais e não-formais
 
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desempenhada, a remuneração, além dapercepção acerca da experiência que estãotendo e do mercado de trabalho para opedagogo. Trata também da compreensãodos representantes de empresas em relaçãoà atuação dos pedagogos na instituição,contemplando questões como: quantidadede pedagogos existente, remuneração, fun-ções assumidas, competências
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esperadaspara o desempenho de suas funções,lacunas identificadas na formação, além desugestões para a formação do pedagogo.Feitas estas considerações, cabeexplicitar e discutir no tópico a seguir osachados da investigação.
O trabalho do pedagogo navisão de alunos e egressos
A respeito da atuação profissional, osdados revelam uma quantidade significativade entrevistados trabalhando na área educa-cional (63%). O fato de a maioria (61%) pos-suir vínculo empregatício constitui um dadorelevante, considerando o atual processo de
 proletarização
a que o trabalho docente temsido submetido (Contreras, 2002).Em relação aos dados referentes ànatureza da instituição onde trabalha, per-cebe-se que parte significativa dos entrevis-tados pertence a instituições de caráterprivado (47%), conforme revela o Gráfico 1.
Gráfico 1 – Natureza da instituição,alunos e egressos do curso de pedagogia
Alguns estudiosos afirmam que ajustificativa para esta maior concentração deprofissionais no setor privado pode estar as-sociada ao fato de o Estado não ter priorizadoo ensino público, “permitindo que o setorprivado ampliasse a sua participação” (Lei-te, 1986, p. 122) e, conseqüentemente, suademanda por profissionais da área. Alémdisso, a década de 90 assistiu à multiplica-ção vertiginosa de novas formas de organi-zação não-estatais, como as organizaçõesnão-governamentais sem fins lucrativos (co-nhecidas como ONGs), vinculadas ao cha-mado Terceiro Setor, que impulsionam aprática educacional em espaços não-esco-lares demandando a participação deprofissionais especializados.No que diz respeito à funçãodesempenhada, observa-se que, entre ospedagogos e estudantes entrevistados, pre-domina a função de “professor” (45%), sen-do representativo o número de entrevista-dos que trabalham em núcleo gestor deescola (22%). É relevante destacar aindaque 3% dos entrevistados afirmaram queatuam no campo de recursos humanos,apontando, assim, para a questão acercadas novas funções assumidas pelopedagogo na sociedade.O elevado porcentual de pedagogosque trabalham como professores reafirmaa perspectiva das Diretrizes CurricularesNacionais para o Curso de Pedagogia (Pa-recer CNE/CP nº 05/2005), quandodeterminam que
O Curso de Licenciatura em Pedagogiadestina-se à formação de professores paraexercer funções de magistério na Educa-ção Infantil e nos anos iniciais do EnsinoFundamental, nos cursos de Ensino Mé-dio, na modalidade Normal, de Educaçãoprofissional na área de serviços e apoioescolar e em outras áreas nas quais sejamprevistos conhecimentos pedagógicos.
Ao mesmo tempo, os dados dasentrevistas apontam a demanda pela
especialização
do pedagogo, seja pelo im-pacto produzido em seu campo de atua-ção pelas mudanças que se operam nomundo do trabalho, seja pela tradicionaloferta, nas Instituições de Ensino Superi-or (IES), da habilitação em AdministraçãoEscolar, herdada desde meados dos anos80, quando os pareceres elaborados peloconselheiro Valnir Chagas traziam a ques-tão das
 habilitações específicas
para ocerne das discussões com associações vol-tadas para a formação dos profissionais daeducação.No tocante à remuneração recebida,a opinião dos entrevistados é marcada porum forte sentimento de insatisfação. Amaioria (47%) dos entrevistados afirmou
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Não existe uma definiçãoclara do termo competência.No campo educacional, éunânime, na teorização acer-ca da noção de competência,a afirmação de que se tratade um termo polissêmico.Aqui, o conceito se aproximado conceito de habilidades.
R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 87, n. 216, p. 188-197, maio/ago. 2006.Maria Marina Dias CavalcanteEveline Andrade FerreiraIsabel Magda Said Pierre Carneiro

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