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O Escorpião E O Sapo

O Escorpião E O Sapo

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Published by: Edson Tomaz da Silva on Oct 02, 2010
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10/02/2010

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O Escorpião E O
Sapo
Letras de Sangue
O Escorpião E O Sapo
Edson Tomaz da Silva
Letras de Sangue
O Escorpião E O Sapo
Página 2
O Escorpião E O Sapo
" ...e o Sapo, enquanto afundavam, perguntou ao Escorpião:
- Por quê?
O Escorpião respondeu:
- Desculpe, é mais forte do que eu..."
Fábulas de Esopo
O Dr. Nelson não podia negar que fora avisado: ela era perigosa. Sônia não
havia apenas arruinado a vida de muitos homens, mas também tomara suas
próprias vidas, torturando-os lentamente até que morressem em agonia.
Neuropsiquiatra renomado, encarava o caso dela como uma oportunidade
fantástica para promover seu trabalho: se a droga que estava desenvolvendo
com seu sócio pudesse conter o instinto assassino de Sônia, a quem os
jornais se referiam gentilmente como "Hannibal Lecter de saias", então seu
sucesso não conheceria limites.
Mexendo os pauzinhos, ele conseguiu a transferência de Sônia da prisão de
segurança máxima onde ela estava presa, para um hospital psiquiátrico onde
ele poderia acompanhar de perto seu caso.
Durante um mês, tudo indicava que o sucesso ia ser retumbante: Sônia
estava até experimentando remorso pelas mortes que causara. Queria
notícias das famílias das vítimas, chegou a devolver o dinheiro que roubara e,
maior sinal da reversão de sua personalidade doentia: revelou onde estava
escondido o cadáver de uma de suas vítimas, pondo fim a agonia da família
depois de mais de quatro anos sem saber notícias de seu parente.
Dr. Nelson não cabia em si de contentamento: era a glória! Não apenas as
revistas especializadas estavam requisitando informações sobre suas
pesquisas; indústrias farmacêuticas internacionais disputavam o
Letras de Sangue
O Escorpião E O Sapo
Página 3
licenciamento para produzir em escala o medicamento, que a mídia já havia
batizado de "a pílula do bem".
Mas no fim daquele mês houve uma rebelião no hospital psiquiátrico e os
pacientes tomaram conta de tudo. Escondido em sua sala depois que a
confusão começou, Dr. Nelson foi encontrado, dominado e posto a nocaute
pelos internos.
Quando acordou, viu que estava amarrado à uma maca. Não estava sozinho:
munida de um bisturi, Sônia sorria docemente para ele.
- Boa noite, Doutor! Teve bons sonhos?
- Sônia, o que diabos esta acontecendo aqui?
- Doutor, que decepção! Um homem tão inteligente como o senhor ainda não
percebeu o obvio? - ela não conseguiu segurar uma gargalhada zombeteira.
- Mas o remédio, o tratamento...
Sorrindo, ela foi até uma mesa e trouxe um copo plástico. Parou em frente ao
bom doutor e despejou o conteúdo do copo sobre ele: os trinta comprimidos
que teoricamente ela teria tomado desde que chegara ali.
O Dr. Nelson estava estupefato:
- Mas... mas... mas... por quê?
O sorriso nos lábios de Sônia traíam o prazer que sentia ao saborear aquele
momento:
- Desculpe, Doutor, é a minha natureza. Esse tipo de coisa é muito mais forte
do que eu.
E começou a usar o bisturi.
----FIM ----

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