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Um Exercício de Metalinguagem

Um Exercício de Metalinguagem

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Um Exercício De
Metalinguagem
Letras de Sangue
Um Exercício de Metalinguagem
Edson Tomaz da Silva
Letras de Sangue
Um Exercício De Metalinguagem
Página 2
Um Exercício de Metalinguagem
O texto começava assim:
"Os investigadores Evandro e Ronaldo leram o primeiro parágrafo e acharam
aquilo muito esquisito. Olharam um para o outro, impressionados com a
bizarra coincidência de que os personagens do texto ali escrito tivessem os
mesmos nomes e a mesma profissão que eles.
Foi nessa hora que um caminhão desgovernado, carregado de combustível,
colidiu contra o muro da casa e explodiu, matando a todos que ali estavam."
----xxxx ----
Tudo começou quando Luiz ganhou o prêmio na loteria. Não iria virar o mais
novo milionário da mega-sena, mas pelo menos não precisava mais trabalhar
na vida. O valor do prêmio, devidamente aplicado no banco, iria lhe permitir
manter exatamente o mesmo padrão de vida pelo resto de seus dias. Dava
para reclamar da sorte?
Com uma parte do prêmio, começou a investir na bolsa através da internet, o
tal do home broker. E podia agora dedicar mais tempo ao seu hobbie favorito:
escrever.
Luiz mantinha uma conta em um site de publicação gratuita para escritores
amadores, o Canto dos Contos. Não tinha publicado muita coisa até ali por
causa da falta de tempo, mas agora tempo era algo que ele tinha de sobra.
Revisou algumas velhas histórias, criou umas tantas novas e começou a
publicá-las no site. Os visitantes do site e outros escritores que lá também
escreviam começaram a postar comentários sobre seus textos. Para a
felicidade de Luiz, todos os comentários até ali sempre foram muito positivos.
Começou então a se corresponder com vários destes escritores, trocando
críticas e opiniões sobre os textos que postavam no site. Ficou até
envaidecido porque alguns lhe pediam conselhos e lhe mandavam os
rascunhos de seus textos, para que ele comentasse.
Letras de Sangue
Um Exercício De Metalinguagem
Página 3
O que Luiz mais gostava de escrever eram contos de terror. Ele costumava
publicar seus contos assinando normalmente com seu próprio nome, mas
havia aqueles no site que usavam pseudônimos variados, que iam desde
nomes ingleses ou franceses até apelidos como Inferno, Hell e Vlad Drácula.
Assim, quando recebeu uma crítica a um texto seu vinda de um tal de Lúcifer,
não achou nada demais naquilo.
O comentário de Lúcifer foi muito interessante. Redigido com a classe de um
professor de literatura, o sujeito mostrava-se admirado pelo talento de Luiz,
mas também um tanto decepcionado. “Suas histórias – dizia o tal Lúcifer
possuem estilo, força e uma boa construção sobre o argumento proposto.
Mas não consigo terminar de lê-las sem uma ponta de decepção. Acabo
sempre achando que você chegou perto, mas que ainda faltou alguma
coisa...”
A partir deste comentário, Luiz e “Lúcifer” trocaram uma farta correspondência
via e-mail e MSN. Nos últimos contatos, o diálogo entre ambos assumiu um
tom sinistro, mas que ninguém estranharia, já que se tratava de pessoas que
gostavam de histórias de terror.
Mostrando certo cansaço com a constante crítica de “Lúcifer” de que seus
contos nunca chegavam ao máximo do terror, Luiz escreveu durante um chat
via MSN:
- Está bem! Já que sozinho não sou esperto o suficiente para escrever uma
história que o deixe realmente apavorado, apresente então uma solução para
esse impasse.
- Perfeito! Mas não será de graça!...rs
- Deixe-me adivinhar? Vai custar a minha alma! ;-)
- Exatamente! Como soube?
- O que mais Lúcifer iria querer de mim?
- Tem razão...rs... Aceita pagar meu preço?
Aquela insistência do sujeito em falar como se fosse realmente Lúcifer às
vezes aborrecia Luiz. Dava pra entender que o sujeito queria fazer graça, mas

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