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O Museu e o Ensino de História - Historiadora Ana Ramos

O Museu e o Ensino de História - Historiadora Ana Ramos

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Artigo da responsável pelo Acervo Tridimensional do Museu de História da Medicina do RS - MUHM, historiadora Ana Ramos.
Publicado na Revista Museu
http://www.revistamuseu.com.br/artigos/art_.asp?id=25807
Artigo da responsável pelo Acervo Tridimensional do Museu de História da Medicina do RS - MUHM, historiadora Ana Ramos.
Publicado na Revista Museu
http://www.revistamuseu.com.br/artigos/art_.asp?id=25807

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Categories:Types, Research, History
Published by: Museu de História da Medicina do RS - MUHM on Oct 06, 2010
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O Museu e o Ensino de HistóriaAna Ramos Rodrigues
i
A palavra museu sempre esteve carregada de um poder ritualizado. Segundo Canclinidurante muito tempo, os museus foram vistos como espaços fúnebres em que a cultura tradicionalse conservaria solene e tediosa, curvada sobre si mesma”.
ii
Este autor trabalha com o seguinteconceito de museu:
O museu é a sede cerimonial do patrimônio, o lugar em que é guardado e celebrado, onde sereproduz o regime semiótico com que os grupos hegemônicos o organizaram. Entrar em ummuseu não é simplesmente adentrar um edifício e olhar obras, mas também penetrar em umsistema ritualizado de ação social.
iii
Acredita-se na relevância da visita aos museus históricos, para contribuir sobre o processode construção de conhecimento, dentro da disciplina de História, não se restringindo apenas à salade aula.Nesta perspectiva este artigo visa problematizar como se efetiva o ‘ensinar’ e o ‘aprender’num lugar diferente da sala de aula, observando quais as vantagens e os problemas de levar osalunos neste espaço de educação não-formal, que é o museu.Para Meneses, a ação de educar só será completa no momento em que se trabalhar osmuseus através de uma formação crítica, onde identidade e história fossem os “objetos seus detratamento crítico, até mesmo para fundamentar uma ação educacional legítima e socialmentefecunda.
iv
Conforme Meneses teríamos que conceber um museu histórico, “[...] não como a instituiçãovoltada para os objetos históricos, mas, para os problemas históricos”.
v
Sendo que estas instituiçõesestão reproduzindo a sociedade através de um recorte temporal e espacial.Sabendo que o museu sempre comunica a ideologia e o poder de uma classe social, de umaetnia e de uma geração
vi
, a figura do professor de História como regente da preparação e/ou davisita é fundamental, pois dele partirão o estímulo a uma análise crítica nos objetos expostos ouuma compactuação com o objetivo da exposição dos mesmos.A condução da visita, a percepção, os questionamentos e os resultados decorrentes dela estãorelacionados com a preparação prévia da mesma feita pelo professor em sala de aula com os seusalunos.Conforme Canclini “o patrimônio existe como força política na medida em que éteatralizado: em comemorações, monumentos e museus”
vii
, passando a ser reproduzido como algopré-concebido:
A teatralização do patrimônio é o esforço para simular que há uma origem, uma substânciafundadora, em relação à qual deveríamos atuar hoje. Essa é à base das políticas culturaisautoritárias. O mundo é um palco, mas o que deve ser representado já está prescrito. Aspráticas e os objetos valiosos se encontram catalogados em um repertório fixo. Ser cultoimplica conhecer esse repertório de bens simbólicos e intervir corretamente nos rituais que oreproduzem. Por isso as noções de coleção e ritual são fundamentais para desmontar vínculosentre cultura e poder.
viii
Para que se possa refletir, esta seleção para uma formação de identidade, Canclini apresentaque o que está sendo celebrado dentro dos museus, como patrimônio é algo pré-selecionado por umgrupo. Se o professor de História, conseguir despertar no aluno esta formação de pensamento, jáestá sendo válida a visita à instituição.Segundo Canclini “Os museus, como meios de comunicação de massa, podem desempenharum papel significativo na democratização da cultura e na mudança do conceito de cultura”.
ix
Sendo assim o museu já não pode mais ser visto como depositário, mas podendo sertrabalhado como um recurso pedagógico, como coloca Canclini:
 
As mudanças na concepção do museu – inserção nos centros culturais, criação de ecomuseus,de museus comunitários, escolares, de sítio – e várias inovações cênicas e comunicacionais(ambientações, serviços educativos, introdução de vídeo) impedem de continuar falandodessas instituições como simples depósitos do passado.
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De maneira que o museu através da sua função social de inclusão, também deve ser vistacomo um espaço de exclusão, pois a instituição museológica, representa um espaço celebrativo damemória do poder ou quando trabalhada de forma democrática o poder da memória.E para corroborar com esta perspectiva cito Canclini, que apresenta a reflexão de PierreBourdieu:
Um dos poucos autores que coloca de forma laica a investigação sobre rituais indagando suafunção simplesmente social, Pierre Bourdieu, observa que tão importante como o fim deintegrar aqueles que os compartilham é o de separar os que se rejeita. Os ritos clássicos –passar da infância à idade adulta, ser convidado pela primeira vez para uma cerimôniapolítica, entrar em um museu ou em uma escola e entender o que ali se expõe – são, mais queritos de iniciação, “ritos de legitimação” e “de instituição”: instituem uma diferençaduradoura entre os que participam e os que ficam de fora.
xi
Uma forma de oportunizar uma mudança é a escola promover, construir e estimular a práticacidadã, e a criticidade decorrente dessas ações, é viabilizar visitas a museus, contribuindo, assim,com a construção de conhecimento a partir do sujeito como parte do contexto histórico.Conforme Chagas a escola é responsável pelo despertar do conhecimento crítico:
É necessário que se conheça para que se possa preservar, a preservação é o fruto de umatomada de consciência, a escola atuando dentro da sua função social se torna responsável poresta ação, de levar seu aluno ao encontro do conhecimento.
xii
Ramos afirma ainda que: “ir ao espaço museológico implica necessariamente efetuaratividades educativas, questionamentos e maneiras, teoricamente fundamentadas, de aguçar apercepção para os objetos de exposição”.
xiii
Assim, trabalhando a visita escolar através do diálogo enão de forma mecânica, para que esta atividade, não se torne algo acabado e sim que seja possível,uma reflexão do material exposto.Neste sentido é de grande importância que o professor de História, trabalhe a visita de formatemática. Ramos argumenta: “é muito improdutivo percorrer as salas do museu sem fazerdelimitações para privilegiar certos aspectos”.
xiv
Sendo assim, não será possível trabalhar a idéia de construir problemáticas a partir do tema,desenvolvido em sala de aula, para compor futuras perguntas a respeito das peças expostas, se istonão estiver relacionado na proposta da visita do professor, ao museu, dentro do seu planejamentopedagógico. No Brasil, pesquisas mostram que, na maioria das vezes, é somente por meio da escolaque crianças e jovens das classes em desvantagens econômicas visitam as instituições culturais.
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Desenvolvendo uma maior conscientização cultural para professores, alunos e todosenvolvidos, não ficando apenas o museu desenvolvendo seu trabalho e a escola agindo de formapassiva. É necessário incentivar um maior envolvimento das partes, para proporcionar aos alunos,um acesso maior a esse tipo de cultura.De alguma forma a visita é o momento em que muitas percepções podem ser despertadas, osalunos além de conhecer uma linguagem diferente, através dos objetos expostos podem seidentificar como sujeitos de sua própria história.Bourdieu afirma que “a cultura não é um privilégio da natureza; pelo contrário, conviria ebastaria proporcionar meios para tornar possível sua apropriação, assim, ela viria a pertencer atodos”.
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O professor de história ao retirar seu aluno da sala de aula e levá-lo para um espaço culturalcomo o museu, contribuirá para sua formação cultural, pois é o momento em que se tem um contatodireto com evidências e manifestações da cultura, através dos vestígios apresentados nas

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