•Bilirrubinas
A hiperbilinubmemia é um fator de mau prognósticona cirrose hepática, ocorrendo principalmente àscustas da fração direta. Por exemplo, na cirrose biliarprimária, níveis de bilirrubinemia total superiores alOmg/dL significam indicação de transplante ortotó-pico de fígado.
•Hipoalbuminemia
Denota insuficiência crónica de síntese hepatocelu-lar. Nos pacientes etilistas, o déficit de síntese seassocia à desnutrição protéico-calórica, comum nes-tes pacientes.
•Alargamento do tempo de protrombina e diminui-
ção da atividade de protrombina
Considerando que o fígado é a principal sede da sín-tese de fatores de coagulação, incluindo a síntesedos fatores vitamina K-dependentes (II, VII, IX e X),a redução significativa de hepatócitos funcionantesresulta em tendência hemorrágica.
•Hipergamaglobulinemia
Lembrar que na doença hepática alcoólica há típicoaumento da fração IgA; na cirrose biliar primária, háaumento característico da fração IgM e na hepatiteauto-imune, há elevação de IgG Já na fibrose avan-çada e na cirrose estabelecida, há uma hipergama-globulinemia policlonal, com aumento global de to-das as frações de imunoglobulinas.
•Pancitopenia
Na cirrose avançada complicada por hipertensãoportal, há esplenomegalia e hiperesplenismo, comconsequente redução da hemoglobina sérica, da di-minuição da contagem de leucócitos e plaquetopenia.Na hepatite C, a plaquetopenia pode surgir mesmona ausência de hiperesplenismo.
•Marcadores
sé
ricos indiretos de fibrose avançada/cir-
rose hepática
Laminina, peptídeo pró-colágeno tipo III, ácido hia-lurônico e a própria plaquetopenia podem sugerir apresença de fibrose/cirrose, notadamente na hepati-te crónica C.
2.3- Diagnóstico por Exames de Imagem
O papel da imaginologia na avaliação da cirrose he-pática inclui (1) a caracterização das manifestaçõesmorfológicas da doença; (2) avaliação da vasculari-zação hepática e extra-hepática; (3) detectar e esti-mar os efeitos da hipertensão portal; e (4) identificartumores hepáticos, diferenciando o carcinoma hepa-tocelular (CHC) de outros tipos de tumor.Tendo estes objetivos em mente, várias técnicas deimagem podem ser utilizadas:•Ultrassonografia convencional do abdome (USG).•Ultrassonografia do abdome com Doppler (USGD).•Tomografia computadorizada do abdome (TC).•Ressonância magnética (RM).•Angiorressonância magnética (ARM).•Arteriografia com ou sem lipiodol (AG).Nas fases iniciais da cirrose hepática, todos estesexames podem ser normais. Já nas fases mais avan-çadas, a USG, TC e a RM podem detectar alteraçõessugestivas da doença:•Nodularidade da superfície hepática.•Heterogeneidade do parênquima hepático.•Alargamento da
porta hepatis
e da fissura interlobar.•Redução volumétrica do lobo hepático direito e dosegmento médio do lobo hepático esquerdo.•Aumento volumétrico do lobo caudado e do seg-mento lateral do lobo hepático esquerdo.•Identificação de nódulos regenerativos. Neste caso,a RM constitui método superior aos demais.Além disso, o carcinoma hepatocelular pode ser iden-tificado por aqueles métodos, algumas vezes de ma-neira tão precoce que permita sua ressecção curati-va ou transplante hepático. Neste sentido, a USG (emenos frequentemente a TC) é utilizada no rastrea-mento semestral de CHC em pacientes sabidamentecirróticos, juntamente com a dosagem sérica da alfa-fetoproteína. Em caso de dúvida diagnostica, a AGcom lipiodol pode ser empregada, dada sua alta es-pecificidade para o diagnóstico de CHC. Este últimométodo torna-se particularmente útil na presença deum nódulo parenquimatoso com características in-termediárias entre CHC e nódulo regenerativo.A AG e a ARM podem ser usadas para o estudodo sistema porta e a identificação de possíveisshunts porto-sistêmicos secundários à hiperten-são portal.
2.4- Biópsia Hepática
O diagnóstico de cirrose hepática é fundamentalmentehistológico, sendo baseado no achado de espessos
e
completos septos fibrosos porta-centro e porta-porta,os quais delimitam nódulos, resultando em uma com-pleta desorganização da arquitetura lobular e vascular.- No entanto, quando os dados clínico-laboratoriaise dos exames de imagem são extremamente suges-tivos do diagnóstico de cirrose avançada (fígadoreduzido de tamanho) e o paciente apresenta si-nais e sintomas de cirrose descompensada (asciteimportante, queda da função hepática), a biópsiageralmente é desnecessária (e até arriscada).A biópsia hepática, além de confirmar o diagnósticopresumido à partir de dados clínico-laboratoriais
e
imaginológicos, pode também fornecer dados suges-tivos que permitam o diagnóstico etiológico commétodos imuno-histoquímicos modernos. Vale lem-brar que a biópsia hepática está contra-indicada empacientes com atividade de protrombina < 50% OURNI > 1,30 OU plaquetas < 80.000/mm
3
.
2.5- Classificação Funcional
Embora a presença individual de complicações dacirrose hepática - hipertensão portal, ascite, encefa-
Tabela 2
- Esquema de pontuação e interpretação - Classificação funcional de Child-Turcotte modificada por Pugh.
PONTOS
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