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Escola dos Annales. Territórios & Fronteiras, 2010

Escola dos Annales. Territórios & Fronteiras, 2010

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Neste artigo, José D'Assunção Barros discute a crítica aos mais tradicionais setores historicistas e positivistas que foi elaborada, na primeira metadedo século XX, pelos historiadores franceses das primeiras gerações do movimento dos Annales. O artigo foi publicado na revista Territórios & Fronteiras, vol3, n°1, Cuiabá: UFMT, p.75-102.
Neste artigo, José D'Assunção Barros discute a crítica aos mais tradicionais setores historicistas e positivistas que foi elaborada, na primeira metadedo século XX, pelos historiadores franceses das primeiras gerações do movimento dos Annales. O artigo foi publicado na revista Territórios & Fronteiras, vol3, n°1, Cuiabá: UFMT, p.75-102.

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Categories:Topics, Art & Design
Published by: José D'Assunção Barros on Oct 10, 2010
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75
Revista Territórios e Fronteiras V.3 N.1 – Jan/Jun 2010Programa de Pós-Graduação – Mestrado em História do ICHS/UFMT
 José D’Assunção Barros
 
A ESCOLA DOS ANNALESE A CRÍTICA AO HISTORICISMO E AO POSITIVISMOA escola dos Annales e a crítica ao historicismo e ao positivismoIntrodução: algumas questões sobre os Annales
O movimento dos
 Annales
– ao lado do Materialismo Histórico e dascontribuições da Hermenêutica Historicista – constitui certamente uma das influências
Professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), nos Cursos de Mestrado e Graduaçãoem História, onde leciona disciplinas ligadas ao campo da Teoria e Metodologia da História, História daArte. Doutor em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Entre suas publicações maisrecentes, destacam-se os livros
O Campo da História
(Petrópolis: Vozes, 2004),
O Projeto de Pesquisa em História
(Petrópolis: Vozes, 2005),
Cidade e História
(Petrópolis: Vozes, 2007) e
 A Construção Social daCor 
(Petrópolis: Vozes, 2009).
Resumo:
Este artigo tem por objetivoconduzir uma discussão acerca domovimento dos Annales, com ênfase nasua oposição a determinados setores doHistoricismo e do Positivismo de suaépoca. È elaborada uma exposição inicialdas ‘oposições radicais’ e ‘oposiçõesinterativas’ das primeiras gerações dosAnnales, considerando que a oposição aoHistoricismo não foi uma oposição aoHistoricismo como um todo, mas apenascontra certos setores do Historicismo queforam associados pelos Annales a uma“história historizante”. Na segunda partedo artigo, são apresentados alguns dosprincipais aspectos que constituem aidentidade dos Annales como ummovimento: a interdisciplinaridade, aproblematização da História, e as novasproposições nas formas de conceber oTempo.
Palavras-chave:
Escola dos Annales;Historicismo; Nova História.
 Abstract
This article aims to conduct adiscussion about the Annales movement,with emphasis in its opposition todeterminate sectors of the Historicismand Positivism of his époque. It iselaborated an initial exposition of the‘radical oppositions’ and ‘interactiveoppositions’ of the first generations of theAnnales movement, considering that theopposition to the Historicism wasn’t anopposition to the hole Historicism, butonly to certain sectors of the Historicismthat were associated by the Annales to an“historizant history”. In the second partof the article, they are pointed some of the principal aspects that constituent the‘identity’ of the Annales as a movement:the interdisciplinary, the problematizationof the History, and new propositions inthe ways to concept the historic time.
Keywords:
Annales School;Historicism; New History
 
 
 76mais impactantes e duradouras sobre a Historiografia Ocidental
1
. O impacto dosAnnales sobre a historiografia ocidental como um todo, e sobre a historiografiabrasileira em particular, não deixa de ser produzido por uma parte efetiva decontribuições substanciais e extremamente inovadoras para a historiografia, e tambémpor uma parte não menos significativa de “mito” construído pelos primeiros líderes domovimento em sua ascensão ao domínio do território institucional. Em função destadupla característica – contribuição efetivamente inovadora e “mito da inovação”,algumas ambigüidades iniciais merecem ser pontuadas. Os Annales representaram a“Nova História” contra uma “Velha História”, tal como postularam os primeirosfundadores do movimento, e também os seus refundadores? Se representaram uma“Nova História”, foram eles os únicos setores da historiografia que puderam se auto-perceber como uma “Nova História”? E quanto aos setores estigmatizados pelosprimeiros annalistas como uma “Velha História”, estavam todos mergulhados, na suainteireza, em uma “velha história” totalmente retrógrada e inadaptada aos novostempos? Estas perguntas podem ser colocadas provocativamente a respeitos dosAnnales, e algumas delas se expressam em ambigüidades relacionadas à própriadesignação do movimento.Frequentemente, quase como um sinônimo para o movimento dos Annales oupara o tipo de historiografia que este movimento pretende ter inaugurado, é empregada aexpressão “Nova História” em seu sentido ampliado, o que inclui tanto a Escola dosAnnales propriamente dita como a corrente à qual, a partir dos anos 1970, muitos sereferem também como
 Nouvelle Histoire
, mas agora em sentido mais restrito. Para darum exemplo, o uso ampliado da expressão
 Nouvelle Histoire
é encaminhado por JoséCarlos Reis no seu ensaio “O surgimento da Escola dos Annales e o seu programa”,incluído na coletânea de textos deste autor sobre
 A Escola dos Annales
(2000). Poroutro lado, uma vez que os mais recentes historiadores da
 Nouvelle Histoire
muito
1
As fontes diretas para o estudo da história do movimento dos Annales, para além da própria produçãohistoriográfica dos historiadores do grupo, bastante vasta e diversificada, incluem também manifestosproduzidos nos editoriais da Revista dos Annales, e textos auto-reflexivos produzidos individualmentepor historiadores do grupo. Entre estes, teremos desde os textos que apresentam coletâneas do movimento– como a Apresentação de Le Goff e Nora para os três volumes de
Faire de l’histoire
(1974) ou os doisprefácios de Le Goff para o dicionário
 A Nova História
(1978; 1988) – até ensaios, depoimentos emanifestos produzidos por membros destacados do grupo como Marc Bloch (
 Apologie pour l’Histoire
,1941-42), Lucien Febvre (
Combats pour l’histoire
, 1953), Fernando Braudel (
Personal Testimony
, 1972),Le Roy Ladurie (
Território do Historiador 
, 1973), Pierre Chaunu (
 História: ciência social
, 1974),Burguière (
 Histoire d’une Histoire: la naissance des Annales
, 1979), Bernard Lepetit (
 Histoire et Sciences sociales: um tournant critique?
, 1988). A oposição aos Annales também se encontra bemrepresentada, em textos como o ensaio de François Dosse contra a terceira geração dos Annales (
 A História em Migalhas
, 1987).
 
 77habitualmente reivindicam uma herança historiográfica que remete às duas primeirasgerações dos Annales, não é raro o uso da expressão “Escola dos Annales” de modo aabarcar as diversas gerações de historiadores que tem como referência a Revista dosAnnales, sendo este o uso que lhe empresta Peter Burke em seu ensaio de 1990intitulado “A Escola dos Annales”.Outra das ambigüidades relativas a este grande movimento historiográficoencabeçado pelos historiadores franceses também se expressa no fato de que autoresdiversos costumam lidar por vezes com periodizações distintas sobre o movimento.François Dosse estabelece uma ruptura em 1968 entre os Annales e o que seria chamadoem sentido estrito de
 Nouvelle Histoire
(1987). Iggers, na sua obra
 Novas Direções na Historiografia Européia
(1971), prefere enfatizar uma ruptura que teria ocorrido em1945, separando a “história tendencialmente qualitativa” dos primeiros tempos dosAnnales e a “história conjuntural quantitativa” que passaria a predominar em seguida,particularmente no período sob a égide de Fernando Braudel.É ainda bastante complexo e polêmico o estudo sobre as influências que osAnnales teriam recebido de outros movimentos e correntes historiográficas, seja seconsiderarmos o estudo relativo à influência de autores diversos nos grandes fundadoresdos Annales, seja se nos voltarmos para os estudos que se relacionam à identificação decorrentes e aportes teóricos que teriam influenciado e permitido a constituição dosAnnales como movimento bem estruturado e triunfante na historiografia francesa. Paradar um exemplo, o diálogo e o contraste dos Annales com o Materialismo Histórico têmsuscitado reflexões diversas, havendo aquelas que buscam resgatar as influências doMarxismo para a visão histórica estruturante dos Annales – tal como Burguière em seuartigo
 Histoire et Structure
– outros que procuram pontuar mais claramente asdiferenças, e ainda os que buscam estabelecer uma relação mais complexa entre estesdois importantes campos de contribuições historiográficas, como é o caso do livro deAguirre Rojas
Os Annales e a Historiografia Francesa
(2000).De igual maneira, há uma tendência em se enfatizar as inovações dos Annales,particularmente por oposição a todo um paradigma historiográfico que já havia sidoinaugurado pelo Iluminismo desde o século XVIII. Mas isto não exclui também aquelesque, como Gemelli em seu artigo de 1987 sobre
Os Annales no Segundo Pós-Guerra
procuram enxergar a influência da racionalidade Iluminista como a grande vertente deinfluência nos Annales. Há mesmo os que – com vistas a criar um contraste em relaçãoa algumas das correntes que surgem no ambiente da pós-modernidade – esmeram-se em

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