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HUTUS E TUTSIS

HUTUS E TUTSIS

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08/20/2013

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BaHUTU E BaTUTSI: CONFLITOS EM RUANDA E BURUNDI
 
João Batista dos Santos*Luís*Walter Lippold
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A mídia brasileira mostra-nos com freqüência imagens dos conflitos africanosque ainda persistem no continente. o imagens fortes: criaas mortas oufamélicas, massacres de civis desarmados, migrações e campos de refugiados.Ultimamente os conflitos no Sudão e na região do Lago Kivu, na fronteira deRuanda, Burundi e Congo, têm sido manchete nos jornais e telejornais
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. Mas o quefica implícito na visão midiática é que estes conflitos se devem a um “tribalismoinerentedos africanos; o conflitos étnicos “típicos” do devir africano. Aoaprofundarmos esta questão com uma visão crítica, veremos que a raiz do problemanão é tão simplista, existem vários aspectos que confluem para dar origem as estesconflitos que vão além do problema étnico, quebrando com a explicação mecanicistae geralmente fragmentada da mídia. Vamos neste artigo analisar o caso do conflitoentre BaHutu e BaTutsi
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em Burundi e Ruanda, que se alastrou pelas regiõesfronteiriças e países vizinhos e gerou milhões de mortos e refugiados. Apesar dabibliografia parca, buscaremos cinco aspectos que demonstrem a origem e a lógicadeste conflito, aproximando-se de uma visão processual. Além disso, estaremossaindo do campo da visão que dita ser a África um continente mergulhado nairracionalidade. Vamos analisar as diferenças entre BaHutu e BaTutsi antes dachegada do colonialismo, diferenças estas que foram cristalizadas pelo colonizador 
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Pós-graduandos do Curso de Especialização em História do Mundo Afro-Asiático da FAPA.
 
1 Na Zero Hora de 17.08.2004 há a seguinte notícia: “Vítimas de massacre são sepultadas - Em meioa um forte esquema de segurança, centenas de pessoas sepultaram ontem em uma vala comum, nomeio de uma plantação de algodão, os corpos das 163 vítimas de um massacre de refugiadoscongoleses da etnia tutsi, no Burundi, região central da África. Extremistas invadiram o campo derefugiados de Gatumba, mantido pelas Nações Unidas, na noite de sexta-feira passada. Umsobrevivente narrou o ataque, dizendo que foi acordado pelo som dos invasores, da etnia hutu,tocando tambores e gritando que matariam todos os tutsis do Congo.”2 Na língua local (Kiryarwanda) BA significa plural e MU singular. Assim o plural de Tutsi é BaTutsi.
 
alemão e belga. Vamos observar também o papel da geopolítica colonialista, que juntou e espalhou etnias dentro de estados, que geralmente antecediam a nação. Énecessário também problematizar o aspecto econômico, isto é a desestruturaçãocausada pelo colonizador na economia auctone, além das atuais disputasneocoloniais entre transnacionais, principalmente EUA, França e Alemanha, pelopotencial mineral de Burundi e Ruanda.Os conflitos entre BaTutsi e BaHutu vieram intensificando-se desde o processode descolonização de Ruanda e Burundi
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e tiveram sua culminância em 1994, maisprecisamente após o assassinato dos dois presidentes BaHutu
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destes países.
Refugiados tutsi, exilados anos em Uganda, organizaram umpequeno exército (a Frente Patrtica Ruandesa FPR), quepenetrou no norte de Ruanda em outubro de 1990, sendo expulsosum mês depois pelo exército. Sentindo-se desgastado e ameaçadointernamente, o governo massacrou tutsis em 1991 e 1992, comomeio de fomentar uma divisão étnica, com vistas a permanecer nopoder. (VIZENTINI, 2003, p.111)
Com a conquista de Kigali pela FPR iniciou-se os massacres de BaHutu e amigração de 4 milhões de refugiados para os países vizinhos, principalmente paraTanzânia e para o Congo (ex-Zaire). As milícias BaHutu e BaTutsi eram as principaispromotoras do massacre tuo, o dio foi usado por ambas as partes parafomentar o genocídio, justificando-o como cumprimento do “dever patriótico”.Atualmente, principalmente em Ruanda, o domínio Tutsi vem reprimindo ediscriminando a população BaHutu. Somente são julgados e condenados os BaHutu,“esquecendo-se” do massacres perpetuados por BaTutsi. O ruandês Makunael(2004) escreve no sítio do Rebelión que:
Después de las elecciones de 2003, las asociaciones y actores dela vida pública que no han sostenido al FPR en su campaña, son
3 Em 1971-72 os BaTutsi no poder de Burundi massacraram mais de 600.000 BaHutu.4 Após o fuzilamento do presidente do Burundi, o Hutu Mechior Ndadaye, por oficiais BaTutsi, seusucessor, Cyprien Ntaryamira, acabou morrendo junto com Juvenal Habyarimana, o presidente deRuanda num atentado ao avião, com dois mísseis terra-ar SAM 16, no dia 6 de abril de 1994, que ostransportava de uma reunião regional ocorrida em Dar-es-Salaam
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víctimas de discriminaciones que entorpecen sus actividades. Paraafianzar mejor el control sobre estas asociaciones, el gobierno lesobliga (incluso a aquellas que ya están acreditadas y realizantrabajos ya conocidos) a registrar y pedir cada año unaautorización para ejercer sus actividades.
Apesar do discurso da FPR que diz que não existem BaHutu, BaTutsi e BaTwa,mas sim ruandeses, se um Hutu entra para a FPR, mesmo assim, ele oascenderá a nenhum cargo público.
La discriminación alcanza también a los muertos. El gobiernoorganiza cada año, desde hace 10, el duelo en memoria de lasvíctimas del genocidio. Esta acción debe subsistir pues es útil ypositiva. Por el contrario, el gobierno no organiza nada enmemoria de las víctimas de masacres y crímenes de la guerradesde 1990 a 1994. Incluso las jurisdicciones Gachacha tienenprohibido tratar esos casos. El silencio sobre el atentado que costóla vida a los Jefes de Estado en 1994 (de Rwanda y de Burundi),se inscribe dentro del marco de la discriminación, que limita laaplicación de la justicia a las personas de una sola etnia. Ladiscriminación étnica se manifiesta tambn en que no se haperseguido a los autores de los asesinatos de los líderes hutu. Lamuerte de un tutsi pone en pie a todas las instituciones para juzgar a los culpables[...] (MAKUNAEL, 2004)
Adentremos agora nos cinco aspectos que, para nós, foram importantes para adeflagração dos conflitos entre BaTutsi e BaHutu.A região dos Grandes Lagos foi primeiramente povoada pelos pigmeus BaTwa,vindos da florestas congolesas; em meados do século VI, os ferreiros e agricultoresBantus chegavam a região impondo seu domínio. Já no século XV chegam a regiãoos guerreiros e pastores BaTutsi, vindos da Etiópia. Os Bantus, denominados nestaregião por BaHutu, sofreram a dominação Tutsi, que firmou-se como a classedominante, já que possuía em suas mãos as artes da guerra (MELO, 1999, p.79).Organizou-se uma escie de sociedade onde os BaTutsi, que eram 10% dapopulação, formavam uma elite detentora dos rebanhos e terras. Os BaHutu , 90%da população, trabalhavam em troca de proteção militar numa espécie de relação
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