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:Eu e o traidor Marrão ........................................................................187
UMA EXPLICAÇÃOA escalada do terror em Moçambique teve a conivência da Imprensa desde aprimeira hora, ainda antes da independência do país. Familiarizei-me com essacerteza e o primeiro título dado a esta reportagem foi «OS PRAVDAS DEMOÇAMBIQUE» — devido ao facto dos jornais moçambicanos, dominadospelo Governo de Transição, e depois pelo definitivo, se assemelharem, no espíritoe tendências, ao «PRAVDA» moscovita — optando, a seguir, por «AESCALADA DO TERROR». Mesmo assim, tornava-se necessário descrever,pois era o factor dominante de grande parte das situações, o ambiente dasRedacções moçambicanas, retratando, com a maior nitidez, o estado psicológicodos jornalistas portugueses que preenchiam os quadros redactoriais. Coloqueiem foco o «Notícias da Beira» por me encontrar mais intimamente ligado a este jornal, mas todas as minhas afirmações podem ser alargadas pelo leitor aosrestantes órgãos da comunicação social moçambicana, por todos eles se regerempela mesma batuta.Descrevendo o estado psicológico de cada um destesprofissionais de Imprensanão tento, nem desejaria tentar, dar uma possibilidade de busca de atenuantesao seu comportamento, mas sim, desmistificá-lo. Os crimes por eles cometidos — e por cada um individualmente — continuam crimes, por mais justificações quetentemos encontrar na ideologia marxista-leninista em que basearamtropegamente os seus actos. Essa é a razão por que dedico todas as páginas daPrimeira Parte deste volume ao ambiente redactorial moçambicano, comoprólogo à verdadeira Reportagem sobre alguns dos principais acontecimentosque ensombraram Moçambique, transformando a antiga colónia portuguesa doIndico numa verdadeira pátria de terror.Queria, porém, salientar que toda a actividade da Imprensa moçambicana foidirigida à distância por alguns membros da Frelimo, os mesmos que, cuidadosae trabalhosamente, foram moldando as ideias de Samora Machel — inicialmenteapolítico — pelas matrizes moscovitas. E a actividade foi-lhes fácil.Bastou-lhes colocar nas direcções dos jornais homens obedientes a Moscovo epreencher os quadros redactoriais com jornalistas imaturos, ou veteranosoportunistas, afastando tacitamente quantos podiam, de qualquer modo,
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