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IDEALISMO ALEMÃO

IDEALISMO ALEMÃO

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IDEALISMO ALEMÃO:
 Antes de entrar propriamente no estudo do Idealismo Alemão, resta, num primeiro momento, fixar do
 
que trata o Idealismo. Este, sob um viés filosófico, é a doutrina, ou o movimento, que concebe que aidéia é a essência da realidade, isto é, que o real é redutível à idéia.Assim, o Idealismo Alemão pode ser considerado como uma escie de Idealismo, tendo por representantes Kant, Fichte, Schelling e Hegel. Sistematicamente, o Idealismo Alemão tem seu primeiro momento com o idealismo transcendental de Kant e Fichte; o segundo momento, do idealismoobjetivo, corresponde à Schelling; e, o terceiro, do idealismo absoluto, é atribuído à Hegel.Ora, como o interesse maior neste trabalho está voltado para Hegel, far-se-á um estudo mais robusto
 
sobre o seu pensamento. Não obstante, não serão tolhidas as demais etapas, mas sim, serão verificadasisoladamente, juntamente com os representantes a elas subjacentes, de modo a demonstrar asinfluências que cada uma transmitiu à filosofia hegeliana.
 Immanuel Kant (1724 – 1804):
 Juntamente com Fichte, Kant foi representante do idealismo transcendental e defendia que conhecer não é refletir uma realidade exterior, como pretende o realismo, nem tampouco é conhecer as coisasatravés das idéias, como pretendia o idealismo anterior. Conhecer é, sim, enquadrar nas formas
a priori
da sensibilidade ou do entendimento. Isto é, Kant defende que o sujeito é dotado de um conhecimento pré-constituído, que independe da experiência; nesse sentido, Kant explica que o entendimento
a priori
antecipa “a forma de uma experiência possível em geral”.[1] 
 
É sabido que, desde Sócrates, os pensadores buscam a certeza, buscam descobrir como os juízos certos
 
são possíveis. Rechaçando a afirmação de Hume, de que esses juízos não podem ser resultado dasimples análise de nossas idéias, Kant defende que não resta dúvida de que tais juízos têm origem naexperiência. No entanto, esclarece que aquilo que observamos na experiência não tem origem,
 
necessariamente, na experiência. Com isso, Kant pretende demonstrar que o conhecimento resulta dasensibilidade e do intelecto, conjuntamente, de modo que há a união da intuição e do conceito.[2] D
 
istodecorre o dualismo kantiano.Esse é, de maneira extremamente resumida, o básico do pensamento kantiano. De Kant, Hegel herdou a
 
distinção entre o entendimento e a razão e a idéia transcendental que considera os conceitos
a priori,
em relação aos objetos.
 Johann Gottlieb Fichte (1762 – 1814):
 Também representante do idealismo transcendental, Fichte teve seu pensamento influenciado pelo
 
kantismo e pela Revolução Francesa. Isto não significa que anui com todo o pensamento de Kant, porquanto busca, em verdade, superar as contradições deste último: se conhecer é transformar, como pretendeu Kant, jamais seria possível ultrapassar os limites da subjetividade, jamais poderia o
 
indivíduo transcender-se a si próprio, tornando-se o mundo a criação do sujeito. Desenvolve a críticavalendo-se do processo dialético, fomentando que, para conhecer é necessário converter a “coisa em si”em “coisa para nós”. A afirmação do eu (tese), implica sua negação (antítese) e, em seguida, a negação
 
da negação (síntese). Importante ressaltar que, embora o pensamento conduza à outra conclusão, o
 
momento decisivo dessa dialética não é a síntese, mas, sim, a antítese – a contradição – uma vez que aauto-afirmação do eu – tese – na síntese somente ocorre pela contradição – antítese. Nesse ponto Fichte é criticado por Hegel, que acusa aquele de não alcançar uma síntese autêntica, vistoque esvazia o eu, cujo conteúdo é o não eu (natureza) e, a natureza, cujo conteúdo é, tão-somente, anegação do eu: o eu de Fichte é, portanto, abstrato.Hegel herdou desse filósofo somente a noção da dialética como afirmação na tese, negação na antítese,e negação da negação na síntese.
Friedrich Wilhelm Joseph von Schelling (1775 – 
 
1854):
 Representante do idealismo objetivo, Schelling foi o primeiro a realizar, sistematicamente, umaestética. Schelling se coloca em oposição ao idealismo moral fichtiano. Ao passo que, para Fichte, a
 
intuição intelectual é intuição moral, pela qual o indivíduo se eleva à mais alta consciência de simesmo, para Schelling, a intuição intelectual é uma intuição estética: o artista atinge a liberdade numaharmonia reencontrada; é a arte que revela o absoluto.[3] 
 
Com o chamado “sistema de identidade” pretende mostrar a idéia de um absoluto que é anterior ànatureza e à mente, que ele chama de “Deus”: Este não é nada mais do que “auto-afirmação” infinita,sua realidade sendo dada pelo fato de que ele concebe o conceito (“a idéia”) de si.[4]É
 
Deus, logo,quem cria as coisas, ao pensá-las. Para Schelling, dentro da natureza e da mente tem que constituir-seuma esfera preponderantemente objetivo-real, uma esfera subjetivo-real e a esfera da indiferença doideal e do real.[5] 
 
Schelling sustenta a possibilidade de conhecimento do absoluto, entretanto, em toda a sua trajetória não
 
demonstrou o caminho para tal feito. Exerceu influência na filosofia de Hegel através da sua noção doidealismo objetivo e da identidade do sujeito e do objeto, na consciência do absoluto.Fazendo um breve paralelo dos pensamentos de Schelling e Hegel, é interessante lembrar que esteúltimo via a função da arte como algo meramente histórico, que fora suprassumido pela filosofia.
 
Schelling, todavia, atribuía à arte uma função indispensável, impossibilitando que esta fossesuprassumida, representando, sim, uma “contra-imagem” da filosofia.[6] 
 
Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770 – 1831):
 Hegel, considerado por muitos como maior pensador do Idealismo Alemão, continuou e concluiu o
 
 pensamento de seu companheiro de estudos, Schelling. É sabido que, antes de escrever aFenomenologia do Espírito, Hegel era considerado tão-somente um discípulo daquele. Foi depois de publicar a referida obra que Hegel rompeu definitivamente com essa imagem, inaugurando o idealismo
 
absoluto e tornando-se, finalmente, um pensador original, criticando aspectos da filosofia de Kant,Fichte e, inclusive, de Schelling.“Pensar a vida, essa é a tarefa” é uma importante frase de Hegel: o que interessa a ele é descobrir oespírito de um povo – não do individual -; a verdadeira unidade orgânica e o universal concreto são o
 
 povo. Ao passo que Schelling vê na produção da obra de arte o absoluto, Hegel substitui isto peloorganismo concreto da vida de um povo. Assim, é o espírito de um povo – 
volkgeist 
– que reconcilia odever-ser e o ser.[7] 
 
Vejamos alguns aspectos importantes da filosofia de Hegel. Primeiramente, é prudente verificarmos a
 
divisão que estabeleceu da Ciência, em: lógica (metafísica), ou ciência da idéia em si e para si; filosofiada natureza, ou ciência da idéia em sua existência exterior a si mesma; e filosofia do espírito, ou ciênciada idéia que, após a sua exteriorização, volta a recolher-se em si mesma.Acerca da formação da consciência, estabelece também um processo, que se desdobra em trêsmomentos: o das relações morais, o da linguagem e o do trabalho. As relações morais explicam o papelque o Outro exerce na formação da consciência de um indivíduo[8]
 
.Ou seja, o indivíduo só sereconhece quando o Outro o reconhece. E este, por sua vez, depende do reconhecimento daquele parase reconhecer como tal. O trabalho mostra a maneira com que o homem interage com a natureza,considerando-a objeto donde extrai os meios de sua subsistência. A linguagem se dá pelos processos desimbolização e representação e, pode-se dizer, origina as outras duas fases do processo (moral etrabalho), podendo ser considerada como de maior importância. Entretanto, não é assim tratada por Hegel, que estabelece as três fases em uma mesma linha de importância.Hegel tem como característica mais importante de sua filosofia ter alcançado a plenitude do processodialético. Este, em poucas palavras, pressupõe tese, antítese e síntese, sendo observado no hegelianismoda seguinte maneira:
Tese:
idéia absoluta ou razão -
euAntítese:
sair de si da idéia - natureza - (degradação) – 
não eu
;
Síntese:
regeneração da idéia no espírito – 
 
eu absoluto
.De tal modo, a fim de concluir de maneira coerente o que compreende o pensamento de Hegel,discorrer-se-á brevemente acerca da
 Fenomenologia do Espírito
e da “Dialética do Senhor e doEscravo”, que compreende um capítulo da obra supramencionada.
Fenomenologia do Espírito:
 A Fenomenologia descreve o itinerário da alma que se eleva a espírito por meio da consciência;descreve a história do espírito humano: da consciência do conhecimento comum ao saber absoluto. Issoocorre em etapas, dialeticamente, onde as mais elevadas contêm as inferiores, como momentossuprassumidos (mantêm-se as etapas inferiores).Hegel concebe que devemos saber lidar com as contradições já que estas vêm refutar afirmações etrazer uma nova concepção da consciência do real, de modo que aquelas são suprassumidas, isto é,
 
negadas na idéia original, mas conservadas na sua essência profunda. Hegel exemplifica o movimentodialético com a flor, que nega a realidade do botão, mas que o conserva na sua essência já que ainexistência daquele acarretaria a sua inexistência. Nas etapas, então, o inferior é anulado pelo superior, porém, sem que esta elimine aquela ao superá-la,
 
mas, sim a conserva (a suprassume). O saber absoluto (síntese no processo dialético) não é algoinacessível ao saber, mas é o saber de si mesmo no saber da consciência: a auto-reflexão. O saber fenomênico é o saber progressivo que o absoluto tem de si mesmo.
A dialética do Senhor e do Escravo:
  Nessa metáfora, Hegel pretende demonstrar o processo da identidade da consciência em sua luta peloreconhecimento pelo outro (a outra conscncia). Verifica-se, porém, através de leitura daFenomenologia, que essa luta pelo reconhecimento se dá, em verdade, em um único sujeito com duas -ou mais - consciências.[9] 

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