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VIOLÊNCIA DA ESCOLA, NA ESCOLA E CONTRA A ESCOLA (1)

VIOLÊNCIA DA ESCOLA, NA ESCOLA E CONTRA A ESCOLA (1)

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3. Violência na Escola,da Escola e contra a Escola
 Marilena Ristum Assim que você pensar que sabe como são realmenteas coisas, descubra outra maneira de olhar para elas.
Robin Williams
À primeira vista, o título deste capítulo pode parecer confuso, mas espe-ramos que, no decorrer do texto, ele se torne claro e indicativo do quepretendemos abordar na complexa relação entre escola e violência.Iniciamos refletindo sobre uma questão de fundamental importância: adeterioração da situação profissional do professor, apresentada no item
 
violência contra a escola’.
 
Julgamos que a condição de trabalho de mui-tos professores brasileiros se constitui em verdadeiro atentado contra aescola. Consideramos que o professor e o aluno, juntos, representam omais importante pilar de sustentação da escola. Por isso destacamos ascondições estruturais desfavoráveis como importantes formas de violên-cia que valem a pena ser debatidas. A seguir, apresentamos outra formacomum de violência contra a escola: a agressão de grupos ou pessoasexternas ao espaço escolar.Prosseguimos o capítulo com o tema ‘violência da escola’, que destacauma forma de violência própria ao ambiente institucional, a violênciasimbólica. Por fim, abordamos a ‘violência na escola’, especialmente ca-racterizada pelas agressões que envolvem diferentes atores escolares.
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Violência contra a escola
A desvalorização social e o empobrecimento doprofessor
As mudanças no cenário profissional dos professores, produzidas peloaumento no número de alunos, pela sua heterogeneidade sociocul-tural, pelas novas demandas de escolarização geradas pela sociedade,pelo impacto de novas concepções do ensino e de formas de lidar como conhecimento, não têm sido acompanhadas pela implementação depolíticas educacionais capazes de enfrentar os desafios e de valorizar osprofissionais de ensino (Gatti, 1996).Uma investigação, feita com professores de primeiro grau de escolas mu-nicipais e estaduais do Rio de Janeiro (Junqueira
&
Muls, 1997), mostrouo processo de pauperização desses docentes, ao longo de um período de17 anos, levando-os a condições de vida crescentemente precárias.Esse quadro ainda é atual e parece se repetir em todo o Brasil. As ações doMinistério da Educação, que declara a prioridade do Ensino Fundamen-tal, estão muito mais voltadas para prover as escolas com equipamentosaudiovisuais (televisões, datashow, computadores etc.), livros didáticose também para aumentar a quantidade de alunos nelas matriculados.A esse respeito, vale lembrar as palavras de Bosi (1997: 3): “Computa-dores e TV aos milhares, sem professores respeitados e estimulados sãosucata virtual. Livros didáticos, sem mestres que os leiam e trabalhemcom garra e entusiasmo, são pilhas de papéis destinadas ao lixo do es-quecimento”.
 Um trabalho que focalizou a desvalorização social do professor de escolaspúblicas e privadas do Ensino Fundamental de Recife (PE) ressalta que, nasentrevistas e discussões em grupo, os professores destacaram a discrimi-nação social da docência, tendo em vista uma clara deterioração de suaposição social. Para a grande maioria, a docência “tornou-se profissão depobre” e a insatisfação com a baixa remuneração foi generalizada (Weber,1997).
 
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Verificou-se esse mesmo tipo de insatisfação no discurso de várias pro-fessoras entrevistadas em um trabalho sobre violência (Ristum, 2001).Apesar de não terem sido perguntadas especificamente sobre esse assun-to, afirmaram seu empobrecimento e a falta de reconhecimento da re-levância de sua profissão, indicando que essas questões monopolizavamgrande parte de suas preocupações.A implementação de uma política de valorização da educação e do ma-gistério é urgente e deve voltar-se para a formação dos professores, apartir de soluções para os problemas estruturais da educação, como é ocaso de melhores condições de trabalho e salários dignos. Uma das pro-fessoras entrevistadas em um trabalho sobre escola e violência (Lucinda,Nascimento
&
Candau, 1999: 85) retratou sua percepção sobre o descasogovernamental em relação ao profissional do ensino da seguinte forma:
Eu acho que isso aí tem que partir de cima para baixo. Houveuma desvalorização do ensino muito grande, da escola, do pro-fissional de educação. Então, tem que vir também de cima para baixo o respeito a esse profissional, o respeito a esse ensino... Sóno momento que o governo valorizar o professor e a escola éque a comunidade vai ser um reflexo desse valor.
Essa afirmação da professora mostra que, a seu ver, a desvalorização daeducação e de seus profissionais ocorreu “de cima para baixo”, e que,portanto, “de cima para baixo” deverá ocorrer o movimento inverso.
Para refletir
O que você acha da afirmação anterior? Você concorda com ela? Por quê?
A política de valorização da educação formal é uma questão bastantecontrovertida e complexa. Entretanto, é inegável que as precárias con-dições de trabalho e os baixos salários dos professores aliados a baixosinvestimentos, ou a investimentos equivocados na sua formação profis-sional, são aspectos cujas mudanças são essenciais para fazer deslancharesse processo. Ao comentar a exploração indevida do trabalho do pro-fessor, Junqueira e Muls (1997: 141) afirmam que “Com a brutal retra-ção da remuneração em todos os níveis do magistério público, pode-se
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