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Aspectos da Escolha Temática em Crônicas de Cristóvão Tezza
 
 Henrique Luiz Fendrich
Esse estudo analisa aspectos das escolhas temáticas nas crônicas de CristóvãoTezza, publicadas no jornal Gazeta do Povo, confrontando-as com as própriasconcepções do autor sobre o gênero e sua produção, além de verificar possíveisinfluências jornalísticas nesse processo. Para isso, além da análise das crônicas, se faznecessário uma entrevista com o autor, para verificar as condições de produção dostextos e suas opiniões sobre o gênero e suas próprias crônicas. A análise também levaráem consideração definições de teóricos do jornalismo, especialmente com relação àtemática e ao ambiente de produção do gênero.O objetivo é verificar relações existentes entre as práticas do jornal quedivulga seus textos e a produção dos mesmos – e, dessa forma, perceber se isso costumainterferir na escolha do autor pelos temas das crônicas (abordar um tema noticiado, por exemplo). A intenção também é perceber se a temática tende a abordar acontecimentos publicados em jornal (fazendo, nesse caso, um “aprofundamento da nocia”,característica que teóricos do jornalismo como Melo
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e Beltrão
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defendem).O escritor Criso Tezza se tornou cronista pouco tempo. Suas publicações no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, tiveram início em 1º de abril de2008. Ao justificar sua pouca experiência no gênero, Tezza considera que a passagemda literatura para a crônica não é das mais fáceis. Assim, entende-se que, para ele, acrônica não é literatura – ou, ao menos, que é uma espécie de literatura distinta daquelaque faz habitualmente. A capacidade do gênero em misturar jornalismo e literatura édestacada por teóricos de ambas as áreas. A opinião também é a da Tezza, que, apesar disso, acredita que os seus textos pendem para o lado da literatura. Isso se daria pela própria condição do autor, que sempre foi escritor, e nunca trabalhou com jornalismo.Mesmo com maior caráter literário, Tezza admite que também as suas crônicas acabamnão se afastando muito do jornalismo, embora também fujam do noticiário objetivo.O autor tem no cotidiano, assumidamente, a principal fonte temática. O jornal,nesse sentido, serviria como um canal de divulgação de acontecimentos do dia-a-dia.Tezza acredita que o rmula definida para a crônica, mas entende que os
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MELO, José Marques de;
 A crônica
”. In: CASTRO, Gustavo de, GALENO, Alex (org.);Jornalismo e literatura – A sedução da palavra. São Paulo: escrituras, 2002.
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BELTRÃO, Luiz.
Jornalismo Opinativo
. Porto Alegre: Sulina, 1980.
 
 pequenos acontecimentos do cotidiano, noticiados ou não, e tratados com leveza, dão otom da crônica clássica – e também das suas.Há exemplos totalmente diversos de cronistas, dentro da própria Gazeta doPovo. José Carlos Fernandes, jornalista, assina uma coluna semanal que também chamade crônica. Ao contrário de Tezza, seus textos são mini-reportagens, vinculadastotalmente com a realidade, a ponto de Fernandes realizar a apuração dos fatos antes deescrever sua crônica. Assim, não há espaço para a ficção, embora haja para tratamentosmais literários. O jornal, que para Tezza é apenas uma fonte de assuntos do cotidiano, para Fernandes continua com o mesmo princípio básico do veículo, que é a de informar sobre acontecimentos reais.Diferentemente do que diz acontecer na literatura, Tezza afirma que na crônicao leitor é peça fundamental, em quem se pensa o tempo todo durante a produção dotexto. Isso se daria pela coletividade e a diversidade que o jornal consegue alcançar, eafetaria inclusive a seleção de seus temas. O autor não poderia descrever, por exemplo,um ato sexual em sua crônica – o que seria permitido na literatura. A dependência como leitor – plenamente associada, portanto, ao jornalismo – influenciaria, para Tezza,também o tratamento dado aos temas, evitando ser hermético demais (pois assimdestoaria da linguagem do jornal), além de cumprir uma espécie de ‘etiqueta delinguagem’ – não pode usar palavrões, por exemplo.Ao contrário de cronistas tradicionais como Rubem Braga, que trabalhavam no jornal e, muitas vezes, discutiam aspectos do ambiente da redação em suas crônicas,Tezza não se relaciona com a produção do jornal. Envia seus textos semanalmente àredação, por 
email 
. Revela, inclusive, que seus textos seriam idênticos independente do jornal que os divulgasse. Logo, dificilmente abordaria temas como a rotina produtiva doveículo. Na análise de todas as crônicas de Tezza publicadas até o dia 09 de setembro,não foi encontrada, de fato, nenhuma prática da atividade jornalística como tema principal – apenas ligeiras menções à atividade de cronista.O distanciamento entre crônica e jornalismo também se evidenciaria pelotempo entre produção e divulgação. A matéria escrita pelo jornalista geralmente é publicada tão logo seja escrita – normalmente no dia seguinte -, e a crônica de Tezzao obedece a mesma regra. O escritor afirma que mantém sempre cerca de trêscrônicas “de reserva”, na fila para serem publicadas, com temas mais gerais e literários.A sua rotina de produção, portanto, difere consideravelmente da rotina do jornal. Senovamente compararmos com Braga, constatamos uma sensível diferença, já que o
 
escritor capixaba produzia uma crônica por dia, enquanto que Tezza escrevesemanalmente, e não necessariamente a mesma crônica que será publicada na semanaseguinte. A possibilidade de encontrar um bom tema é maior, portanto.Outra característica geralmente atribuída à crônica é a de se ocupar de algumfato noticiado. No caso de Rubem Braga, isso muitas vezes acontecia na própriaredação, ao ler um telegrama que chegou ao jornal e então escrever um texto sobre ele – ou seja, existia também nesse ponto a influência da redação na escolha do tema. A fimde verificar com que freqüência Tezza se ocupava de temas jornalísticos em suascrônicas (aqui entendidos apenas como as notícias, já que desconsidera-se as rotinas de produção, inexistentes durante a escrita das suas crônicas), analisou-se todos os textosdo autor publicados no período de 1º de abril a 09 de setembro de 2008.Chegou-se a concluo de que 4 de suas crônicas (16,6%) utilizamvisivelmente uma notícia como tema principal: “Um Grande Negócio”, sobre asOlimpíadas, “Calçadas de Curitiba”, sobre calçadas petit-pavé na capital paranaense,“Sociedade e Tribo”, que gira em torno da nocia em que taxistas mataram umassaltante, e “Nós e Eles”, que cita declaradamente duas notícias, embora de formametafórica, uma sobre segurança e outra sobre um acidente. O uso de notícias comoassunto preferencial, portanto, abrange um número reduzido de suas crônicas.Para melhor qualificar os outros temas das crônicas de Tezza, criou-se duascategorias, conforme aquilo que foi possível encontrar em suas produções. Uma delasdiz respeito a “Experiência/Reminiscências”, com crônicas em que o assunto,nitidamente, são considerações do autor sobre determinadas situações do cotidiano,muitas vezes fazendo referências a episódios do seu passado. Essas crônicas chegaramao número de 17, totalizando 70,8%. Nota-se que a preferência maior de temas se dánessa categoria. Um assunto que se encaixa nela, no entanto, não é totalmente ausentede acontecimentos noticiados em sua estrutura. Durante a análise, percebeu-se que,mesmo nessas crônicas, há a citação eventual de notícias. A diferença para a categoriaanterior é que elas não são o assunto principal, mas apenas um complemento aosacontecimentos que o cronista narra ou às considerações que faz – ou então, em algunscasos, um mero detalhe no texto.Das crônicas com “Experiências/Reminiscências”, 29,4% citam um fatonoticiado – sempre de maneira indireta, sem a menção de que é uma notícia, emboraseja notória a intervenção midiática para levar até o cronista o acontecimento citado.o textos como “O Dentista Coxa-Branca”, que cita a Final do Campeonato

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