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Palestra Claus Offe Junho 2010 - UFPR

Palestra Claus Offe Junho 2010 - UFPR

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Published by Camila Tribess
Palestra do Prof. Claus Offe em Curitiba, junho de 2010
Palestra do Prof. Claus Offe em Curitiba, junho de 2010

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Categories:Types, Speeches
Published by: Camila Tribess on Oct 28, 2010
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Claus Offe – conferência 1 : Sociedade CivilFaculdade de Direito UFPR – 29 de junho de 2010, 10h.
 A grande pergunta das Ciências Sociais não é mais “o que devemos fazer”, mas sim seé possível ainda fazer algo. A maioria das sociedades saiu de seu próprio controle e a quebraeconômica de 2009 é uma grande prova de que, de fato, ninguém está no controle.Atualmente, o termo utilizado nas ciências sociais não é mais “governo”, mas sim“governantes”, colocando o enfoque sobre uma suposta cooperação entre as diversas esferasda sociedade.Offe sustenta basicamente 3 teses:1)
 
A ordem social é uma organização estável entre relações sociais, não havendo,assim, um só setor dominante (só a economia, só a sociedade ou só o Estado).2)
 
Nenhuma das esferas (economia, Estado e sociedade) pode ser ignorada. Cadauma dessas esferas é parte de uma intrincada relação. A social-democracia defende aimportância do Estado, o liberalismo defende a importância da economia e os partidos de viéscomunitarista – na maioria das vezes cristãos ou religiosos – defende a importância daorganização social, que muitas vezes é inclusive apresentada de forma voluntarista.3)
 
Não havendo predominância de uma dessas esferas, a grande questão é: qualrelação entre essas esferas pode trazer maior equilíbrio e controle social (num sentido positivodesse termo)?O modelo de orçamento participativo de Porto Alegre, para Offe, é um bom exemplopara se pensar nesse controle que a sociedade deve exercer sobre as outras 2 esferas,impedindo que o controle aconteça apenas pelo Estado ou pelo mercado.Para ele, quanto à principais teorias nas Ciências Sociais (e na prática política real)temos 6 grandes falácias:1)
 
A falácia do estatismo excessivo. O Estado deve ter certo controle, mas nospaíses socialistas, por exemplo, esse controle tornou-se exagerado, trazendo muita corrupçãoe repressão. Estados muito grandes podem fazer com que o
accountability 
(responsabilidadeperante os eleitores e cidadãos) torne-se impossível.2)
 
A segunda falácia é a da capacidade insuficiente do Estado, pregada pelosliberais. O Estado deve garantir certa segurança aos cidadãos e até mesmo à economia. É certoque um Estado mais controlado apresenta menos corrupção, mas o Estado não pode sermenosprezado, o papel do Estado é proteger seus cidadãos, de diversas formas. Assim, oEstado muito grande é problemático, mas o Estado minguado também o é.
 
3)
 
A falácia do livre mercado. Offe cita um artigo em que o livre mercado écolocado como se fosse uma prisão para a sociedade, em que a liberdade do mercado acabacom a liberdade das pessoas. Para ele o sucesso no mercado não torna, necessariamente, aspessoas mais felizes, ao contrário, a excessiva competição torna as pessoas infelizes e fúteis. Aliberdade excessiva do mercado causa problemas sérios como a grande desigualdade social,problemas ambientais, além de ditar as regras da vida das pessoas que, muitas vezes, nãoquerem ser guiadas pela lógica do mercado. “O mercado também é doutrinário”, disse Offe.4)
 
A quarta falácia é a da limitação excessiva do mercado. “A competição nomercado pode ser um remédio ou um veneno, dependendo da dose”. Na medida certa elepode incentivar relações pacíficas entre pessoas e povos (algo próximo à certas teorias deRelações Internacionais, em que se considera que países que comercializam não entram emguerra entre si). O mercado também pode educar as pessoas a lidar com derrotas, além detranscender Estados e culturas, promovendo trocas culturais. O mercado é em si internacional.5)
 
A quinta falácia é a do excesso de comunitarismo. A política que incentivadiferenças é chamada de multiculturalista, muito visível nos Estados Unidos e Europa. Osdiscursos da mídia e da política tornam-se muito voltado para minorias cada vez maisespecíficas, de forma segmentada. A maioria das questões diz respeito à interesses pessoais oude grupos, o que pode fazer emergir sectarismos e grandes divisões na sociedade (religiosas,étnicas, culturais, sexistas). Todos os direitos das minorias devem ser preservados egarantidos, mas com o excesso de divisa na sociedade não há integração, podendo gerar ódiose conflitos. É importante atender aos interesses de pequenos grupos, mas
só isso
numasociedade traz muitas diferenças e não atende à interesses públicos mais amplos.6)
 
Por último, a sexta falácia é a da falta de comunitarismo. Os grupo sociaismenores e mais homogêneos são ótimos meios para que as pessoas tenham identidadeprópria, engajamento político e solidariedade. Ninguém é capaz de fazer sacrifícios em nomede algo que não acredita ou que não se sente parte, nesse sentido, os grupos sãofundamentais.Como resolver essas ambigüidades?A resposta, para Offe, está na própria sociedade e em suas 3 esferas, não em teorias. Aresposta não pode ser ideológica ou doutrinária, se o for, não abrangerá a todo o conjunto dasociedade.Temos atualmente tr6es iniciativas que se colocam como alternativas possíveis à essasambigüidades.- as ONGs (Organizações não-Governamentais), que permitem controlar e cobrar açõesdo governo, além de agir de forma independente e crítica à este.
 
- as organizações sem fins lucrativos, que são ações de cunho basicamente econômico(ou mercantilizado), mas que são realizadas fora da lógica do mercado.- as ações “não-tribais” (denominação do próprio Offe), que são ações feitas porgovernos ou pela sociedade (e até mesmo empresas) que não são voltadas para gruposespecíficos na sociedade, mas sim buscam ser mais universalistas, indo além das divisõesculturais e religiosas.Essas iniciativas são, por si, também contraditórias em grande parte das vezes, mas sãocriadas na sociedade e podem apontar caminhos que permitam equilibrar as três esferas dasociedade.
Resposta às questões do público:
As ONGs e ações sem fins lucrativos, quando utilizam recursos do Estado, “tornam-separasitas”. Os recursos estatais são para bens públicos, hospitais e escolas públicas e não paraONGs ou fundações sem fins lucrativos. A comunidade deve controlar essas instituições. Seestas estão utilizando recursos públicos elas passam a ser públicas também, sendo de controlepúblico, não privado. Esse não é um problema só do Brasil, mas também ocorre muito naEuropa. As ONGs deveriam ajudar a controlar as ações públicas, mas ao mesmo tempo elastambém devem ser controladas pela sociedade.Proposta sobre financiamento de campanha: cada eleitor deveria ganhar um cartão decrédito com um valor de 50 dólares e doaria esse cartão ao candidato/partido de suapreferência. Esse dinheiro viria dos impostos, o que oneraria o Estado, no entanto, acabariacom os financiamentos de empresas aos partidos.Caso chinês: “a China é um capitalismo autoritário”. Não há democracia, mas há aprisão do livre mercado. Na China um aparte do país ganha 10 vezes mais do que as outras, oque causou uma grande migração interna, principalmente para Changai. Isso causa sériosconflitos sociais no país e essas pessoas (trabalhadores) não tem a possibilidade de seassociarem democraticamente (em sindicatos, por exemplo). Os conflitos entre trabalhadorese policiais é cada vez mais freqüente no país e a situação política é muito instável. O governochinês sabe que agora é “muito tarde” para abrir o regime, porque há muita energia políticaconcentrada nas grandes cidades e isso sairia do controle se a repressão fosse diminuída.

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