Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
51Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Toyotismo e Mundialização do Capital

Toyotismo e Mundialização do Capital

Ratings:

4.83

(12)
|Views: 43,388|Likes:
Published by lauroprado
A partir da mundialização do capital, o que veio a ser denominado de toyotismo assumiu a posição de objetivação universal da categoria da flexibilidade, tornando-se um valor universal para o capital em processo. O toyotismo tornou-se o "momento predominante" do novo complexo de reestruturação produtiva sob o novo regime de acumulação flexível.

Toyotismo e Mundialização do Capital

Giovanni Alves
(Sociólogo, doutor em ciências sociais (UNICAMP), professor de Sociologia na UNESP/Marília - E-mail para contato: giovanni.alves@uol.com.br)
A partir da mundialização do capital, o que veio a ser denominado de toyotismo assumiu a posição de objetivação universal da categoria da flexibilidade, tornando-se um valor universal para o capital em processo. O toyotismo tornou-se o "momento predominante" do novo complexo de reestruturação produtiva sob o novo regime de acumulação flexível.

Toyotismo e Mundialização do Capital

Giovanni Alves
(Sociólogo, doutor em ciências sociais (UNICAMP), professor de Sociologia na UNESP/Marília - E-mail para contato: giovanni.alves@uol.com.br)

More info:

Published by: lauroprado on Oct 19, 2007
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF or read online from Scribd
See more
See less

03/11/2013

pdf

 
Toyotismo e Mundialização do Capital
 
Giovanni Alves
(Sociólogo, doutor em ciências sociais (UNICAMP), professor de Sociologia na UNESP/Marília - E-mail para contato: giovanni.alves@uol.com.br  )
 A partir da mundialização do capital, o que veio a ser denominado de toyotismoassumiu a posição de objetivação universal da categoria da flexibilidade, tornando-seum valor universal para o capital em processo. O toyotismo tornou-se o "momento predominante" do novo complexo de reestruturação produtiva sob o novo regime deacumulação flexível. É claro que a projeção universal do toyotismo, a partir dos anos 80, vincula-se aosucesso da indústria manufatureira japonesa na concorrência internacional. Durante osanos 70 e 80, diversas técnicas foram importadas do Japão, em diversas ondas, comdiferentes ênfases, para diversos países e setores. A primeira onda foi a dos CCQ’s e,quase que em paralelo, a do
 Kanban
/
 JIT 
. Posteriormente, diversos outros elementosforam adicionados, como TQC (
Total Quality Control 
),
 Kaizen
, técnica dos 5S’s, TPM(
Total Productive Maintenance
) e outras (Zilbovicius, 1997:286).Mas, o novo método de gestão da produção, impulsionado, em sua gênese sócio-histórica, pelo
 sistema Toyota
, conseguiu assumir um valor universal para o capital em processo, tendo em vista as próprias exigências do capitalismo mundial, das novascondições de concorrência e de valorização do capital surgidas a partir da crisecapitalista dos anos 70. Isso significa dizer que o toyotismo não pode mais ser reduzidoàs condições históricas de sua gênese, tornando-se adequado, sob a mundialização docapital, não apenas à nova base técnica do capitalismo, com a presença de novastecnologias microeletrônicas na produção – o que exige um novo tipo de envolvimentooperário, e, portanto, uma nova subordinação formal-intelectual do trabalho ao capital – mas à nova estrutura da concorrência capitalista no cenário de crise de superprodução,onde está colocada a perspectiva de "mercados restritos" .Ao surgir, portanto, como o "momento predominante" do complexo de reestruturaçãosob a mundialização do capital, o toyotismo passou a incorporar uma "novasignificação", para além das particularidades de sua gênese sócio-histórico (e cultural),vinculado com o capitalismo japonês. Deste modo, ao utilizarmos
o conceito detoyotismo
, queremos dar-lhe uma significação particular, delimitando alguns de seusaspectos essenciais. São tais aspectos essenciais do toyotismo
-
seus
 protocolosorganizacionais (e institucionais), voltados para realizar uma nova captura da subjetividade operária pela lógica do capital 
 – que possuem um valor heurístico, capazde esclarecer seu verdadeiro significado nas novas condições da mundialização docapital.Para nós, o toyotismo não é considerado um novo modo de regulação do capitalismo,no estilo da Escola da Regulação (tal como fizeram, por exemplo, com o conceito defordismo); o potencial heurístico do conceito de toyotismo é limitado à compreensão dosurgimento de uma nova lógica de produção de mercadorias, novos princípios deadministração da produção capitalista, de gestão da força de trabalho, cujo valor universal é constituir uma nova hegemonia do capital na produção, através da captura dasubjetividade operária pela lógica do capital.
 
  Na verdade, o toyotismo é um estágio superior de racionalização do trabalho, que nãorompe, a rigor, com a lógica do taylorismo-fordismo (é por isso que alguns autores odenominam "neofordismo") (Aglietta, 1978). Entretanto, no campo da gestão da forçade trabalho, o toyotismo realiza um salto qualitativo na captura da subjetividadeoperária pela lógica do capital, o que o distingue, pelo menos no plano da consciênciade classe, do taylorismo -fordismo.Uma outra utilizão indevida do conceito de toyotismo ocorre quando oconsideramos, por exemplo, o único responvel pelo sucesso da instriamanufatureira do Japão no mercado mundial dos anos 80 (o que implica, de certo modo,reduzir o desenvolvimento capitalista à perspectiva microeconômica, não levando emconsideração as determinações "sistêmicas" da competitividade industrial). Nesse caso,a mera "transferibilidade"
-
ou adaptação – do "modelo" japonês às indústrias, nosvários países capitalistas, seria considerada como a panacéia da competitividadeindustrial. Ora, a crise do capitalismo japonês nos anos 90 demonstrou que considerar otoyotismo uma panacéia para o desenvolvimento capitalista é uma mera ilusãoideológica. Por outro lado, não reduzimos o conceito de toyotismo à "japonização" (Wood), ao"modelo" japonês (Hirata), ao "sistema Toyota" (Monden), apesar de ele – o toyotismo – ter a sua gênese sócio-histórica no Japão ou vincular-se, em suas origens, ao pioneirismo da Toyota. Ao desenvolver-se e assumir uma dimensão universal, as novas práticas gerenciais e empregatícias, tais como
 just in time
/
kanban
, controle dequalidade total e engajamento estimulado, levado a efeito pelas corporações japonesas,assumiram uma nova significação para o capital, não mais se vinculando às suas particularidades concretas originárias. Elas surgem como uma nova via original deracionalização do trabalho, centrada na
lean production
, adequadas a uma nova etapa docapitalismo mundial, onde, a rigor, a distinção entre "oriente" e "ocidente" perde a suasignificação central para a lógica da valorização. O que interessa, nesse caso, são asobjetivações concretas dos princípios (e técnicas) organizacionais do toyotismo, capazesde garantir, em maior ou menor proporção, seu objetivo primordial: a constituição deuma nova subjetividade operária, capaz de promover uma nova via de racionalização dotrabalho.
 A Lógica do Toyotismo
O que consideramos como sendo o toyotismo pode ser tomado como a mais radical (einteressante) experiência de organização social da produção de mercadorias sob a era damundialização do capital. Ela é adequada, por um lado, às necessidades da acumulaçãodo capital na época da
crise de superprodução
, e, por outro lado, é adequada à
novabase técnica da produção capitalista sob a III Revolução Tecnológica
, sendo, portanto,capaz de desenvolver suas plenas potencialidades de flexibilidade e de manipulação dasubjetividade operária.Os princípios organizacionais do toyotismo tenderam, no decorrer dos anos 80, aserem adotados por várias corporações transnacionais nos EUA, Europa e Ásia (ouainda América Latina), principalmente no setor industrial (ou até nos serviços). É claroque, nesse caso, eles – os princípios organizacionais – se adaptaram às particularidades
 
concretas da produção de mercadorias, surgindo como o "momento predominante" docomplexo de reestruturação produtiva. Ao assumir um valor universal, o toyotismo passou a mesclar-se, em maior ou menor  proporção, a suas objetivações nacionais (e setoriais), com outras vias de racionalizaçãodo trabalho, capazes de dar maior eficácia à lógica da flexibilidade. É por isso que ainstauração do toyotismo articula, em seu processo, uma continuidade/descontinuidadecom o taylorismo/fordismo, a via predominante de racionalização pretérita do trabalho. Na verdade, o aspecto original do toyotismo é articular a continuidade daracionalização do trabalho, intrínseca ao taylorismo e fordismo, com as novasnecessidades da acumulão capitalista. É uma "ruptura" no interior de umacontinuidade plena. Por isso, "embora consciente das diferenças e de suas contribuiçõesespecíficas, Taichi Ohno [o "criador" do toyotismo – G.A] preferiu insistir antes sobreas continuidades que sobre as rupturas" [com relação a Taylor e Ford] (Coriat, 1993:86).Além disso, o próprio autor do rótulo pelo qual ficou conhecido o toyotismo:
lean production
, ou Produção Enxuta, posteriormente consagrado mundialmente através doestudo do MIT (Womack 
et al.
, 1990), Krafcik, observou que "muitos dos princípios deFord em suas formas mais puras são ainda válidos e formam a própria base do queconhecemos agora como
Toyota Production System
...Fordismo original com um sabor  japonês." (Krafcik Apud Zilbovicius, 1997:294) .Deste modo, para Simone Weil, por exemplo, tanto o taylorismo/fordismo, como otoyotismo, são partes da Segunda Revolução Industrial (a utilização "científica damatéria viva, o trabalho vivo") – todos eles, em maior ou menor proporção, estariam preocupados com o controle do elemento subjetivo no processo de produção capitalista(para Weil, a Primeira Revolução Industrial significou a aplicação tecnológica daciência, a utilização da matéria inerte e das forças da natureza) (Bosi, 1979).Entretanto, pode-se perguntar:Por que, em plena época da III Revolução Científico-Tecnológica, o capital tenderia arecorrer ao toyotismo e não à mera introdução de novas tecnologias microeletrônicas na produção, capazes de negar o "trabalho vivo", transformando-o, portanto, em coisasupérflua, apendicizada ao sistema de maquinaria e rompendo, deste modo, com alógica do taylorismo/fordismo?Seria o toyotismo, que para Coriat é "meramente uma inovação organizacional",apenas uma continuidade da preocupação de controle do elemento subjetivo pelocapital, de super-intensificação do trabalho vivo como a forma por excelência deaumento da produtividade do trabalho, tal como ocorreu sob o taylorismo/fordismo?Acreditamos que o. Apesar de o toyotismo pertencer à mesma gica deracionalização do trabalho, o que implica considerá-lo uma continuidade com respeitoao taylorismo/fordismo, ele tenderia, nesse caso, a surgir como um controle do elementosubjetivo da produção capitalista que estaria posto no interior de uma nova subsunçãoreal do trabalho ao capital o que seria uma descontinuidade com relação aotaylorismo/fordismo (é o que Fausto denominou subordinação formal-intelectual – ouespiritual – do trabalho ao capital). Por isso, é a introdução da nova maquinaria,vinculada à III Revolução Tecnológica e Científica,
o novo salto da subsunção real do

Activity (51)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 hundred reads
1 thousand reads
Eliana Gotti liked this
Isadora G. França added this note
hnhhhh
Alexandro Paixao liked this
Gabriela Suarez liked this
Daniel Scatena liked this
Thiago Baudino liked this

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->