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Do movimento negro às organizações de mulheres negras

Do movimento negro às organizações de mulheres negras

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Uma história de lutas:Do movimento negro às organizações de mulheres negras
Por Douglas XavierGraduando em JornalismoUniversidade Federal da Paraíba
Resumo:
Trazemos, neste artigo, um apanhado histórico das primeiras manifestações do povo negro,datadas pelo surgimento das associações voltadas para a causa racial. Passamos pela construçãodo Movimento Negro Unificado, importante marco para os negros no Brasil, significando diversasconquistas. E, na seqüência, destacamos a questão atual da mulher negra no país, tambémdescrevendo o percurso de suas primeiras organizações, segundo indícios encontrados empesquisas. Nesse último ponto, tratamos, em especial, do Grupo de Mulheres Negras da Paraíba –
Bamidelê 
, ONG localizada na cidade de João Pessoa, atuante desde 2001 no Estado.
Palavras-chaves:
Associações de Negros, Movimento Negro Unificado, Mulheres Negras,
Bamidelê 
.
Introdução
A trajetória do movimento negro no Brasil, ou pelo menos o que inicialmentepodemos identificar como posição de protesto dos homens e mulheres
de cor 
1
,não teve, como se pensa, sua gênese na década de 1970, durante a reaberturademocrática; período em que eclodiram diversas “revoluções” na sociedadebrasileira. Muito antes de existir um movimento negro de base sólida, que surgiuconcomitantemente à aparição dos movimentos sociais e organizações sindicais,a questão racial já na década de 20 ganhava porte de luta social das
classes subalternas 
.A rigor, não se tratava de um movimento, mas de incitações da parte degrupos formados por negros insatisfeitos com a “liberdade” que lhes havia sidoconcedida, com a exclusão social enfrentada pela
população de cor 
, e as normas
1
Termo preferível a negro/negra nas primeiras décadas do século XX. Ver em Fernandes (1978).
2
Ribeiro (2006, p. 191-193) diferencia a sociedade em quatro grupos:
classes dominantes, setores intermediários, classes subalternas e classes oprimidas 
. Nestas últimas estariam enquadrados osnegros, mendigos, moradores das favelas, analfabetos e, segundo Ribeiro, aqueles incapazes dese organizarem e reivindicarem. Logo, consideramos que a organização do povo negro partiudaqueles que se achavam nas
classes subalternas 
, entre assalariados rurais e o operariado.
 
2
sociais impostas brandamente pelas classes dominantes. O fim do escravismosignificou para eles, de um lado a quebra das correntes de ferro, mas de outro oimpedimento de exercer sua plena liberdade. Uns, foram absorvidos pela
sociedade de classes 
. Porém, grande parte ficou à míngua, compondo as
classes oprimidas 
; sem emprego, sem sustento.
 
Os negros e negras que, de imediato à libertação ou mais tarde,conseguiram se integrar à sociedade do trabalho, novamente tiveram como funçãoo servir. Trocaram os senhores feudais pelos senhores das cidades. Isso emconseqüência da migração acarretada após a promulgação da Lei Áurea. Amulher, na maioria das vezes, acabava trabalhando como empregada domésticaem casas de famílias abastadas, assumindo condição de submissa.Em protesto a esse tipo de situação pela qual os negros passavam,submetendo-se ao empregador de maneira a repetir a relação existente entresenhor feudal e escravo, que surgiram as primeiras aspirações de organizaçõesno meio dessa população. A motivação residia no anseio de experimentar averdadeira liberdade, ou seja, de poder ter, poder ser, de igual para igual. Emoutras palavras, de estar integrado no quebra-cabeça da sociedade – fazer partedela.
 
Tal era a realidade da época, que se falava numa “segunda abolição”, a fimde eliminar a discriminação racial da sociedade, dissipando as diferenças sociais.Mas a idéia de discriminação ou segregação era ignorada pela ampla maioria daspessoas das classes privilegiadas, e até mesmo entre alguns negros. Como se ofim da escravidão fosse suficiente para se afirmar que o Brasil era um paísajustado, onde os negros gozavam de liberdade.Florestan Fernandes (1978) revela as mobilizações de grupos negrosdurante a primeira metade do século XX em São Paulo, organizados em prol da
“tomada da consciência, de crítica e de repulsa à situação do negro” 
. Essasassociações existiram no período compreendido entre 1927 e 1945, porém muitastiveram curta duração; foram poucas as que deram continuidade às suasatividades.
3
Fernandes (1978)
 
3
Esses primeiros “movimentos” são descritos pelo sociólogo (1978, pág. 27),a partir de determinados requisitos:
requisitos psicosociais e sócio-culturais dos movimentos sociais do‘meio negro’ em termos: 1) da ressocialização do negro e do mulato;2) da compreensão alcançada de que o preconceito e adiscriminação raciais são ‘problemas sociais’ e devem ser tratadoscomo tal; 3) do aparecimento de formações societárias que serviriamde base à organização e à expansão dos movimentos; 4) depolarizações sócio-dinâmicas, como o chamado “preconceito donegro”; 5) da radicalização do ‘mulato’; 6) da influência construtivados movimentos sociais com agências de diferenciação de papéissociais e de controle social.
Uma das entidades criadas, de acordo com o levantamento impetrado porFlorestan Fernandes em seu estudo, foi o
Centro Cívico Beneficente Senhoras Mães Pretas 
. Esse registro nos leva ao pressuposto de que havia, ante aquelecontexto, a auto-percepção das mulheres negras quanto a suas especificidades naluta social. Eis um indício que nos esclarece outro ponto: as mobilizações damulher na perspectiva étnica não é um fenômeno recente, das últimas décadas.Como no caso do movimento negro, cuja semente germinava na primeira metadedo século, assim aconteceu também à causa da mulher negra.Entretanto, as associações de negros centravam suas discussões ereivindicações, não na mudança das
estruturas sociais 
4
, mas no anseio de tornaro negro paritário ao branco, ou seja, de integrá-lo às classes. Os grupos negrosdaquela época não lutavam contra a estrutura social, e sim com o objetivo dealcançá-la. Reside nisso, de acordo com as palavras de Fernandes, uma dasrazões pela qual esses “movimentos” foram enfraquecidos e não resistiram, tendomuitos deles desaparecido.Os adventos da crise de 1929 e da Revolução de 30 causaram mudançasna sociedade, provocando uma atualização de concepção do protesto negro. Os“movimentos” que até aquele momento andavam em conformidade com asestruturas sociais estabelecidas pela existência das classes dominantes, e que
4
Termo muito utilizado por Fernandes (1978) e Ribeiro (2006); refere-se à hierarquia das classesde uma sociedade, que Darcy Ribeiro representa como um losango.

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