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Resenha didática - tipificação e punição dos crimes de informática
PLS 76/2000 (PLC 89 de 2003 e PLS 137 de 2000)
O Substitutivo apresentado pelo Senador Eduardo Azeredo aglutinou três projetos de lei que játramitavam no Senado, para tipificar condutas realizadas mediante uso de sistema eletrônico,digital ou similares, de rede de computadores, ou que sejam praticadas contra rede decomputadores, dispositivos de comunicação ou sistemas informatizados e similares, e dá outras providências (veja as razões em detalhe no Apêndice B).O PLC 89, de 2003, de autoria do Deputado Luiz Piauhylino, altera:
-
o
Código Penal
, Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940;
-
a
Lei de Interceptações Telefônicas
, Lei nº 9.296, de 24 de julho de 1996.O PLS 76, de 2000, de autoria do Senador Renan Calheiros, tipifica crimes cometidos com o usode informática mas sem alterar o Código Penal.O PLS 137, de 2000, de autoria do Senador Leomar Quintanilha, determina o aumento das penasao triplo para delitos cometidos com o uso de informática.O substitutivo aos três projetos, depois da aprovação das subemendas da Comissão de AssuntosEconômicos altera:
-
o
Código Penal
, Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940;
-
o
Código Penal Militar
, o Decreto-Lei nº 1.001, de 21 de outubro de 1969;
-
a
Lei da Repressão Uniforme
, a Lei nº 10.446, de 8 de maio de 2002;
-
a
Lei Afonso Arinos,
Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989;
-
o
Estatuto da Criança e do Adolescente
, a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990.
A Convenção sobre o Cibercrime, do Conselho da Europa
A Convenção sobre o Cibercrime, celebrada em Budapest, Hungria, a 23 de novembro de 2001, pelo Conselho da Europa, teve como signatários 43 paises, europeus na sua maioria (veja listadetalhada no Apêndice A) e ainda Estados Unidos, Canadá, África do Sul e Japão. Cada Estadosignatário deve ratificar as disposições constantes da Convenção no seu ordenamento jurídicointerno.Embora o Brasil ainda o seja signatário da Convenção sobre o Cibercrime, pode seconsiderado um país em harmonia com suas deliberações, pois o presente Projeto de Lei jáatende às recomendações do seu Preâmbulo, como, por exemplo, “a adoção de poderessuficientes para efetivamente combater as ofensas criminais e facilitar a sua detecção,investigação e persecução penal, nos níveis doméstico e internacional e provendo protocolos para uma rápida e confiável cooperação internacional”.A harmonia é importante para otimizar a repressão dos crimes de informática, notadamentetransnacionais. O presente Projeto de Lei coloca o Brasil em condições de poder tratar e acordar de maneira diferenciada, o que facilitará em muito a cooperação judiciária internacional eeventuais extradições, com os países signatários da Convenção de Budapest e outras, inclusive osEUA, país sede dos maiores provedores de acesso à rede mundial de computadores.Em resumo a Convenção recomenda procedimentos processuais penais, a guarda criteriosa dasinformações trafegadas nos sistemas informatizados e sua liberação para as autoridades de formaa cumprir os objetivos relacionados no preâmbulo. Além disso, trata da necessária cooperaçãointernacional, das questões de extradição, da assistência mútua entre os Estados, da denúncia1
 
Resenha didática - tipificação e punição dos crimes de informática
PLS 76/2000 (PLC 89 de 2003 e PLS 137 de 2000)
espontânea e sugere procedimentos na ausência de acordos internacionais específicos, além dadefinição da confidencialidade e limitações de uso. Define também a admissão à Convenção denovos Estados por convite e a aprovação por maioria do Conselho.
A harmonia crescente da legislação brasileira com a Convenção sobre o Cibercrime
A legislação brasileira em vigor já tipifica alguns dos crimes identificados pela Convenção,como os crimes contra os direitos do autor e crimes de pedofilia, e, caso a caso, cuida de algunsoutros já tipificados no Código Penal. Veja abaixo o que, segundo a Convenção, a legislação penal em cada Estado signatário deve tratar e a sua correspondência na legislação brasileira:
As leis brasileiras e a Convenção de Budapest (
 
CP – Código Penal CPM – Código Penal Militar)
Recomendação da ConvençãoArtigos das leis ou códigos1 - do acesso ilegal ou não autorizado a sistemasinformatizados
285-A do
CP
339-A do
CPM2 - da interceptação ou interrupção decomunicações
,Lei 9.296 de 1996, para crimes apenadoscom reclusão
3 - da interferência não autorizada sobre os dadosarmazenados
154-A, 285-B, 163, 163-A e 171, § 2º, VIIdo
CP
339-C, 259, 262, 262-A e 251 VI do
CPM4 - da falsificação em sistemas informatizados
163-A, 171,§2º,VII, 297 e 298 do
CP
311 do
CPM5 - da quebra da integridade das informações
163 do
CP
 259 e 262 do
CPM6 - das fraudes em sistemas informatizados comou sem ganho econômico
163-A e 171,§2º,VII do
CP
262-A e 251 VI do
CPM7 - da pornografia infantil ou pedofilia
241 da Lei 8.069, de 1990, Estatuto daCriança e do Adolescente (
ECA
), alterado pela Lei 10.764, de 2003;
8 - da quebra dos direitos de autor
Lei 9.609, de 1998, (a
Lei do Software
),da Lei 9.610 de 1998, (a
Lei do DireitoAutoral
) e da Lei 10.695 de 2003, (a
LeiContra a Pirataria
);
9 - das tentativas ou ajudas a condutas criminosas
285-A do
CP
 339-A e 356 do
CPM10 - da responsabilidade de uma pessoa naturalou de uma organização
art. 22 do
Substitutivo,
responsabilidadedos provedores de acesso
11 - das penas de privação de liberdade e desanções econômicas
 penas de detenção, ou reclusão, e multa,com os respectivos agravantes emajorantes, das
Leis citadas
e dos artigosdo
Substitutivo
.
A posição oficial do Brasil em relação à Convenção sobre o Cibercrime
Em dezembro de 2006 a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal(CRE) aprovou Requerimento de Informações, de autoria do Senador Eduardo Azeredo,solicitando ao Ministério das Relações Exteriores qual o posicionamento oficial do Brasil emrelação à Convenção, uma vez que ele ainda não é dela signatário, que foi respondido em marçode 2007, informando que o Brasil aguarda o melhor momento para aceder à Convenção.2
 
Resenha didática - tipificação e punição dos crimes de informática
PLS 76/2000 (PLC 89 de 2003 e PLS 137 de 2000)
Em junho de 2007 e em abril de 2008 o Senador Eduardo Azeredo participou da Conferênciasobre o Cibercrime, em Estrasburgo, França, onde expôs a situação da legislação brasileira nocontexto.
São 13 os crimes civis tipificados no Substitutivo civis, mais 9 militares:1 – Roubo de senha - Difusão de Código Malicioso – inclusão do art. 171, § 2º, VII, -Estelionato Eletrônico
É a tipificação do “phishing” com pena de reclusão, de um a três anos. Foi incluída amajorante de pena de uma sexta-parte se o autor se vale de nome falso ou da utilização daidentidade de terceiros.
2 - Falsificação de dados públicos – inclusão de “dado eletrônico” no art. 297
Mantida a pena, o enunciado passa a ser “Falsificar ou alterar, no todo ou em parte, dadoeletrônico ou documento público verdadeiro:”
3 - Falsificação de cartão de crédito ou de telefone celular – inclusão de “dadoeletrônico” ao enunciado do art. 298
Mantida a pena, o enunciado passa a ser “Falsificar ou alterar, no todo ou em parte, dadoeletrônico ou documento particular verdadeiro:”, abrangendo o cartão e telefone que são“dados eletrônicos”,
4 – Destruição de dado alheio – alteração do enunciado do art. 163
Ficará assim: “Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia ou dado eletrônico alheio:”
5 – Inserção ou difusão de Código Malicioso – inclusão do art. 163 – A – “vírus, ... etc”
O texto atualizou a redação dos projetos originais, colocando a difusão de código maliciosoque cause dano, como, por exemplo, o “vírus”, o “worm”, o trojan”, o “zumbi” etc. A pena éde reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. Se o agente se vale de nome falso ou dautilização de identidade de terceiros para a prática do crime, a pena é aumentada de sexta parte.
6 – Inserção ou difusão de Código Malicioso seguido de dano – inclusão art. 163–A, § 1º
A difusão de código malicioso seguida de dano, como, por exemplo, o “vírus”, o “worm”, otrojan”, o “zumbi” etc. A pena prevista de reclusão de 2(dois) a 4(quatro) anos e multa.
7 - Acesso não autorizado – inclusão do art. 285-A
Acessar rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, semautorização do legítimo titular, quando exigida. Pena de reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, emulta. Se o agente se vale de nome falso ou da utilização de identidade de terceiros para a prática do crime, a pena é aumentada de sexta parte.
8 – Obtenção não autorizada de informação e manutenção, transporte ou fornecimentoindevido de informação obtida desautorizadamente – inclusão do art. 285–B
Obter ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo decomunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade àautorização, do legítimo titular, quando exigida. Pena de reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, emulta. Se o agente se vale de nome falso ou da utilização de identidade de terceiros para a prática do crime, a pena é aumentada de sexta parte.
9 - Divulgação não autorizada de informações pessoais disponíveis em banco de dados -inclusão do art. 154–C
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