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Rotinas defensivas nas organizações

Rotinas defensivas nas organizações

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11/14/2010

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Este texto foi adotado para fim exclusivo de apoio didático ao Curso de Gestão Estratégica Pública - Turma 2005 - uma parceria entre a Escola de Extensão da Unicamp e a Escola de Governo e Desenvolvimento do Servidor (EGDS) da Prefeitura Municipal de Campinas.
 
Rotinas defensivas nas organizações
 
Cada vez que queremos convencer alguém sobre nossos desejos e não podemos ou não queremos utilizar a força bruta, oferecemos o que chamamos um argumento objetivo ou racional. Fazemos isto com a intenção implícita ou explícita de que o outro não possa rechaçar o que o nosso argumento sustenta, porque a sua validade se fundamenta na sua referência à verdade. Além disso, fazemos isto com a suposição implícita ou explícita de que o real ou a realidade é universal e objetivamente válido, porque é independente do que fazemos, e uma vez que é revelado, não pode ser negado.Com certeza, dizemos que qualquer pessoa que não ceda à razão, isto é, qualquer um que não ceda a nossos argumentos racionais, é arbitrário, ilógico ou absurdo e sustentamos, implicitamente, que temos um acesso privilegiado à realidade, o que faz com que nossos argumentos sejam objetivamente válidos. Ainda mais, sustentamos implícita ou explicitamente que é este acesso privilegiado à verdade o que nos permite construir nossos argumentos racionais. Porém, esta atitude sobre a razão e o racional é racionalmente válida? Podemos, de fato, sustentar que esta conexão com a realidade é o que dá à razão o poder de convicção que sustentamos que ela tenha ou deveria ter? Ou, reciprocamente, a razão nos dá um acesso ao real tal que podemos concede-lo o poder de compulsão,obrigação e a validez universal que pretendemos que tenha quando tentamos obrigar alguém com um argumento racional? Afirmo que a questão central que a humanidade enfrenta hoje em dia é a pergunta acerca do que é a realidade. Sustento que isto é assim, independentemente do fato de estarmos conscientes disto, ou não, porque cada coisa que fazemos como seres humanos modernos, como indivíduos, como entidades sociais ou como membros de alguma comunidade humana, supõe uma resposta a tal questão, como um fundamento para os argumentos racionais que usamos para justificar nossas ações.Inclusive a natureza, a forma como a trazemos à mão no curso de nossas vidas como seres humanos, depende de nossa resposta a esta interrogação. Deste modo,sustento que a resposta explícita ou implícita que cada um de nós dá à pergunta pela realidade, determina o como vivemos nossa vida, assim como nossa aceitação ou rejeição de outros seres humanos na rede de sistemas sociais que integramos.Finalmente, uma vez que sabemos, em nossa vida cotidiana, que o observador é um sistema vivo, porque suas habilidades cognitivas são alteradas se sua biologia é alterada,afirmo que não é possível ter um entendimento adequado dos fenômenos sociais e não sociais na vida humana se esta pergunta não for respondida apropriadamente; e que esta pergunta só pode ser respondida apropriadamente se a observação e o conhecimento forem explicados como fenômenos biológicos gerados através da operação do observador como um ser humano vivo....” 
Humberto Maturana Romesín.
Introdução,
in: La Objetividad, um argumento para obligar.
 
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 O CARÁTER LINGÜÍSTICO DAS ORGANIZAÇÕES
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 O propósito de nossa investigação neste capítulo é responder à pergunta:“Que é uma organização?” Vivemos em organizações, nosso trabalho é impossívelsem marcos organizacionais. Nosso ser social mais profundo é uma questão deorganização. No entanto, não compreendemos o que são as organizações. Nãosabemos como projetá-las e não entendemos bem em que elas podem vir a setransformar.Neste momento, o que nos leva a apresentar perguntas acerca dasorganizações? Em parte, é uma resposta à crescente insatisfação frente ao que sepassa na vida organizacional. Embora nem todas as pessoas percebam este malestar, ele está presente como uma corrente no ambiente de negócios, prestação deserviços e na cultura organizacional de nosso tempo. A vida no interior dasorganizações tem mudado muito ao longo dos últimos 25 anos, processo que aindavivemos. Esta mudança ocorre seguindo nossa orientação ou não. As mudanças navida organizacional e as insatisfações que experimentam algumas pessoas nasorganizações inspiram questões que devemos enfrentar.As inovações tecnológicas têm surgido aparentemente com uma vida própria,independentes das pessoas que produzem ou utilizam a tecnologia. A inovaçãotecnológica altera a natureza do trabalho nas organizações e exige que elas setransformem para sobreviver. A competição no mercado, os novos processosprodutivos, os novos produtos e serviços que devem ser oferecidos pelos governose que são necessários a uma população cada vez mais exigente, requerem que asorganizações adotem novas tecnologias e modifiquem com o fim de permanecerviáveis. Ao buscar transformar-se, as organizações se vêm obstaculizadas por umainércia social. As pessoas dentro das organizações não respondem de maneiracriativa aos problemas e parecem resignar-se frente ao fracasso de qualquer intentomodernizador ou por concluir qualquer projeto transformador de envergadura.De um ponto de vista emocional, muitos de nós estamos intranqüilos com avida de nossas organizações. Nosso trabalho nos apresenta crescentes desafios.Nos vemos pressionados pelo peso de cada vez mais “coisas por fazer”,responsabilidades que devemos atender, tarefas por executar. Nossa posição nasorganizações não oferece oportunidades para a criatividade ou para a invenção.Estamos incomodados com nossos(as) colegas de trabalho. Somos obrigados atrabalhar com eles(as), porém eles(as) terminam por frustrar nossas próprias idéias
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FLORES, Fernando.
Creando Organizaciones para el Futuro
. Santiago: Dolmen Ediciones, 2ª ed.,1995. pp. 37 a 41 - Introdução.
 
 
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e planos. Nos sentimos expostos de maneira constante à possibilidade de quenossos(as) colegas emitam juízos negativos sobre nós. Com freqüência nos pareceque nossas organizações não são ambientes sociais ou de trabalho aceitáveis. Noentanto, a maioria de nós se resigna ante a própria incapacidade de fazer algo aeste respeito. Talvez as organizações sejam mesmo um mal necessário.Nem todas as pessoas que participam na vida organizacional compartemestas insatisfações. Acreditamos, sem dúvida, que o fenômeno aponta para algo quefalta nas discussões típicas do interior das organizações. O que falta, insistimos, éenfatizar a mesma pergunta que nos fazemos aqui: “O que são as organizações?”Esta não é uma mera pergunta intelectual. Ela também é de índole prática.Formulamos a pergunta não só para descrever as organizações, como para abriroportunidades de repensá-las ou reestruturá-las. Ao final, ofereceremos umaproposição em resposta à pergunta: “Que fazemos em seguida, dado o lugar em quenos encontramos, dadas as práticas atuais e a compreensão que temos de cadaorganização específica?”Neste livro apresentamos uma nova interpretação para as organizações. Istoquer dizer que estamos propondo uma resposta original a nosso questionamentosobre a natureza das organizações. Nossa resposta será nova, ainda que, aomesmo tempo, tomará em conta o que sempre têm sido as organizações.Distinguimos o surgimento específico das organizações em nossa cultura dofenômeno fundamental que as organizações são para o tipo de seres que somos.Afirmamos que as organizações não são meras instituições ou burocracias, mas sãofenômenos políticos. Entendemos por “político” à reflexão acerca de como teremosque viver juntos socialmente. A política é a discussão através da qual determinamosnosso ser social. Em política nos perguntamos que modos de interação devemos teruns com os outros; que tipo de conversações sustentamos e como levaremos acabo essas conversações. As organizações são um dos lugares onde se tornapossível realizar esta forma de discussão.A teoria organizacional não se originou tradicionalmente a partir destaorientação. Damos por óbvias certas respostas a questões que devem ser colocadasem todo o pensamento que quer ser original, acerca do projeto e orientação para oprocesso organizacional. De forma geral somos vítimas de nossa própriacompreensão sobre quem somos e desejamos estar juntos.Sob este entendimento dominante percebemos as organizações como gruposde indivíduos; onde cada indivíduo está motivado a agir por um conjunto de desejos.A organização, em especial a organização política – ainda que não exclusivamente -é um dispositivo construído para uma busca eficiente dos desejos individuais. Este éo conceito de organização política que se encontra mais generalizado no

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