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A história da educação e a formação de professor - Gary McCulloch - 33 anped

A história da educação e a formação de professor - Gary McCulloch - 33 anped

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Palestra de Gary McCulloch na 33ª Anped - 2010.
Palestra de Gary McCulloch na 33ª Anped - 2010.

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Published by: Claudemir de Quadros on Nov 11, 2010
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A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO E A FORMAÇÃODO PROFESSOR
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Gary McCullochInstituto de Educação da Universidade de LondresEste artigo apresenta a situação de mudança da história da educação comocampo de estudo da formação de professores. Nos últimos trinta anos, a história daeducação na Inglaterra, assim como em muitos outros países, foi bastante afastadado currículo da formação de professores. Este desenvolvimento tem implicaçõessignificativas para a natureza da educação do professor sob o ponto de vista darelação entre prática e teoria. Ainda que a pesquisa na área da história da educaçãotenha prosperado, o se promoveu, no âmbito da formão do professor, aimportante compreensão sobre a história do ensino, do professor, da pedagogia e daeducação em geral. Argumenta-se que a presente pesquisa sobre a história doprofessor tem muito a contribuir com a formação do professor e que a lacuna entre ahistória e o currículo da educação do professor deve ser preenchida (vide tambémMcCulloch 2004, 2011, no prelo).
A perda da história
Seria muito difícil argumentar mais claramente sobre a importância da históriapara o currículo da formão de professores, de forma mais eloqüente ouinspiradora, do que foi colocado pelo grande sociólogo da educação, o francês,Emile Durkheim. Há mais de um século, Durkheim apresentou, pela primeira vez,seu curso sobre a história da educação na França. Este curso tratou diretamente darelação entre a teoria e a prática, assim como relacionou as mudanças na educaçãocom o contexto histórico de longo prazo (Fox, 1956). O assunto apresentado, noprimeiro capítulo da versão publicada deste grande trabalho, é a formulação clássicado raciocínio lógico a respeito da história como parte dos estudos sobre a educaçãoe do treinamento de professores em geral. Durkheim argumentou que o ensinodio sofria reformas importantes e previu que, se elas ocorressem, seriafundamental que os professores responsáveis por encaminhá-las as
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Texto apresentado na 33ª reunião da Anped - 2010.1
 
compreendessem inteiramente e as colocassem em prática. Assim, de acordo comDurkheim, “não é suficiente prescrever aos professores detalhadamente o que elesdeverão fazer; eles precisam ser capazes de avaliar e apreciar estas prescriçõespara identificarem seus objetivos e suas características a fim de sanar asnecessidades dos alunos.” (Durkheim 1977, p. 4).De certa forma, para que pudessem ser capazes de “tomar as decisões deforma independente e utilizando conhecimento adequado” (Durkheim 1977, p. 4), osprofessores deveriam estar familiarizados com os problemas relacionados àeducação pela qual eram responsáveis e com os métodos sugeridos para resolvê-los. Este tipo de iniciação, continuou Durkheim, só poderia derivar de um estudo dateoria da educão, que precisava ser realizado enquanto o futuro professocursasse a universidade, se fosse de alguma valia.Ele levantou este ponto importante para desenvolver a função principal doestudo da história. Durkheim (1977) indicou que, em primeiro lugar, o estudo dopassado fundamentou a teoria da educação especialmente por que, em sua opinião,“é estudando o passado de forma cuidadosa que podemos prever o futuro ecompreender o presente” (p. 9). Além disso, ele adicionou, a história foi um fator emseu próprio benefício, para revelar organizações e seus ideais ao longo do tempo epara compreender “o homem em sua totalidade no decorrer do tempo”. O presentefoi por si só apenas “uma extrapolação do passado que não pode ser servido semperder a parte mais importante de sua significância” (Idem, p. 12-15).Esta alegação veemente de que a história tem um papel central na formaçãodo professor, enquanto que sem comparação com seu vigor, refletiu ao menos emum comprometimento geral em favor da inclusão da história no currículo daformação de professores. Conforme apontado por Richard Aldrich (1990), naInglaterra, a história da educação foi formalmente incluída no currículo do colégio detreinamento para professores na década de 1890. Após a Segunda Guerra Mundial,seu ponto de vista parecia seguro e W. H. G. Armytage (1953) não foi o único acelebrar seu papel de assegurar que seus alunos poderiamse tornar conscientes sobre a herança acumulada da herançafísica, biológica, filosófica e sociológica que ele irá herdar e daqual através da transmissão pessoal de professores talentosos(nem todos em atividade assim tão qualificados) ele irá formar seu repertório de convicções. (p. 120).
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Na palestra como professor de educação da Universidade de Sheffield, em1954, Armytage concluiu que a história deve oferecer os meios através dos quais osfuturos professores irão obter uma “visão sinóptica” do
speculum mentis
ou do mapado conhecimento (Armytage, 1954/1980). Na década de 1960, Brian Simon pôdedeclarar com confiança que não havia “necessidade de apresentar uma hipótesepara o estudo da história da educação como um aspecto essencial do cursooferecido aos futuros professores”, já que havia sido “aceito há certo tempo assimcomo na maioria das faculdades e universidades e é quase que universalmenteensinado, em seu próprio direito, como parte do curso de educação” (Simon, 1966,p. 91).Menos de 20 anos depois, as políticas governamentais para a educação doprofessor prejudicaram bastante este papel existente há muito tempo. Até o início dadécada de 1980, a história da educação manteve uma posição significativa naeducação do professor (vide Lowe, 1983). No final daquela década, seu papel haviase deteriorado a ponto de ser praticamente excluída do currículo da formação deprofessores, juntamente com outras abordagens teóricas e intelectuais que foramconsideradas irrelevantes para o desenvolvimento de métodos e habilidades para oensino. Em 1990 Aldrich lamentou o fato de, após um século sendo parte docurrículo, “a história da educação ter sido praticamente eliminada dos cursos iniciaisde educação do professor, pelo menos no nível de pós-graduação” (Aldrich, 1990, p.47). O então secretário de Estado da Educação, Kenneth Clarke, insistiu, em 1992,que aprendizes de professor deveriam se preocupar com suas habilidades de salade aula e não com a teoria acadêmica (Hugill, 1992).O resultado foi que professores em treinamento, num período de reformasimportantes e contínuas que seriam colocadas em prática, tiveram pouca ounenhuma oportunidade de compreender a história das organizações educacionais ede seus objetivos. Eles também estariam impossibilitados de se envolver com ahistória de sua própria profissão. Como apontado por David Vincent, um importantehistoriador sobre a alfabetização, devido à expulsão da história dos programas detreinamento de professor, os professores que iniciarem suas carreiras no começo doséculo 21, “provavelmente sabem menos sobre o passado de sua pedagogia do queaqueles que o treinamento formal foi iniciado há dois séculos” (Vincent, 2003, p.420). Esta amnésia histórica também é observada em relatórios governamentaissobre os professores e sobre a educação do professor, que expressa muito poucaconsciência do passado e menos interesse em seu potencial para compreender as
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