ciências e das artes úteis assegurando aos autores e inventores, por um período limitado,o direito exclusivo aos seus escritos e descobertas e conseguir a justa recompensa peloseu esforço e talento, sempre visando o bem comum.Entretanto, se só uma pessoa poderá explorar os benefícios da ideia, até que pontoa introdução do direito de propriedade intelectual, ao invés de promover, termina por constranger o progresso do saber, da cultura e da tecnologia? E por quanto tempo o autor terá acesso exclusivo a esse bem? Evidentemente, se a duração do direito for longademais, pode-se dificultar o aproveitamento social da criação. Portanto, é necessárioatingir um ponto de equilíbrio entre o estímulo à criação e o interesse social em usufruir oresultado da criação.Em 1710, a primeira lei inglesa sobre direitos autorais deu ao criador o direitoexclusivo sobre um livro por 14 anos, com direito a renovação por mais 14 anos, desdeque o autor estivesse vivo quando o período inicial expirasse.Curioso é notar que as práticas da “propriedade intelectual” são severamente anti-capitalistas. Deve-se lembrar aqui que o capitalismo pressupõe concorrência e tantopatentes, como direito de cópia, ou marcas, são monopólios garantidos pelo estado. Osprimeiros por um período de tempo determinado e as marcas por um períodoindeterminado.
A exploração comercial monopolista das distribuidoras
Assim, quando a propriedade intelectual foi concebida sua finalidade era conceder ao autor os ganhos exclusivos sobre a exploração de cópias da obra, sem concorrência.Entretanto, de fato os autores poderiam auferir algum lucro?Seria muito difícil. Pois, diferentemente do trabalho manual que modifica a matériaprima, e produz alterações nos objetos, aumentando seu “valor de uso”, o trabalhointelectual não possui necessariamente “valor de uso” vinculado a um objeto que possaser vendido, ,já que as ideias não são materiais.E, se uma ideia for reproduzida verbalmente não terá “valor de troca”, por maior queseja o seu “valor de uso”, pois não está limitada à produção de um meio material.No entanto, isso acontecerá se a ideia for copiada em algum meio material, como opapel, por exemplo.Assim, um escritor só poderá explorar a sua obra se também se tornar um editor econfeccionar um objeto vendável, como um livro ou um CD. E teria que possuir umaeditora, com todos os seus equipamentos e funcionários. Evidentemente, a grandemaioria dos escritores não quer assumir esse papel e não tem condições para tal.Entretanto, a compra de uma obra intelectual implica na aquisição conjunta de umbem e de serviços, ou seja, um meio material (por exemplo: o papel) sob o qual érealizado um serviço (a cópia). Após a invenção da imprensa, houve grande diminuição decustos dos serviços de cópia, o que obrigou os autores a alienarem seu “trabalhointelectual” aos editores, os detentores dos meios de produção que, em contrapartida,exigiram dos autores a concessão do monopólio da distribuição das obras.Portanto, embora o “trabalho intelectual” tenha um grande “valor de uso” emqualquer sociedade, seu “valor de troca” será sempre determinado por um produto(exemplos: o papel, o CD) em que estão embutidos serviços (exemplos: cópia manual,cópia impressa).Assim, o autor precisa ceder seus direitos de exploração, sem concorrência, e acaba
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