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Psicologia Transpessoal

Psicologia Transpessoal

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06/05/2013

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 A Psicologia Transpessoal 
por
Carlos Antonio Fragoso Guimarães
 
"Não apenas é o homem parte da natureza - e esta é parte sua -, como deve ser minimamenteisomórfico (semelhante a) com ela para nela ser viável. Ela o gerou. Sua comunhão com aquiloque o transcende não precisa ser definida, portanto, como não-natural ou sobrenatural. Pode ser vista como uma experiência 'biológica' ".
Abraham Maslow. 
O que é e como surgiu a Psicologia Transpessoal 
Foi em meados da década de sessenta, durante o rápido desenvolvimento e aceitação dospressupostos básicos da psicologia humanista, com Maslow e Rogers, que alguns psicólogos epsiquiatras começaram a discutir quais os limites e características a que seria possível chegaro potencial da
consciência
humana. Muitos pesquisadores achavam que a visão da psiquedada pela Psicanálise e pelo Behaviorismo eram, no mínimo, bastante simplificadas ereducionistas, não explicando uma grande gama de fenômenos mentais que escapavam - emuito - do campo de alcance de tais teorias. E a Psiquiatria dava ainda menos clarezasobre uma ampla gama de estados de conciência claramente chocantes e, ao mesmo tempo,fascinantes, que não podiam se restringir unicamente à história orgânico-biográfica de algunspacientes.A grande maioria dos teóricos da personalidade toma por fundamento básico a consciênciaem estado de vigília, ou consciência normal, como sendo a única possibilidade saudávelde nível de percepção congnitiva. As caraceterísticas básicas desta consciência normal,segundo Fadiman & Frager, é que a pessoa sabe
"quem é"
, tem perfeita noção de si mesmacomo uma individualidade, e seu sentido de identidade é estável. Ou seja, a pessoa tem umaidéia clara de ser uma individualidade diferenciada do meio que a cerca. Estudos váriossobre a imagem corporal e do sentido do ego concluem que qualquer desvio desses limites éum grave sintoma psicopatológico. Só que tal conclusão começou a ser seriamentequestionada com vários relatos e pesquisas sérias realizadas em várias partes do mundo.
 
Às vezes, experiências correlacionadas com um declínio de uma psicopatologia e com arestauração da saúde psíquica podem muito bem expor experiências subjetivas queultrapassam e muito os chamados limites normais do ego. William James já o havia notadoem fins do século passado. O resultado de muitas destas pesquisas, muitas delas envolvendopsiquiatras e psicólogos famosos, levantou uma séria questão: seria possível que algumas dasdistinções que mantemos entre nós mesmos e o resto do mundo sejam arbitrárias e/ouculturalmente condicionadas? Talvez a consciência humana seja um vasto campo ou espectro,semelhante ao espectro eletromagnético, onde cada "freqüência" expressaria um modo depercepção, muito mais que um conjunto firme de traços ou características rigidamentedefinidas de expressão, que em certas experiências - algumas delas envolvendopsicodélicos ou drogas psicoativas - a consciência do sujeito parece abranger elementos quenão têm nenhuma continuidade com sua identidade do ego usual e que não podem serconsiderados simples derivativos de suas experiências no mundo convencional.Vejamos esta descrição, feita por Stanislav Grof, de experiências correlacionadas com odeclínio de uma patologia (extraído, com comentários meus, de Fadiman & Frager, 1986,página 168):
 
"No estado de consciência 'normal' ou usual, o indivíduo se experimenta existindo dentrodos limites de seu corpo físico (a imagem corporal), e sua percepção do meio ambiente é restringida pela extensão, fisicamente determinada, de seus órgãos de percepção externa;tanto a percepção interna quanto a percepção do meio ambiente estão confinadasdentro dos limites do espaço e do tempo
(numa aceitação cultural das premissasdo paradigma cartesiano-newtonianopróprio da visão de mundo ocidental nos últimos 300anos)
.
 
 Em experiências psicodélicas
 
(área explorada por Grof em fins dos anos 50, naTchecoslováquia, e nos anos 60 nos EUA)
de cunho transpessoais, uma ou várias destaslimitações parecem ser transcendidas
 
(este fenômeno também se encontra, de modoesporádico, nas várias terapias psicológicas, tendo recebido nomes como "ExperiênciasOceânicas" em Freud, "Experiências Culminates" em Maslow, "Consciência Cósmica", emWeil, "Experiência Mística", etc)
.
 
 Em alguns casos, o sujeito experiencia umafrouxamento de seus limites usuais de ego e sua consciência e autopercepção parecemexpandir-se para incluir 
 
e
abranger outros indivíduos e elementos do mundo externo. Emoutros casos, ele continua experienciando sua própria identidade, mas numa percepçãode tempo diferente, num lugar diferente ou em um diferente contexto. Ainda em outroscasos, o individiuo pode experienciar uma completa perda de sua própria identidadeegóica e uma total identificação com a consciência de uma 'outra' entidade. Finalmente
(em similiraridade com o que experiencia o místico),
numa categoria bastante ampladestas experiências psicodélicas transpessoais (experiências arquetípicas, união com Deus, etc.), a consciência do sejueito parece ambranger elementos que não têm nenhumacontinuidade com a sua identidade de ego usual e que não podem ser considerados simples derivativos de suas experiências do mundo tridimensional".
 
São, pois, estas experiências culminates e transuamas que são o foco central da PsicologiaTranspessoal.Muitos renomados psicólogos humanísticos e alguns psiquiatras insatisfeitos com aabordagem excessivamente mecanicista e biomédica de sua disciplina mostraramcrescente interesse por áreas de estudo antes negligenciadas, e por tópicos de psicologiapróximas a estes estados-alterados de consciência, como, por exemplo, as experiências
 
místicas, ou de consciência de transe.As tendências isoladas começaram a se unir graças aos trabalhos de Abraham Maslow eAnthony Sutich, o que acabou por consolidar a chamada Quarta Força em Psicologia (estaclassificação é feita com base em características próprias de cada escola, não pelo contextohistórico. Assim, a Primeira seria o Behaviorismo, a Segunda a Psicanálise e a Terceira oHumanismo). Foi assim que nasceu a Psicologia Transpessoal, como disciplina autônoma, nofinal dos anos sessenta, mas as tendências desse movimento já existiam há muito tempo. Porexemplo, Carl Gustav Jung, Roberto Assagioli e o próprio Maslow já haviam lançado as basespara o movimento transpessoal (Grof, 1988). Outros psicólogos, como
 
 ,
acabaram,na evolução de seu trabalho e de sua prática clínica, por se encontrarem com dimensõestranscendentes trazidos à tona por clientes e grupos terapêuticos.
Carl Gustav Jung 
 
pode ser considerado o mentor máximo e o primeiro psicólogotranspessoal. As diferenças entre a Psicanálise Freudiana e as teorias de Jung são muitobem representativas das diferenças entre uma psicoterapia mecanicista e biomédica e umamais humana e holística. Ainda que Freud e muitos dos seus discípulos tenham ido muitoa fundo nas suas revisões da psicologia ocidental, atingindo os limites do paradigmacartesiano em Psicologia, apenas Jungquestionou radicalmente seus fundamentos filosóficos: a visão de mundo de Descartes e Newton. Jung salientou, de modo convincente, aspectos nãoracionais e não lineares da psique, que inclui o misterioso, o criativo e o espiritual como meiosválidos, ou formas holísticas-intuitivas de conhecimento. Jungvia a psique como uma interação complementar entre elementos conscientes einconscientes, com uma constante troca de informação e fluidez entre ambos. O inconscientenão seria um mero depósito psicobiológico de tendências instintivas reprimidas. Ele seria umprincípio ativo inteligente, que, em seu estrato mais profundo, ligaria o indivíduo à toda ahumanidade, à natureza e ao cosmos. Ele não seria governado apenas pelo determinismohistórico, como postulado por Freud, mas também por uma ânsia evolutiva com uma funçãoprojetiva e teleológica.Estudando a dinâmica do inconsciente,Jungdescobriu as unidades funcionais que chamoude
complexos
e, como tais, foram adotadas po Freud. Os complexos são constelações deelementos psíquicos - idéias, opiniões, atitudes e convicções - associados com sensaçõesdiversas e que se juntam ao redor de um tema nuclear. Partindo de áreas biograficamentedeterminadas do inconsciente,Jungchegou aos padrões de criação dos mitos, lendas esímbolos universais, aos quais ele deu o nome de
arquétipos
e que expressam, de formasimbólica, conteúdos psíquicos de significação emocional universal, como o processo dematuração psíquica e outros (c.f. a
 Home Page
sobreJung). Jungnão acreditava que o ser humano fosse uma mera máquina biológica. Oconceito de máquina é extremamente antropomórfico para ser um conceito natural. Alémdisso, ele reconhecia que o processo de maturação psíquica pode, em certos casos, transcendere muito os estreitos limites do ego e do inconsciente individual. Por isso ele é considerado oprimeiro representante da orientação transpessoal em psicologia.Pela sutil e cuidadosa análise de seus próprios sonhos, tal como antes fizera Freud, bem

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