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Pornografia e cultura da convergência: a popularização do pornô amador na internet

Pornografia e cultura da convergência: a popularização do pornô amador na internet

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Published by Raphael Freire
O presente artigo pretende focar as dinâmicas do material pornográfico amador na internet, em um contexto de convergência midiática. Por pornô amador entenda-se fotos e vídeos produzidas por pessoas comuns, que exercitam suas sexualidades para
as lentes de câmeras digitais, webcams e telefones celulares. Impulsionado pelas possibilidades de circulação da rede mundial de computadores, esses conteúdos se popularizam e estabelecem novos padrões estéticos dentro do universo pornô, reorganizando os jogos de produção, circulação e fruição de material pornográfico na internet.
O presente artigo pretende focar as dinâmicas do material pornográfico amador na internet, em um contexto de convergência midiática. Por pornô amador entenda-se fotos e vídeos produzidas por pessoas comuns, que exercitam suas sexualidades para
as lentes de câmeras digitais, webcams e telefones celulares. Impulsionado pelas possibilidades de circulação da rede mundial de computadores, esses conteúdos se popularizam e estabelecem novos padrões estéticos dentro do universo pornô, reorganizando os jogos de produção, circulação e fruição de material pornográfico na internet.

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Pornografia e cultura da convergência:a popularização do pornô amador na internetGuilherme Gatis
1
 RESUMO
O presente artigo pretende focar as dinâmicas do material pornográfico amador nainternet, em um contexto de convergência midiática. Por pornô amador entenda-sefotos e vídeos produzidas por pessoas comuns, que exercitam suas sexualidades paraas lentes de câmeras digitais, webcams e telefones celulares. Impulsionado pelas possibilidades de circulação da rede mundial de computadores, esses conteúdos se popularizam e estabelecem novos padrões estéticos dentro do universo pornô,reorganizando os jogos de produção, circulação e fruição de material pornográfico nainternet.
PALAVRAS CHAVE:
 pornografia; internet; convergência; amadorismo;sexualidade
 
“Gostariamos de conhecer casais, homens e mulheres para momentosmaravilhosos de prazer, somos de São Paulo e adoramos comentários bem sacanas … podem divulgar nosso e-mail. seuqsav@ig.com.br”
2
. O texto apresenta as fotos dois parceiros sexuais que se identificam como “
Casal Jolu
”. As imagens foram enviadas,de forma consentida, para o
 Dedada Digital 
3
,um dos muitos endereços eletrônicosque veiculam conteúdos de temática sexual produzidos por internautas. Tiradas em primeira pessoa, a partir da perspectiva do homem, as treze imagens mostram amulher em poses sensuais e ambos em ação, sempre com o cuidado de manter intactaa identidade dos participantes a partir de ângulos que não mostram os rostos dos dois.
 
Esse é apenas um exemplo de um conteúdo pornográfico facilmenteencontrado na internet. Impulsionado pelas ferramentas de publicação multimídia – a propagada web 2.0, série de ferramentas virtuais que permite a qualquer pessoaconectada à rede a livre distribuição de conteúdos nos formatos de áudio, vídeo, textoe imagem – o usuário tem a possibilidade de não apenas fruir, mas também participar,de produzir e fazer circular conteúdo amador, em um processo de convergênciamidiática análogo às produções da indústria pornográfica. Com a assimilação de
1
Guilherme Gatis, aluno do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal dePernambuco
2
 
Disponível em http://www.dedadadigital.ws/2010/08/09/amadoras-33
 
3
 
Disponível em http://www.dedadadigital.ws
 
 
2tecnologias digitais na produção de imagens e vídeos em aparelhos eletrônicos, taiscomo webcams, cameras fotográficas e telefones celulares, e o suporte virtual dainternet para a organização e armazenamento, cresce o número de conteúdosamadores pornográficos publicados por pessoas comuns, que desejam exercitar suasexualidade em um jogo de exibição que possui dinâmicas próprias.A proposta deste artigo é localizar a pornografia amadora como uma dasfacetas da cultura da convergência, a partir do entendimento de como os modos de produção, circulação e fruição deste material pornográfico adquirem dinâmicas próprias, estabelecidas a partir das relações entre as possibilidades tecnológicas e suasaplicações midáticas. Estas dinâmicas se realizam de forma independente da poderosaindústria pornográfica (que já busca soluções estéticas e também mercadológicas paraantender às demandas deste nincho) e fazem parte de um processo continuo deadaptação aos novos meios e ferramentas.
I. Trajetória da pornografia
Por Pornografia entende-se os textos e imagens que expressam ou sugeremassuntos obscenos, capazes de motivar ou explorar o lado sexual do indivíduo.(ABREU, 1996, p.15). O termo “pornografia” vem do grego,
 pornographos
, e deforma literal significa "escritos sobre prostitutas". Não à toa o pornográfico insinua aidéia de comércio sexual, de produto relacionado ao sexo.O material pornográfico já foi distribuído em livros de forma clandestina,renegado a pequenas salas marginais de cinema, podado pela censura nas revistas,reconhecido enquanto gênero cinematográfico para, logo em seguida, perder seustatus artístico em uma monótona repetição de clichês visuais nos homevídeos. Comotoda forma de entretenimento, o conteúdo pornô precisou se adaptar aos diferentesformatos e suportes, com o agravante de sua própria natureza transgressora – aoexercitar os limites do obsceno, a pornografia é assunto tabu até mesmo no períodoatual de permissividade.Ao abordar a evolução da prensa gráfica os teóricos Asa Briggs e Peter Burkelocaliza a produção, distribuição e fruição de livros como
Os Cento e Vinte Dias deSodoma
, do Marquês de Sade, ou o anônimo
Vênus no Claustro
como sendo, aomenos no início do período de produção editoral, uma comunicação clandestina. A pornografia “(...) é usada para se referir a textos que têm por intenção não somente
 
3despertar luxúria, mas vender, e por essa mesma razão; o termo foi aplicado a váriasdas primeiras obras modernas” (BRIGGS; BURKE, 2004, p.60). Pra os autores, o pornográfico se encontra no limiar entre a comunicação pública e a privada.Mesmo antes da expansão do mercado editorial pode-se localizar a expressãoartística pornográfica. Seja em desenhos, esculturas e gravuras, em textos obscuros erenegados da idade média, o impulso pornográfico da transgressão do obsceno, acuriosidade misteriosa de revelar o não permitido se adapta à moral, aos costumes eao jogo do aceito-proibido de cada época. Literatura, escultura, desenhos e gravuras.A pornografia, o exercício artístico da sexualidade se expressa em diversos formatos eformas de circulação. No entanto, é na fotografia e no audiovisual, é na dinamização possibilitada pela indústria cultural – o cinema, as revistas, o vídeo, os sites – que o pornográfico se estabelece enquanto gênero: o pornô.As experimentações visuais em torno da sexualidade são quase tão antigasquanto o próprio cinema. Os primeiros registros de filmes de sexo explícito – os
Stags Films
ou
 Dirty Movies
foram realizados de forma primitiva (1896-1912) eram cenascurtas, entre cinco e sete minutos, mudas e em preto e branco. Estes filmes eramexibidos de forma ilegal em pequenas salas, para um público masculino.Curiosamente os
 stags
se assemelham esteticamente aos conteúdos amadores atuais.Com duração média entre sete e quinze minutos, se ressalta o caráter experimental eamadorístico destes filmes – é comum o uso da câmera em primeira pessoa e dainsinuação do voyeur que espia pelo buraco da fechadura. A atriz interagia com acâmera-expectador de forma direta, mostrando partes do corpo de forma insinuanteou, em alguns casos, se surpreendendo ao ser flagrada em uma situação íntima.Estes experimentos fílmicos, no entanto, não contribuíram para a exposição dosexo no cinema americano até o início dos anos 1970. Moralismo e censura setornaram empecilhos para a exploração da sexualidade no cinema. Nos anos 1930,auge do Código Hays
4
,os Estados Unidos viveram sob forte censura. Na década de1940 o cinema se aventurou pela visibilidade do sexo nos filmes
exploitation
, produções cinematográficas mais baratas que apenas emulavam o cinema realizado naépoca, com closes mais generosos mas ainda com nudez velada. Somente em 1959 a produção
The Immortal Mr. Teas
, de Russ Meyer levou pela primeira vez o sexo – e onudismo – para o centro da narrativa cinematográfica. Mr. Teas tinha um poder 
4
 
Código de regulamentação cinematográfica dos Estados Unidos que determinava o que podia ou nãoser exibido na tela
 

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