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Amor Ordem e Progresso: Refleções desde a Biologia-Cultural

Amor Ordem e Progresso: Refleções desde a Biologia-Cultural

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Reflexiones a partir de una carta aberta aos participantes dos Diálogos Incertos.
Reflexiones a partir de una carta aberta aos participantes dos Diálogos Incertos.

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Published by: Ignacio Muñoz Cristi on Nov 15, 2010
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01/09/2013

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 Amor, Ordem e progresso
Por que me parece tão bom para a saúde (das pessoas e do país) que se façamencontros como Diálogos Incertos? Porque este tipo de convite envolve a belasimplicidade do complexo. A complexidade não é algo em si mesmo, ela refere-se aos processos tãodensamente povoados de distinções possíveis em que o observador nãocompreende a configuração relacional que consitue estes processos.Identificar a complexidade de algo diz mais sobre a ignorância do observador nestecontexto do que a natureza do que se quer discutir. E assim está, pronto!Por outro lado, a simplicidade também não é algo em si, implica uma visãosistêmica recursiva que sabe olhar para as interconexões que entrelaçam ascoerências e regularidades do fenômeno que se distingue, de modo que sejapossível abstrair os processos genéricos que a constituem. Simples não é o mesmoque simplório.Então eu quero celebrar a boa recepção dada ao convite para a simplicidade doencontro humano entre os participantes dos diálogos incertos. Sem expectativas(ou com quase nenhuma), sem exigências, sem frustrações por não viver o que nãofoi vivido, sem foco em resultados mas sim no processo, o processo de se encontrarconversando, girando juntos na reflexão.É verdade, houve um eixo, que inclusive foi declarado, a Biologia Cultural (2), masesta não foi imposta, nem foi vivida como palestra ou uma aula, foi simplesmenteuma alavanca de provocação, um vetor em torno do qual giramos.E de fato a Biologia Cultural se presta prefeitamente para este tipo de encontro emambientes de aprendizagem informal , onde o principal é desfrutarmo-nos norespeito mútuo e no encantamento de nos ouvir-mos uns aos outros. A confiança e a aceitação mútuas (Biologia do Amar) consolidam uma basepoderosa, que garante continuamente nas comunidades as possibilidades derealização da dimensão social. Confiança e a aceitação mútuas tem uma presençafundamental, mesmo que geralmente não sejam percebidas. Acontece que nós não as percebemos, são transparente para nós a água é para opeixe, mas sem esta base simplesmente não é possível a convivência de um país,cidade, clube, família ou casal.Pois estas dinâmicas amorosas nutriram os Diálogos Incertos tornando possívelque o simples fosse profundo, que as pessoas se sentissem inspiradas a se verem eouvirem no calor deliciosamente “doce” das conversações e dos aquários reflexivos.Houve até quem que se encorajou para compartilhar segredos pessoais, coisa queacontece apenas no acolhimento de um ambiente de mútuo respeito.
 
E toda essa intimidade partilhada é a marca de um genuíno espaço conversacional,gerador de bem-estar e aprendizagem sem esforço, com prazer, o prazer dapermitir proximidade corporal e psíquica. Algo que nos dias de hoje faz muita faltanas escolas, universidades e empresas de todos os tipos.Bem, gostaria de refletir agora acerca de uma das coisas que mais aprecieidescobrir naquela conversação, o fato de que antigamente haveria um terceiroelemento no lema do escudo pátrio do Brasil que, como todos sabem é: “ORDEM EPROGRESSO” mas que um dia poderia ter sido “ORDEM, PROGRESSO E AMOR”.Que plena maravilha! E como evoca o ethos do espírito brasileiro!Esta revelação surgiu no contexto de uma explicação na qual eu dizia de umaspecto cultural que encontramos hoje em todo o mundo, o conhecimento humanocomo algo que traz poder, sustentado pela objetividade como argumento final paraobrigar outros a fazerem o que alguns desejam.E mencionei neste contexto quão profundamente alienante e alienado me parecia olema pátrio do Chile: “Pela Razão ou pela Força.” Porque no fundo o que quer dizereste lema é: “Não importa a partir do que, mas cumpra-se a minha vontade.”O lema esconde um grande número de hipóteses de ambígua formulação: Querazão? A razão de quem? Em favor de quem? “Força contra quem, para dentro oupara fora do país? etc,Sejam então, “Minha razão” e “minha força”, melhor dizendo, uma imposiçãoabsoluta disfarçado de aparente razoabilidade, sempre aplicada por umaautoridade responsável.Eu preferiria o lema: “Pela razão ou pela Poesia”, que resume numa visão o que eugostaria que fosse o Chile: Uma república verdadeiramente democrática, onde sepudesse deixar de usar a razão como argumento para obrigar, e se deixaria de usara força quando a razão falhasse em seus objectivos, de modo que a poesia, atuariacomo um mecanismo gerador de um convite co-inspirador, capaz de trazer-nos àmão novas oportunidades de consenso e conexões cívicas onde hoje não existem.E como bem disse o professor Maturana em uma reflexão sobre o assunto: “Naconvivência democrática, a razão e a força não são argumentos para orbigar, massim instrumentos de ação para alcançarmos um objetivo comum, que não é nadamenos que a convivência na vida democrática “(4). Ok, então eu queria enfatizarque, para além do óbvio, incluir o AMAR no lema do Brasil, para mim é algo muitopoderoso, evocando agora uma deriva profundamente democrática. Vejamos istopor partes. Antes de mais nada, se me deixassem brincar gostaria de propor que o AMAR  viesse primeiro: “Amar, Ordem e Progresso”, como propõe Ximena Dávila arespeito da biologia do amor, ativaríamos a palavra tornando-a um verbo e não umsubstantivo. Na abstração do amar feita por Maturana no âmbito das condutaspossíveis, podemos constatar que se constitui como: “o campo de todos oscomportamentos em que eu, outros e os outros aparecem como legítimo outro naconvivência com um.”
 
Então não se trata de um comportamento específico, podemos realizar qualquerfazer a partir do amar, se dadas as condições adequadas. Sem a ampliação daaceitação mútua do amar, a linguagem não poderia ter surgido em nossa linhagemevolutiva, e é ao redor da conservação de um viver centrado no amar que seconduziu a história das transformações da humanidade, especialmente antes daascensão da cultura patriarcal-matriarcal (cerca de 10 mil anos atrás). Mesmoassim seguimos sendo até hoje sendo Homo Sapiens-Amans(5), e as pessoas queadoecem e morrem estão vivendo permanentemente em um desamar que as nega.Sem dúvida alguma, o mais importante nas sociedades anteriores ao período aopatriarcado/matriarcado era o amar com uma dinâmica espontânea. Em em umasociedade democrática moderna isto não poderia faltar, ou viveríamos em umregime autoritário ou monárquico, em que nem todos são considerados pessoas oucidadãos. E não falo aqui da democracia como sistema eleitoral e político, mascomo o campo cotidiano relacional que surge apenas no respeito mútuo. Comogosta de dizer Maturana : “A democracia é uma obra de arte de todos os dias.”Neste sentido, incluir a palavra amor no lema pátrio é um convite explícito à éticacívica. Então, O que acontece com a ordem? Em nossa atual geoculturacostumamos entender a ordem em termos de uma dinâmica que é estabelecidaatravés da obediência à autoridade. Uma dinâmica demanda o controle, e quepressupõe que a cidadania não é confiável sem a supervisão dos agentes da ordem.Entretanto, assim como ocorre em qualquer sistema, a ordem é uma propriedadeemergente de suas coerências estruturais e operacionais.O tão mencionado auto-organização é um pleonasmo, pois em um sentido estrito,todo o sistema é auto-organizado, no sentido de que sua identidade é constituídapelas relações que constituem a sua organização estrutural. Qualquer sistemafísico, biológico, cultural, etc, é como é de acordo com sua estrutura, e se pode fazernele e com ele apenas o que sua estrutura permitir.Devemos aqui fazer uma distinção entre o controle entendido nesses termos, queenvolve a emoção de desconfiança, e os cuidados com a observação dos processosque envolvem os chamados mecanismos de controle de, por exemplo, uma linha deprodução.Não se trata de laissez faire (delargar), mas sim de entender que, no social, onde aspessoas sabem o que fazer, podem fazê-lo sem serem monitoradas pois ascoerências do próprio fazer determinam os meios para sua realização. A ordem éum comentário que, como observadores, fazemos quando vemos o fluxo doprocesso de acordo com a constituição relevante que os define. E não é precisoagentes da ordem para isto, na melhor das hipóteses, como no caso de um maestro,um observador para coordenar a oportunidade e sinergia das emoções a partir dasquais aqueles fazem o que é feito, sempre no rumo das coordenações consensuais.Então, em uma sociedade que vive explicitamente na ética cívica e que coloca emseu centro o amar, a ordem vai simplesmente emergindo a partir desse pano defundo que preserva as relações democráticas, como acontece por exemplo em todasas comunidades que surgem a partir da colaboração com fins humanitários. NoChile, por ocasião do terremoto, diversas pessoas organizaram grupos para auxiliar

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