desmentida pela Ciência, a Religião adquirirá inabalável poder, porque estará de acordo com a razão, jáse lhe não podendo mais opor a irresistível lógica dos fatos.A Ciência e a Religião não puderam, até hoje, entender-se, porque, encarando cada uma ascoisas do seu ponto de vista exclusivo, reciprocamente se repeliam. Faltava com que encher o vazio queas separava, um traço de união que as aproximasse. Esse traço de união está no conhecimento das leisque regem o Universo espiritual e suas relações com mundo corpóreo, leis tão imutáveis quanto as queregem o movimento dos astros e a existência dos seres. Uma vez comprovadas pela experiência essasrelações, nova luz se fez: a fé dirigiu-se à razão; esta nada encontrou de ilógico na fé: vencido foi omaterialismo. Mas, nisso, como em tudo, há pessoas que ficam atrás, até serem arrastadas pelomovimento geral, que as esmaga, se tentam resistir-lhe, em vez de o acompanharem. É toda umarevolução que neste momento se opera e trabalha os espíritos. Após uma elaboração que durou mais dedezoito séculos, chega ela à sua plena realização e vai marcar uma nova era na vida da Humanidade.Fáceis são de prever as conseqüências: acarretará para as relações sociais inevitáveis modificações, àsquais ninguém terá força para se opor, porque elas estão nos desígnios de Deus e derivam da lei do progresso, que é lei de Deus. (O Evangelho Segundo Espiritismo, Cap. I, item 8.)
Pergunta – Se a Ciência, a Filosofia e o Evangelho são os fundamentos da DoutrinaEspírita, como interpretá-los em sua justa significação?
Resposta – Em espiritismo, a Ciência indaga, a Filosofia conclui e o Evangelho ilumina.Com a primeira, há movimento de opiniões, com a segunda, temos a variedade dos pontosde vista na matéria interpretativa e, com o terceiro, encontramos a renovação da alma para a Eternidade.A primeira modifica-se, dia a dia.A segunda evolui e transforma o seu quadro de conceituação da vida.O terceiro, porém, é imperecível roteiro de elevação.A Ciência e a Filosofia são meios, o Evangelho é o fim.No esforço científico e na perquirição filosófica, o homem pode gastar indefinido tempo à procura das causas profundas do destino e do ser.No Evangelho, porém, o coração e o cérebro despertam para o caminho da própriasublimação. Dentro dele, não há lugar para ilações provisórias. Resplandece a luz em todos os seusângulos divinos, compelindo a criatura a humanizar-se, a angelizar-se e a santificar-se, para a união como Pai Supremo.Em síntese concentrada, reconhecemos que, se a Ciência e a Filosofia são fundamentosindiscutíveis de nossa Doutrina Consoladora, em torno delas, o Espírito costuma vaguear longosséculos, ao redor de concepções puramente humanas, enquanto que, no Evangelho, encontra nossa almaa companhia do Amigo Celestial, com quem é possível alcançar o monte da iluminação para a Vida
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