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JPV_Fragmentacao Partidária e Cláusula de Barreira

JPV_Fragmentacao Partidária e Cláusula de Barreira

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125Pensar, Fortaleza, v. 13, n. 1, p. 125-135, jan./jun. 2008.
Fragmentação partidária e a cláusula de barreira: dilemas do sistema político brasileiro
Introdução
Tivemos o sepultamento do modelo e dasinstituições políticas da ditadura militar. Com aformação da Nova República, Isso ao mesmo tempolevantou esperanças e expectativas por parte da
Fragmentação partidária e a cláusula de barreira:dilemas do sistema político brasileiro
*
Political party fragmentation and the barrier clause:dilemmas of the Brazilian political system
João Paulo Saraiva Leão Viana
**
Resumo
O texto aborda a questão da fragmentação partidária no sistema político brasileiro, a partir da formação daNova República com a Assembléia Constituinte de 1988, tendo em conta a extrema permissividade da CartaMagna em relação à criação de um partido político. Realiza a partir daí uma discussão entre alguns dosprincipais estudiosos da ciência política brasileira sobre o assunto. Num segundo momento, traz a discussãopara a implementação da cláusula de barreira de 5% em nosso sistema eleitoral, com os argumentos dos
estudiosos sobre o tema. Por m, analisa com base nas eleições de 2002, as possíveis conseqüências da
Cláusula de Desempenho na composição da Câmara dos Deputados.
Palavras-chave
:
Fragmentação Partidária. Cláusula de Barreira. Sistema Político Brasileiro.
Abstract
The essay approaches the matter of political party fragmentation in the Brazilian political system brought along by the New Republic formed by the 1988 Constitutional Assembly, considering the extremely easy process of  political party creation. The ideas toward the topic from major scholars are discussed. The implementation of the barrier clause of 5% in Brazil is discussed as well, including its possible consequences in the formation of the Brazilian Congress after the 2006 election, compared to the Congress resulted from the 2002 election.
Keywords
:
Political Party Fragmentation. Barrier Clause. Brazilian Political System.
população que acabara de viver 21 anos de regimeautoritário. A assembléia constituinte de 1988 surgiunessa perspectiva, suscitando a esperança demudanças e abrindo caminho para uma nova ordeminstitucional. A carta magna de 1988 preservou oselementos tradicionais de nosso regime republicano:
* Este artigo é a adaptação do capítulo brasileiro do livro: Reforma Política - Cláusula de Barreira na Alemanha e no Brasil, de minha autoria,editado pela Editora da Universidade Federal de Rondônia - EDUFRO, em 2006. A pesquisa foi apresentada na Universidade Federal do Cearáem 2005, como último requisito para a obtenção do grau de Bacharel em Ciências Sociais.** Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará. Mestrando em Relações Internacionais na América do Sul, pelo Centro Bra-sileiro de Estudos Latino-Americanos - CEBELA. Professor de Ciência Política da Escola do Legislativo da Assembléia Legislativa de Rondônia,professor das Faculdades Integradas Aparício Carvalho e da Faculdade de Ciências Humanas, Exatas e Letras de Rondônia - FARO.
 
126Pensar, Fortaleza, v. 13, n. 1, p. 125-135, jan./jun. 2008.
João Paulo Saraiva Leão Viana
o presidencialismo, o federalismo, o bicameralismo,o multipartidarismo e a representação proporcional.O ponto referente à forma republicana e o sistemapresidencialista de governo foram temas polêmicos,
cando acertado, entre os constituintes, um plebiscito
nacional em 1993, que decidiria sobre a forma esistema de governo.Como avanços democráticos enumera-sea expansão do direito político ao analfabeto, quepoderia votar e ser votado, o direito ao voto estendidoaos menores de idade de 16 a 18 anos e a inclusãode mecanismos de democracia participativa comoplebiscito e referendo. Estabeleceu-se o mandatopresidencial de quatro anos e também um númeromínimo de representação de 8 deputados nosmenores Estados e o máximo de 70 nos maiores.Porém, nenhuma regulamentação fazia referênciaà formação e representação dos partidos no
parlamento, nem à delidade partidária.
Nas eleições de 1989, a fragmentaçãopartidária estava evidenciada com as vinte eduas candidaturas à presidência da república. Oscandidatos da esquerda, Luís Inácio Lula da Silvado PT e Leonel Brizola do PDT, foram surpreendidospelo desconhecido Fernando Collor de Melo, ex-governador de Alagoas e candidato à presidênciapelo recém-criado e inexpressivo PRN. Com a
vitória de Collor, caria comprovada a fragilidade
dos partidos brasileiros. As duas maiores legendasno congresso, PMDB e PFL, colheram um resultado
pío com as candidaturas de Ulisses Guimarães
e Aureliano Chaves, alcançando menos de 5% depreferência do eleitorado. Nas eleições estaduais de1990 o número de partidos no congresso aumentariade 13 em 1986 para 19. O PRN, do presidente Collor,que possuía uma bancada inferior a 3% da Câmarados Deputados aumentaria consideravelmente apóso pleito de 1990.Com o
impeachment 
de Fernando Collor, no
nal de 1992, o vice-presidente Itamar Franco as
-sumiria o cargo. Após 30 anos, em abril de 1993 érealizado novo plebiscito que decidiria sobre a formae sistema de governo. O modelo de República pre-sidencialista é novamente vitorioso. Com o sucessodo plano real o então ministro da fazenda FernandoHenrique Cardoso anuncia sua candidatura à presi-dência da república pela coligação PSDB-PFL-PTB,tendo o senador Marco Maciel como vice. FHC ven-ce Lula, já no 1
o
turno, por maioria absoluta de votos.Em 1997, o congresso nacional aprova a emendada reeleição, dando direito a políticos dos cargosdo executivo a concorrem novamente. Em 1998, acena se repetiria com a união PSDB-PFL-PTB e oPMDB, com FHC e Marco Maciel, contra a aliançade esquerda encabeçada por PT-PDT-PSB-PC doB, com Lula e Brizola formando a chapa. Nova vi-tória da situação. Nas eleições de 1998, 18 partidosconseguiram representação no parlamento.
Em 2002, a “verticalização” congurou-se comoa mudança mais signicativa nas regras eleitorais.
O Tribunal Superior Eleitoral determinou que ascoligações em nível federal deveriam também se dar no âmbito estadual. As alianças, tanto nos Estados,quanto na eleição para presidente, deveriam ser as mesmas. Essa regra impediu uma prática muitocomum na política brasileira, que são as aliançasfeitas pelos partidos, seguindo conveniênciasregionais. Tanto foi o desagrado com a medida que,
hoje, o m da verticalização representa opinião
quase unânime entre os partidos.No pleito de 2002, Luis Inácio da Silva énovamente candidato numa aliança mais ampla,tendo como vice, o senador José Alencar do PartidoLiberal. José Serra, Ministro da Saúde do governo
FHC é o candidato governista. Anthony Garotinho,
então governador do Rio de Janeiro, sai candidatopelo PSB. O PPS e o PDT lançam o ex-governador 
do Ceará e ex-Ministro da Fazenda Ciro Gomes.
Lula e Serra vão para o segundo turno, com Lula
vitorioso, recebendo o apoio de Ciro e Garotinho.
A vitória de Lula representou, para a esquerdabrasileira, a volta ao poder após 38 anos. Suscitandograndes esperanças de mudanças, o PT consolidava-se como nova alternativa de poder. Era o grandevitorioso das eleições aumentando sua bancadade 58 para 91 deputados. O PFL, representando adireita conservadora, é o partido com maior queda,passando de 105 para 84 deputados. Com exceção doPDT, todos os partidos que integraram a candidaturade Lula no 2
o
turno apresentaram crescimentode suas bancadas na câmara dos Deputados. Jáos partidos que formavam a base governista deFHC, PSDB, PFL, PTB e PPB tiveram uma quedaconsiderável no número de parlamentares. Mais umavez, é apresentado um alto número de legendas noparlamento, nada mais nada menos que 19 partidosiniciaram os trabalhos legislativos em 2003.Com a volta das eleições e a retomada dademocracia, de 1985 aos dias atuais, quase 80partidos já participaram de eleições. Atualmente,conforme a lei dos partidos nº 9096 de 1995, para queseja criado um novo partido é necessário a obtençãode assinaturas de no mínimo 0,5 % dos eleitores quevotaram a deputado federal nas últimas eleições, empelo 1/3 dos Estados brasileiros.De certo, a instabilidade é algo marcante natrajetória de partidos e eleições no Brasil. Numestudo sobre a institucionalização do PT no Estado
 
127Pensar, Fortaleza, v. 13, n. 1, p. 125-135, jan./jun. 2008.
Fragmentação partidária e a cláusula de barreira: dilemas do sistema político brasileiro
Ceará, o cientista político Josênio Parente (1995,p.8) apresenta a idéia de que “o Brasil não conheceualguns dos processos que levaram à sedimentaçãoos sistemas partidários bem sucedidos” e completa
a armação citando Lamounier e Meneguello quearmam que “em perspectiva comparada, o Brasil é
um caso notório do subdesenvolvimento partidári.”(PARENTE, 1995, p.9).Na constituinte de 1988, os legisladoresbrasileiros não demonstraram interesse pelasquestões e regras que regulam as eleições paraa câmara de deputados, assembléias e câmarasmunicipais. Em seu artigo intitulado “De comopensando que se vai para a Alemanha e chega-seà Bolívia”, o professor do IUPERJ, Jairo Nicolau(1999, p.23) ponta para uma total insatisfaçãocom o desempenho de nossas instituições: “Asregras que regulam a escolha de representantes,partidos, funcionamento do legislativo e executivo,são alvos de permanentes manifestações dedescontentamento. Prova disso, é que foram
freqüentemente editadas emendas constitucionaise comissões, editoriais e plebiscitos. Ele arma,
também, que a própria constituição de 1988, teriacontribuído para tal “insatisfação institucional”.O professor cita o ex-presidente FHC que, numdepoimento ao Jornal do Brasil, expressou suaopinião quanto ao subdesenvolvimento de nossosistema eleitoral. Segundo FHC, o problema existeporque nossa sociedade teria avançado mais que osistema político.A história republicana recente que foi marcadapor golpes, suicídio, renúncia e
impeachment 
,
conrma essa instabilidade e fragilidade de nosso
sistema eleitoral. A partir do plebiscito de 1993,referente à forma e sistema de governo, começaram
a aparecer, com mais freqüência, propostas de
reforma política. Porém, é difícil se encontrar unanimidade entre parlamentares, estudiosos epartidos políticos. Costuma-se divergir sobre tudo.Há estudiosos, por exemplo, que apontam parauma reforma total, outros preferem falar apenasem ajustes no atual sistema. No entanto, um pontocomum entre todos é que precisamos de partidosfortes, partidos que representem bem os interessesda sociedade, com um sistema partidário sólido enão temporal. É exatamente aí que entram pontos
como a cláusula de barreira, delidade partidária,m das coligações nas eleições proporcionais enanciamento público de campanhas.
O objetivo deste trabalho é retomar a discussãosobre o tema da fragmentação partidária brasileira ea implementação da cláusula de barreira no sistemaeleitoral brasileiro. Em primeiro lugar, contraponhode um lado os cientistas políticos Bolívar Lamounier 
(1992) e Walder de Góes (1992), que defendem
com veemência uma mudança em nosso quadropartidário, em prol de melhores condições de
governabilidade, com um legislativo eciente capaz
de tomar decisões. Do outro lado, estudiosos comoSérgio Abranches (2003), autor do estudo clássico “Opresidencialismo de coalizão: o dilema institucionalbrasileiro” e o professor do IUPERJ, Fabiano Santos(2003), defensores de nosso multipartidarismoexacerbado, o que segundo eles seria a viga desustentação em nossa democracia representativa.Em segundo lugar, levo o debate paraa implementação da cláusula de 5% com osargumentos de analistas políticos como AntônioOtávio Cintra, Francisco Weffort, FHC, Maria D’AlvaKinzo, Rogério Schimitt, Leôncio Martins Rodrigues,
Jairo Nicolau, Giusti Tavares, Renato Lessa, MarcusIanoni, Kátia de Carvalho, Ives Gandra Martins e
Paulo Costa Leite. Analisando, a partir daí os pontose contrapontos da implementação da cláusula debarreira nas eleições de 2006 para a Câmara dosDeputados.
2 O sistema político brasileiro e aquestão da fragmentação partidária
É um ponto crucial no sistema políticobrasileiro: a existência de um grande númerode partidos. Na eleição de 2002, 19 partidosconseguiram representação na Câmara dosDeputados. Essa fragmentação partidária é vista por muitos estudiosos como um empecilho à formaçãode governos sólidos, com maiorias capazes defomentar decisões. Esta pulverização impede, assim,um melhor funcionamento do legislativo. Por outrolado, há estudiosos que recorrem ao nosso históricode sociedade estruturalmente heterogênea e anecessidade de uma certa pluralidade de interesses,
para justicar e explicar nosso multipartidarismo
exacerbado.Desde o império, houve um certo cuidadoquanto ao problema da representação das minorias.A Lei do Terço de 1876 representou alguma dastentativas dos nossos legisladores em resolver oproblema das minorias políticas. Com a adoçãodo sistema totalmente proporcional em 1945 e osurgimento das coligações partidárias no iniciodos anos 50, aumentou-se consideravelmente aschances de representação dos pequenos partidos.Na tentativa de ampliarmos o debate sobre afragmentação partidária do nosso sistema político,analisaremos seus pontos e contrapontos, expondo

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