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11. Thiago

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Revista dos Estudantes da Faculdade de Direito da UFC (on-line). a. 4, n. 9, jan./jul. 2010

DIREITOS FUNDAMENTAIS E TRANSDISCIPLINARIEDADE: O DIREITO AO
DESENVOLVIMENTO NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 E OS OBSTÁCULOS À SUA CONCRETIZAÇÃO
Revista dos Estudantes da Faculdade de Direito da UFC (on-line). a. 4, n. 9, jan./jul. 2010

DIREITOS FUNDAMENTAIS E TRANSDISCIPLINARIEDADE: O DIREITO AO
DESENVOLVIMENTO NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 E OS OBSTÁCULOS À SUA CONCRETIZAÇÃO

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Revista dos Estudantes da Faculdade de Direito da UFC (
on-line
). a. 4, n. 9, jan./jul. 2010
 
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IREITOS FUNDAMENTAIS E TRANSDISCIPLINARIEDADE
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RESUMO
Este trabalho pretende empreender uma análise do objetivo constitucional fundamental degarantir o desenvolvimento nacional. Parte-se do reconhecimento do direito ao desenvolvimentono plano internacional e do significado de sua incorporação no ordenamento jurídico brasileiro.Identificando-se o Brasil como um país subdesenvolvido, marcado por heterogeneidades econtradições, atribui-se sentido e alcance específicos à noção de desenvolvimento. Percebe-seque a Constituição Federal de 1988 fornece substrato jurídico para a perseguição do objetivofundamental mencionado. Entretanto, os empecilhos à plena manifestação da soberania popular ea acentuação do processo de globalização têm imposto obstáculos à afirmação da soberaniaeconômica, o que dificulta uma intervenção planejada do Estado na economia, voltada àsuperação da condição de subdesenvolvimento.
Palavras-chaves:
Constituição Federal de 1988.
 
Desenvolvimento nacional. Intervenção doEstado. Economia. Soberania econômica.
 ABSTRACT
This paper intends to undertake an analysis of the fundamental constitutional objective to ensurenational development. It starts with the recognition of the right to development in theinternational sphere and of the meaning of its incorporation in the Brazilian legal system. Brazilis an underdevelopment country, marked with heterogenities and contradictions. Therefore thedevelopment has specific notion and scope in the Brazilian case. The 1988´s Federal Constitutionprovides juristic substrate to the pursuit of the referred fundamental objective. However the
1
Artigo vencedor do II Concurso de Artigos Jurídicos da UFC, promovido pela organização da V Semana do Direitoda UFC.
Aluno da graduação em Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC). Bolsista do Programa Institucional deBolsas de Iniciação Científica da Universidade Federal do Ceará (PIBIC – UFC).
 
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obstacles to the complete popular sovereignty´s manifestation and the emphasis on theglobalization process have caused difficulties to the affirmation of the economics sovereignty,which hampers a planned State intervention in the economy, oriented to overcomeunderdevelopment condition.
Keywords:
1988´s Federal Constitution. National development. State intervention. Economy.Economic sovereignty.
1.
INTRODUÇÃO
 
A interpretação e a aplicação da Constituição exigem, necessariamente, em umasociedade com alto grau de complexidade, uma constante preocupação com o sentido que devemassumir diante do plano concreto, pois a Constituição, por meio de suas normas, confereestruturação às searas política, econômica e social. Destarte, têm os juristas verificado que oestudo isolado do Direito não basta para o seu correto entendimento, uma vez que estádirecionado à regulação de situações fáticas, a partir de decisões axiológicas, pautadas numaconcepção última de justiça. Ganha espaço, portanto, a noção de transdisciplinariedade.Ao se propor uma análise de um objetivo constitucional fundamental, tal qual o degarantir o desenvolvimento nacional (art. 3º, II, CF/88), é indispensável a observação da normaconstitucional que o prescreve dentro de um sistema coeso, levando-se em conta, ainda, aspectospolíticos, econômicos e sociais que permeiam seu sentido e alcance, bem como os obstáculos,nos planos fático e jurídico, à consecução do objetivo enunciado.Parte-se, pois, neste trabalho, de duas premissas: a) o Brasil é um país subdesenvolvido,marcado por heterogeneidades e contradições, o que atribui, ao objetivo fundamental de garantiro desenvolvimento nacional, um significado específico, distinto do que a ele seria destinado emum país desenvolvido, uma vez que necessariamente relacionado à idéia de mudança, a um saltode qualidade nos campos econômico, social, cultural e intelectual; b) a Constituição Federal de1988 é dirigente e traz à baila um sistema de normas voltado à superação da condição desubdesenvolvimento.Entretanto, o “novo” processo de globalização, iniciado na década de 1980, tem posto emxeque a concepção moderna de Estado, sobretudo no que se refere a um de seus fundamentos: asoberania nacional. Diante disso, os países subdesenvolvidos deparam-se com a acentuação das
 
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influências dos setores capitalistas internacionais em suas tomadas de decisões, o que os afasta documprimento das normas constitucionais e, consequentemente, do processo de desenvolvimento.É nesse contexto que se buscará identificar, no texto constitucional, substrato jurídico paraa perseguição do objetivo constitucional fundamental de garantir o desenvolvimento nacional,atentando-se, contudo, à análise dos obstáculos político-econômicos existentes, no que tange,notadamente, à afirmação da soberania nacional em um contexto de globalização.
2. DO CONSTITUCIONALISMO LIBERAL AO CONSTITUCIONALISMO SOCIAL. ACONSTITUIÇÃO DIRIGENTE
As constituições do Estado Liberal serviram à burguesia em duas ordens de interesses: emum primeiro momento para protegê-la contra a aristocracia absolutista; após, para consolidá-lacomo classe dominante
2
. Estabeleceram uma separação entre o Estado, de um lado, e a sociedadee a economia, de outro, atribuindo àquele a tarefa de garantir a inviolabilidade da liberdade doindivíduo, contra a qual nem mesmo ele, Estado, poderia atentar.
3
Ocorre que tal liberdade,indispensável para que a burguesia mantivesse o domínio do poder político, estendia-se às demaisclasses sociais tão-somente se considerada sob o prisma formal ou nominal.
4
 As constituições liberais limitaram-se, destarte, a disciplinar o poder estatal, definindo suaestruturação básica e os direitos individuais.
5
Para tanto, afirmaram uma rígida técnica deseparação de poderes, desenvolvida por Montesquieu, a partir do modelo ideológico de Locke,
2
NUNES, António José Avelãs. O Estado Capitalista. Mudar para permanecer igual a si próprio. In:
Constituição eEstado Social:
os obstáculos à concretização da Constituição. São Paulo: Coimbra Editora e Revista dos Tribunais,2008, p. 49.
3
O modelo acima identificado representa o Estado de Direito, que assim foi exposto por Gilberto Bercovici: “NoEstado de Direito, as regras jurídicas estabelecem padrões de conduta ou comportamento e garantem também umadistanciação e diferenciação do indivíduo, por meio do Direito, perante os órgãos públicos, assegurando-lhe umestatuto subjetivo essencialmente caracterizado pelos direitos e garantias individuais
.
” (BERCOVICI, Gilberto. Aproblemática da constituição dirigente: algumas considerações sobre o caso brasileiro.
Revista de InformaçãoLegislativa
. a 36. n. 142. abr./jun. Brasília, 1999, p. 37).
4
“A burguesia, classe dominada, a princípio e, em seguida, classe dominante, formulou os princípios filosóficos desua revolta social. E, tanto antes como depois, nada mais fez do que generalizá-los doutrinariamente como ideaiscomuns a todos os componentes do corpo social. Mas, no momento em que se apodera do controle político dasociedade, a burguesia já se não interessa em manter na prática a universalidade daqueles princípios, como apanágiode todos os homens. Só de maneira formal os sustenta, uma vez que no plano de aplicação política eles seconservam, de fato, princípios constitutivos de uma ideologia de classes. Foi essa a contradição mais profunda nadialética do Estado moderno.” (BONAVIDES, Paulo.
Do Estado Liberal ao Estado Social
. 8 ed. São Paulo:Malheiros, 2007, p. 42).
5
BONAVIDES, Paulo.
Curso de Direito Constitucional
. 22 ed. São Paulo: Malheiros, 2008, p. 229.

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