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Revisao Criminal

Revisao Criminal

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REVISÃO CRIMINAL
Stephanos Demetriou Stephanou Neto
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INTRODUÇÃOA revisão criminal pode ser caracterizada como uma espécie de açãorescisória, pois se trata de ação autêntica, que tem como finalidade rescindir o trânsito em julgado de uma sentença condenatória.A principal função desta ação é a de saneamento de eventuais erros proferidos na esfera judicial. Mesmo não sendo prevista expressamente no artigo 5º daConstituição Federal, a revisão criminal, está indiretamente inserida no § 2º do dispositivo,como garantia de direito fundamental.O presente estudo pretende esmiuçar os requisitos de admissibilidadee as condições que possibilitem a interposição da ação.DAS HIPÓTESES DE CABIMENTOO artigo 621 do Código de Processo Penal contém as hipótesestaxativas do cabimento da revisão criminal:
“A revisão dos processos findos será admitida: I – quando a sentença condenatória for contrária aotexto expresso na lei penal ou à evidência dos autos; II – quando a sentença condenatória se fundar emdepoimentos, exames ou documentoscomprovadamente falsos; III – quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de inocência do condenado ou decircunstância que determine ou autorize diminuiçãoespecial da pena.”
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Stephanos Demetriou Stephanou Neto é Estagiário de Direito do Ministério Público Federal em Canoas/RSe Acadêmico de Ciências Jurídicas e Sociais da UNISINOS.
 
Cabe salientar, que somente pode haver a possibilidade da revisãocriminal nos casos previstos na lei, eles são taxativos e devem ser apurados da maneiramais objetiva possível (neste sentido, destaco recente decisão do Tribunal de Justiça do RioGrande do Sul)
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. Sempre a sentença condenatória deve ter o trânsito julgado e,necessariamente, contrariar o ordenamento jurídico ou evidencia dos autos, quando a provanão autorizava a condenação.
“Contrariedade ao texto expresso de lei penal: acorreta interpretação desta causa motivadora darevisão criminal é ampliar o sentido de lei penal 
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“(...) O presente pedido sequer deveria ser conhecido Primeiramente, cabe referir que a revisão não é uma segunda apelação, não se prestando à mera reapreciação da prova já examinada pelo Juízo de primeiro grau e, no caso dos autos também de segunda instância, exigindo, pois, que o requerente apresenteelementos probatórios que desfaçam o fundamento da condenação.
 Segundo dispõe o art. 621 e seu inciso primeiro do CPP será admitida Revisão Criminal quando asentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei penal ou à evidência dos autos.
 Nesse sentido:“ TJSC: “Não ocorrendo, no caso, nenhum dos motivos relacionados no art. 621, doCPP, para a admissão da revisão dos processos findos, sendo o mesmo taxativo, impõe-se o não-conhecimento do pedido.” (JCAT 73/641). TACRSP: “A revisão criminal é uma ação penal, originária de 2ª instância, objetivando desconstituir uma sentença condenatória transitada em julgado e que tem por  finalidade corrigir excepcionais casos de erro judiciário, equivalente da ação rescisória civil. Por ser umaação, está sujeita às condições de procedibilidade inerentes a toda ação. Por outro lado, a revisão criminal viola a autoridade da coisa julgada, e conseqüentemente, só pode ser admitida quando se enquadra,rigorosamente nas hipóteses taxativas enumeradas em lei, ou seja, no art. 621 do CPP. Assim sendo, paraque a ação tenha seguimento, precisa passar por um juízo de admissibilidade, com verificação dos pressupostos básicos de formação da instância do conhecimento. Se o Estado é invocado para a prestação jurisdicional, cabe-lhe fiscalizar a petição inicial para evitar o nascimento de causas inviáveis e, por conseguinte, perda de tempo, e de dinheiro, bem como poupando o Tribunal de desperdício de atividade(RT 707/305). A presente Revisão Criminal busca a absolvição do réu pela condenação por porte de arma, pelocrime de receptação e pelo crime de formação de quadrilha.
 No caso em espécie, os argumentos e elementosoferecidos na ação em análise visam tão somente rediscutir a prova constante no feito, sob a alegação deser a decisão que o condenou contrária à evidência dos autos.
 A defesa. em razões, refere análise da prova, sustentando que a inconformidade do requerente está fundamentada na inexistência de provas. Ao contrário da sustentação defensiva, este não se trata de um caso que não existe prova sequer a ser analisada. Todas as questões foram combatidas e avaliadas em primeiro e segundo graus. Nestainstância, o nobre Relator da Apelação Crime Des. José Antônio Cidade Pitrez apreciou com cautela, precisão e sensibilidade à exaustão a prova dos autos. Por tais razões é que julgo improcedente a RevisãoCriminal. É o voto. Des. Marco Antônio Ribeiro de Oliveira (PRESIDENTE E REVISOR) - De acordo com o Relator. Des. Jaime Piterman - De acordo com o Relator Des. Manuel José Martinez Lucas - De acordo como Relator.Des. José Antônio Cidade Pitrez - De acordo com o Relator DES. MARCO ANTÔNIO RIBEIRO DE OLIVEIRA - Presidente - Revisão Criminal nº 70023074925, Comarca de Soledade: "JULGARAM  IMPROCEDENTE A REVISÃO CRIMINAL. UNÂNIME." 
 
 para abranger não somente as referentes ao direito penal (incriminadoras, permissivas ou de qualquer outro tipo), mas também ao direito processua penal. Assim, a sentea proferida cominfringência grave e frontal a norma prevista noCódigo de Processo Penal também pode dar ensejoà revisão criminal. Trata-se de situação facilmentedetectável, pois basta comparar a deciocondenatória com o texto legal, vislumbrando-se seo magistrado utilizou ou não argumentos opostosao preceituado em lei penal ou processual penal.”
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O erro material da sentença é atacado pela revisão criminal, umexemplo ilustrativo: quando um réu é condenado por fato que não constitui crime. Por outrolado, primordial enfatizar que, como corrobora a Súmula 611
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do Supremo TribunalFederal, a revisão criminal não se presta para evocar a aplicação de lei posterior que deixar de considerar o fato como crime, pois a competência é do juiz da execução de primeirainstância.A contrariedade com relação às evidências dos autos é aquelacondenação que não encontra qualquer respaldo em provas idôneas, não pode estar apoiadaem meros indícios e em questões que desafiam a lógica da racionalidade mínima dentro do processo criminal.
“...entende-se por evidência dos autos o conjunto probatório colhido. Para ser admissível a revisãocriminal, torna-se indispensável que a decisãocondenatória proferida ofenda frontalmente as provas constantes nos autos. ...seria o equivalentea dizer que todas as testemunhas idôneas eimparciais ouvidas afirmaram não ter sido o réu oautor do crime, mas o juiz, somente porque oacusado confessou na fase policial, resolveucondená-lo...”
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NUCCI, Guilherme de Souza.
Código de Processo Penal Comentado
. São Paulo: Revista dos Tribunais,2007. p. 961.
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”Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das execuções a aplicação de lei maisbenigma.”
5
NUCCI, Guilherme de Souza. o
 p cit 
. p. 962.

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